Percebi que a boate estava intencionalmente escura. A iluminação era fraca e vermelha, pulsando como fogo. Talvez fosse a cor, o álcool anuviando meus sentidos ou ambos, mas eu não conseguia distinguir o rosto de ninguém.Aquilo criava uma atmosfera de mistério, de possibilidade. Eu conseguia entender por que os solteiros se aglomeravam ali durante as luas cheias, o anonimato era embriagador.Decidi me permitir perder naquela sensação, só por alguns minutos. Pegando minha bebida, fui em direção à pista de dança e me impulsionei até o centro, me esquivando de corpos em movimento, mãos bobas e respirações quentes.A música parecia se intensificar no centro da pista, um arranjo selvagem de batidas, luzes piscantes e formas se contorcendo ao meu redor. Sem nem pensar, comecei a me mover no ritmo do som. Fechei os olhos e deixei que a música me levasse para outro lugar, para bem longe da dor da vida cotidiana.Não demorou muito para que eu sentisse mãos em mim. Eram quentes e gentis na
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