Poucos instantes depois, o garçom voltou com uma fatia de bolo de chocolate que parecia tão exagerada que valia por uma refeição inteira, coroada com uma generosa espiral de chantilly e duas cerejas bem vermelhas. Ele colocou o prato entre nós, junto com dois garfos.Alexander olhou para o bolo, depois para mim. Por um momento, achei que ele fosse se recusar a participar daquele teatro por mais tempo. Mas então, surpreendentemente, ele pegou o garfo.— Já que estamos aqui, é melhor fazermos isso ser convincente. — Ele disse, cortando um pedacinho da ponta do bolo.Concordei com a cabeça e peguei o meu próprio garfo. — Pela alcateia.— Pela alcateia. — Ele repetiu e, por um breve instante, quando nossos olhos se encontraram por cima do bolo de chocolate, senti aquele leve puxão no peito que era o nosso vínculo de companheiros. Meus batimentos cardíacos aceleraram, e de repente o espaço entre nós pareceu encolher.Não era real, lembrei a mim mesma. Nada daquilo era real. Era apena
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