Arthur Strauss O calor úmido e denso da noite caribenha entrava pelas frestas da varanda do bangalô, trazendo consigo o som rítmico e constante das ondas quebrando na areia lá embaixo. O quarto estava banhado por uma penumbra suave, cortada apenas pelos reflexos prateados da luz da lua que se estendiam sobre o piso de madeira escura. Eu estava deitado de costas na cama king-size, com um braço dobrado sob a cabeça, olhando para o teto alto enquanto ouvia o barulho abafado do chuveiro funcionando no banheiro. Maya estava lá dentro. Eu podia ouvir o som da água caindo, e, por mais mil vezes que tivéssemos feito o amor ao longo daqueles meses — desde o altar, desde o contrato falso, desde os corredores estéreis do hospital —, a expectativa de tê-la inteiramente para mim, sem horários a cumprir, sem secretárias batendo à porta e sem o peso de um império desmoronando nas nossas costas, fazia o meu sangue pulsar nas veias com a mesma urgência febril do primeiro dia. Fechei os olhos por um
Última actualización : 2026-08-15 Leer más