Bia Lacerda Atravessei a recepção correndo, com as lágrimas de pura raiva ameaçando transbordar pelos meus olhos. Tudo o que eu queria era sair daquele prédio, entrar no metrô e sumir, tentar esquecer que cruzei com o pesadelo da minha vida em plena luz do dia. Empurrei a porta de vidro pesada da agência, saindo para a calçada movimentada e, em seguida, adentrando o estacionamento subterrâneo e aberto do complexo comercial, onde os carros manobravam lentamente. O ar abafado da tarde de São Paulo parecia não entrar nos meus pulmões. Levei a mão à testa, tonta, tentando recuperar o fôlego. — Bia! Espera aí, por que fugir assim? — a voz dele soou logo atrás de mim, ecoando pelo concreto cinzento do estacionamento vazio. Gelei. Olhei para trás e vi Luiz Carlos descendo a rampa do estacionamento atrás de mim, caminhando com passos firmes, um sorriso debochado e irritante colado no rosto. — Não me siga, seu maldito! Fique longe de mim! — gritei, sentindo o pânico misturar com a f
Última actualización : 2026-08-20 Leer más