Gregório A luz do sol da manhã filtrava pelas frestas da persiana, desenhando linhas douradas sobre o chão do apartamento. Eu estava na pequena cozinha, o som da cafeteira borbulhando sendo o único ruído além do canto dos pássaros que insistiam em aparecer na varanda. Tinha preparado o básico: café forte, algumas torradas, frutas picadas e um pouco de mel, tudo disposto com uma precisão que, em outros tempos, eu teria achado irritante ou desnecessária. Mas ali, na paz daquela manhã, cada detalhe era uma forma de ancorar Bia ao presente, de garantir que ela estivesse cercada por algo que não fosse o fantasma da noite passada. Eu a vi surgir no corredor. Ela caminhava com aquela hesitação quase imperceptível de quem ainda estava processando o terreno. O cabelo estava uma bagunça adorável, emaranhado pelos dedos inquietos enquanto dormia, e ela vestia uma camiseta minha, grande demais, que caía por um dos ombros. — Bom dia — eu disse, a voz mantendo uma suavidade que exigiu um esforço
Última actualización : 2026-08-20 Leer más