Bia Lacerda A luz da manhã entrava pelas frestas da persiana, desenhando linhas douradas sobre o lençol desarrumado, mas eu não tinha pressa nenhuma de sair daquela cama. O silêncio no quarto era confortável, uma trégua necessária após a intensidade da noite anterior. Eu estava ali, com a cabeça apoiada no peito de Gregório, observando o movimento rítmico da sua respiração, ainda sentindo a pele vibrar com as memórias de cada toque, de cada beijo, de cada promessa silenciosa que trocamos. Meus dedos traçavam círculos invisíveis e desenhos aleatórios sobre a pele clara do peito dele. Eu sentia a batida do seu coração, forte e constante, sob a palma da minha mão. Era um lembrete físico de que ele era real. Que nós éramos reais. Durante anos, eu me condicionei a viver em um estado de dormência emocional. Eu achava que o amor era um conceito arcaico, um privilégio destinado a pessoas que tinham a sorte de não carregar o peso que eu carregava. Eu me convenci de que o meu destino era se
Última actualización : 2026-08-20 Leer más