Isabella Marcel O ar da noite litorânea entrava leve pela janela aberta do restaurante à beira-mar, trazendo consigo o som rítmico e constante das ondas quebrando na areia escura. Estávamos jantando na última noite antes de voltar para a realidade, para o trânsito caótico de São Paulo, para os relatórios laboratoriais pendentes, para as reuniões de diretoria e para toda a engrenagem pesada do nosso cotidiano que, em breve, voltaria a nos engolir.Olhei para a mesa de madeira rústica iluminada pela luz trêmula de uma vela em um castiçal de vidro, depois desviei o olhar para Julian, que cortava um pedaço do peixe com aquela calma desconcertante, vestindo uma camisa social de linho branco cujas mangas estavam dobradas até os cotovelos. Ele ergueu os olhos, percebeu que eu o encarava e abriu aquele sorriso de canto, carregado de um magnetismo silencioso que fazia o meu estômago dar voltas.Eu tinha uma péssima mania de me jogar nas situações, de me entregar de corpo e alma. Era uma carac
Última actualización : 2026-10-08 Leer más