— Não precisa, avó. Agradeço pela intenção. — Recusou Iolanda de forma categórica, despedindo-se de Luiza logo em seguida. Ela se levantou e marchou em direção à saída, recusando-se a direcionar um único olhar para Ângelo durante todo o trajeto.Já do lado de fora, no frescor noturno, ela pegou o celular para pedir um carro de aplicativo. No entanto, sua visão periférica captou um movimento sorrateiro. Ao virar o rosto, deparou-se com a presença intimidadora de Ângelo logo atrás dela. Ele trazia um cigarro entre os dedos longos, ainda sem levá-lo à boca, enquanto a fumaça subia em espirais densas que pareciam esculpir e acentuar os traços já implacáveis do seu rosto.Com o semblante vazio de qualquer emoção, a mulher desviou o olhar e voltou a atenção para a tela iluminada, na tentativa de confirmar a corrida. Contrariando suas expectativas de ser deixada em paz, a figura imponente do marido avançou em sua direção. — Entra no carro. — Ordenou ele, com a voz carregada de autoridade.
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