POV RIANE O rio batia contra o barranco abaixo do templo, num ritmo constante que parecia acompanhar minha respiração. A penumbra do salão circular de itaúba era atravessada pelas últimas faixas de luz da tarde, iluminando as túnicas penduradas nos esteios de madeira de lei. A fumaça do breu-branco queimado permanecia suspensa no ar, misturada ao cheiro das folhas secas de cipó-alho. Mesmo ali, longe do mandiocal, meu corpo ainda não tinha esquecido a luta. Tembé estava curvado sobre a mesa de pedra polida no centro do templo. As mãos enrugadas do Gama seguravam uma haste fina de osso, que ele passava com extrema delicadeza sobre a folha de pele de veado que eu tinha rabiscado no galpão de ferramentas. O velho examinava os contornos com paciência, a luz das lamparinas refletindo nos seus olhos calmos, a barba branca limpa aparada rente ao queixo. Caruã e eu estávamos parados do outro lado do pedestal. A mão do Alfa repousava na minha cintura, os dedos dele quentes contra o meu mole
Última atualização : 2026-08-09 Ler mais