POV CARUÃ O sol morria atrás da serra, tingindo a poeira do pátio de vermelho. O cheiro de resina de jatobá e de sangue seco impregnava o ar. A alcateia inteira cercava a clareira central. Centenas de olhos estavam voltados para mim, e o murmúrio contido de guerreiros e anciãos martelava dentro da minha cabeça. Descalço, o peito nu, fechei e abri os punhos. O braço esquerdo latejava. Sob a pele, as linhas cinzentas do símbolo pulsavam num ritmo quente, espalhando um calor doentio pelo meu ombro a cada batimento. O lobo arranhava minhas entranhas, faminto por espaço. Segurei a fera na marra. No limite da arena, perto do esteio do Conselho, vi Riane. Moletom escuro, a mão direita cravada no peito, sobre o pingente. Os olhos dela encontraram os meus através da poeira. O maxilar travado, os nós dos dedos brancos de tanto apertar o tecido. Ela não podia dar um passo à frente — ninguém intervinha no terreiro sagrado sem sentenciar a própria morte.Do outro lado do círculo, Matias ajustav
Última atualização : 2026-08-05 Ler mais