Alguns anos se passaram.Zale permanecia no santuário do Palácio do Deus do Mar, fitando a estátua de Kressa. Ele a esculpiu após a sua morte, utilizando a mais rara pedra da lua para moldar suas feições. Na escultura, Kressa sorria com gentileza, exatamente da forma como costumava olhá-lo.— Kressa... — Zale estendeu a mão. Queria tocar a bochecha dela, mas seus dedos tremeram no ar e recuaram.A dor de tê-la perdido o esmagava como a pressão das profundezas do oceano; ele mal conseguia respirar. Dia após dia, noite após noite, a morte dela o torturava.— Pai. — Uma voz gélida ecoou às suas costas.Zale virou-se. Deparou-se com Philon, agora com dezesseis anos. A criança outrora alegre guardava apenas ódio e repulsa no olhar.— O que faz aqui? Ainda interpretando o papel de marido enlutado pela esposa que você mesmo assassinou? — A voz de Philon cortava como lâminas gélidas.— Philon... — Zale engasgou. — Eu sei que você me odeia, mas...— Odeio você? Sim, odeio você, e odei
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