A mão encontra o revólver, o peso familiar na minha cintura. Aceso o cigarro, tragando fundo, buscando um mínimo de controle. Saio da sala, trancando a porta atrás de mim.Desço as escadas do batalhão, o olhar varrendo cada canto. Tudo tranquilo, a calmaria antes da tempestade. Atravesso o pátio, ignorando os olhares curiosos, e saio pela porta. No estacionamento, a moto me espera, fiel e silenciosa. Coloco o capacete, o mundo se fechando ao meu redor, me isolando do caos. Ligo o motor, o ronco grave vibrando em minhas entranhas, despertando a adrenalina. Dou a partida, cantando pneu, rasgando o asfalto com a fúria contida. O Rio de Janeiro me engole, um mar de carros, buzinas e estresse.O trânsito caótico é um espelho da minha mente. Avanço no corredor, desviando dos carros, ultrapassando sem piedade. Acelero, cortando caminhos, sentindo o vento chicotear meu rosto. A cada manobra arriscada, a cada fechada, a raiva explode. Buzinas tocam, xingamentos ecoam, mas nada me atinge. A adr
Última actualización : 2026-10-14 Leer más