Dois dias depois do incêndio, o amanhecer chegou à Luzes da Aurora trazendo um silêncio que Íris ainda não reconhecia. Não era a quietude tranquila das manhãs em que acordava antes dos peões e escutava, da varanda, o mugido distante do gado misturado ao canto dos pássaros. Havia sons, mas todos pareciam diferentes. Martelos batiam onde antes cavalos relinchavam, uma motosserra trabalhava na retirada de madeira comprometida, caminhões descarregavam mourões novos e, de tempos em tempos, o ronco pesado de um trator atravessava o campo queimado. O cheiro de fumaça continuava preso à terra e às paredes, embora Dona Cida tivesse aberto todas as janelas da sede desde a madrugada. Íris permaneceu alguns minutos parada diante dos degraus da varanda, segurando a caneca de café entre as mãos, enquanto observava a faixa negra que começava além dos currais. O incêndio deixara cicatrizes profundas. Parte do haras precisaria ser reconstruída, quilômetros de cercas haviam sido comprometidos, p
Última actualización : 2026-09-10 Leer más