(POV Jullie) Duas semanas de repouso absoluto transformaram o ritmo da cobertura. O silêncio, antes pesado pelo medo de emboscadas, aos poucos ganhou os ruídos comuns de uma casa viva: o tilintar de xícaras de porcelana na cozinha, a brisa salgada enfunando as cortinas de linho cru e os passos firmes de Daniel circulando pelos cômodos sem a urgência letal de quem precisava apagar incêndios jurídicos. Naquela manhã de sábado, o enjoo me dera uma trégua generosa. Eu estava sentada em uma das poltronas confortáveis da varanda, descalça, vestindo um vestido de malha canelada cinza que começava a desenhar, ainda muito sutilmente, o arredondamento na base do meu abdômen. Nas mãos, eu segurava uma xícara de chá de camomila morno, observando a linha azul-turquesa do mar de Ipanema onde surfistas e caminhantes aproveitavam a manhã limpa. A porta de vidro correu suavemente sobre os trilhos. Virei o rosto e encontrei Daniel trazendo uma bandeja de madeira escura com torradas integrais, fa
Última atualização : 2026-09-20 Ler mais