(POV Daniel) O sedã blindado avançou em velocidade constante pela Autoestrada Lagoa-Barra, mas dentro do carro a atmosfera se tornara rarefeita, pesada como chumbo derretido. Jullie estava encolhida no canto do banco traseiro, as duas mãos apertadas contra o ventre sob a seda fina da camisa. Os nós dos dedos dela estavam brancos, quase sem circulação. Ela não chorava em prantos abertos; eram lágrimas silenciosas, densas, que escorriam sem parar pelas bochechas pálidas enquanto seus olhos fitavam o vazio do painel de couro à frente. Ela tremia. Não era a náusea física ou a queda de pressão. Era o pavor visceral, a memória celular do horror que ela tentara trancar a sete chaves no fundo da alma. Aproximei-me devagar, sentando-me rente a ela, e passei o braço direito por trás dos seus ombros, tentando puxá-la para o meu peito. Mas, pela primeira vez desde que colocamos as alianças no dedo, o corpo de Jullie pareceu enrijecer sob o meu toque. Não por rejeição a mim, mas pela paralisia
Última atualização : 2026-09-13 Ler mais