A noite ainda cobria o vale dos Lobos Vermelhos quando Rubélia acendeu a última lamparina do santuário. Atrás das montanhas, uma faixa pálida anunciava a alvorada, mas ali dentro o tempo parecia preso entre a memória e o presságio.No centro da câmara erguia-se a pedra ancestral, escura e alta, coberta pelos nomes dos antigos reis, das curadoras e das famílias que haviam desaparecido sem jamais deixar de ser lembradas. Diante dela, Rubélia dispunha as cinzas ancestrais em recipientes de pedra, um por um, com a solenidade de quem recolhe ossos sagrados.As brasas antigas foram reacendidas com carvão guardado desde o último inverno. A chama branca surgiu primeiro, silenciosa; depois, a rubra se levantou como um coração despertando. Entre as duas, ainda pairava a ponte que havia unido Ruby e Kaelen no fim da noite anterior. Na pedra, o símbolo de duas linhagens entrelaçadas permanecia visível, mas incompleto.Kaelen chegara sem armas. Deixara os símbolos reais do lado de fora e entrara n
Última actualización : 2026-09-08 Leer más