A constatação voltou sem qualquer piedade, instalando-se no meu peito com o peso de uma certeza. Fechei os olhos e, dessa vez, não tentei negar. Sim. Eu queria Noemi. Não apenas fisicamente, embora meu corpo já tivesse deixado isso bastante claro naquela madrugada. Eu queria a presença dela. Queria ouvir a voz dela pela manhã, vê-la na cozinha com Teresa, encontrá-la no jardim com Beatrice. Queria saber o que ela estava fazendo, o que estava pensando, de que jeito ela iria me provocar no próximo encontro. Queria que ela risse comigo — não por mim, não para mim, mas comigo.E aquilo era muito pior do que desejo. Porque desejo podia ser administrado, controlado, sufocado. Eu sabia controlar meu corpo, sabia ignorar necessidades físicas como quem desvia de obstáculos. Mas aquilo — aquela vontade de estar perto, de compartilhar, de dividir — parecia outra coisa. Algo que eu não sabia nomear e que me assustava profundamente.Minha mente voltou à noite anterior, implacável. A sensação dos
Última atualização : 2026-08-18 Ler mais