ElaraSenti Lucan antes de vê-lo. O sonho mudou de temperatura, e a pedra azul, que durante onze anos fora fria como a boca de uma sepultura, aqueceu em volta das minhas correntes. Não muito. Não o bastante para libertar. Apenas o suficiente para ferir mais fundo, porque calor, quando uma mulher passa tempo demais congelada, não consola. Lembra. Lembra pele, mãos, uma boca roçando atrás da orelha no escuro, um rosnado baixo contra a nuca, o peso de um corpo amado cobrindo o meu como promessa e ameaça. Lembra o cheiro de um macho que era casa antes de virar ausência.Abri os olhos. A câmara onírica respirava ao meu redor. No sonho, as correntes pareciam mais bonitas do que eram no mundo físico, fios de prata azulada descendo das paredes, envolvendo meus pulsos, minha garganta, meus tornozelos como joias cruéis. A mina sempre embelezava a prisão. Homens também. No centro do nevoeiro, Lucan Thorne apareceu. Não como rei. Não como Alfa. Como homem que atravessara onze anos de culpa e aind
Última atualização : 2026-09-23 Ler mais