Mag-log inSeleneNo silêncio, eu ouvia o coração de Darius pelo vínculo. Batia rápido. Forte. Descontrolado. Por mim. A mão dele em minha cintura tremia, não de fraqueza, mas de contenção. Darius queria. Cada parte dele queria. O cheiro do desejo dele misturou-se ao frio mineral e transformou o corredor em uma prisão de sentidos. Senti meu próprio corpo responder, um calor baixo, involuntário, humilhante de tão vivo. A palma ferida pulsou. A marca lunar brilhou. Minha respiração falhou. Darius inclinou a cabeça, mas não tocou minha pele com a boca. A distância entre seus lábios e a curva do meu pescoço era uma tortura medida em misericórdias.A mina estava tentando usar aquilo, ele disse, a voz quase sem som. E ele? Ele estava tentando sobreviver àquilo. Fechei os olhos. Sobreviver a me tocar? A te tocar sem esquecer que não sou dono do alívio que sinto. Aquilo me golpeou. Porque havia alívio nele também. Não só desejo. Não só fome. Segurar-me, mesmo assim, mesmo por permissão mínima, completa
SeleneA mina começou a cantar mais baixo, e o corpo de Darius veio atrás de mim como muralha quente contra o frio azul. Ele não me puxou contra si. Não me envolveu demais. Apenas me sustentou, deixando que meus pés permanecessem nos degraus, deixando que a escolha continuasse minha. Mesmo assim, o contato explodiu. Senti a mão dele em minha cintura como se estivesse direto sobre a pele, embora houvesse tecido entre nós. Grande. Quente. Firme. O polegar não se moveu, mas a pressão bastou para que meu corpo lembrasse de tudo que não deveria: a boca dele em minha mão, a respiração quando me viu escolher prazer diante dele, a forma como meu nome ficava preso na garganta daquele homem.A mina percebeu. Claro que percebeu. As paredes brilharam, e o canto mudou de tom, mais íntimo, quase provocador. Darius prendeu o ar. Disse que ela estava usando o vínculo. A mina ou ele? A mina. Resposta segura. A boca dele ficou perto demais da minha nuca quando falou que, se fosse ele usando o vínculo,
SeleneA escada descia como uma garganta que aprendera a engolir mulheres em silêncio. Fui a primeira a pisar no azul, e o degrau sob minha bota sangrou luz. Não rachou, não cedeu, não gemeu. Apenas reconheceu meu peso com uma pulsação fria que subiu pela sola, atravessou minha perna e mordeu a palma recém-cortada. A bandagem feita por Darius já estava úmida. Cada gota que escapava parecia encontrar caminho próprio pelos meus dedos, como se a mina chamasse meu sangue pelo nome e eu tivesse passado a vida inteira sendo conduzida até aquela boca escondida sob a fortaleza.Atrás de mim, o grupo se movia em ordem tensa. Darius logo depois. Não à frente. Não tão perto que seu calor virasse interferência. Perto o bastante para que eu sentisse o lobo dele roçando a borda do vínculo, furioso, atento, acorrentado por uma palavra que eu não pronunciara, mas que ele respeitava mesmo assim. Espere. A palavra parecia ter se instalado nos ossos dele. Odiei isso. E senti meu corpo responder. Maldito
SeleneA fortaleza inteira tremeu. Morvan perdeu o sorriso. Mandou que eu parasse. Sorri sem olhar para ele. Agora queria interromper um rito necessário? Minha palma queimou. A dor virou luz prateada. A terceira inscrição começou a surgir, mas as letras se embaralharam, como se a porta hesitasse diante de uma categoria que não cabia em suas leis antigas. Sangue de Dominante. Voz de linhagem. Faltava algo. Verdade. Nome. Herança. A pedra falou, não com a voz da mulher desconhecida, mas com muitas. Herdeira da Voz… As letras falharam. Senti a mina tentar escolher a palavra seguinte. Livre. Inteira. Perdida.A pedra escolheu outra.QUEBRADA.A inscrição brilhou completa.HERDEIRA DA VOZ QUEBRADA.A dor cessou.A porta soltou minha mão.Cambaleei.Darius se moveu na mesma fração. Parou a um sopro. As mãos estavam erguidas, tremendo de esforço. Perguntou se podia. A pergunta me atingiu com mais força que a vertigem. Olhei para minha palma ensanguentada, para a porta aberta em azul, para a
SeleneO medo de Mirella parecia finalmente mais forte que sua máscara. A mão dela permanecia pousada sobre o corpete, exatamente onde escondia o pergaminho de sacrifício. Kaian não tinha percebido o gesto repetido? Ou fingia não perceber porque preferia acreditar que todas as mulheres feridas continuariam úteis até a última gota? Mirella encontrou meu olhar. Por um segundo, não havia veneno entre nós. Apenas vergonha. E um medo feio, orgulhoso demais para pedir ajuda. Voltei-me para a porta antes que aquela fragilidade me fizesse sentir algo inconveniente por ela. Ordenei que abrisse.A Voz saiu diferente.Não explodiu.Desceu.Entrou na pedra como raiz.A porta inteira estremeceu. Um som profundo atravessou a fortaleza, descendo dos salões superiores até as fundações. Em algum lugar distante, lobos uivaram. A água morta nos sulcos do chão correu em direção à entrada, misturando-se ao meu sangue. As letras na pedra brilharam mais, se desfizeram, voltaram a formar palavras. A primeir
SeleneMeu sangue tocou a pedra antes que qualquer homem tivesse tempo de chamar aquilo de sacrifício. A primeira gota caiu da palma cortada e brilhou no ar como uma pequena lua ferida. Não era vermelha por completo. Havia prata nela, uma cintilação fina, quase líquida, que fez todos os lobos presentes prenderem a respiração. A porta antiga sob a fortaleza bebeu aquela gota com um som baixo, íntimo, obsceno demais para uma coisa feita de pedra. Como boca. Como fome. Como reconhecimento. Darius deu um passo. Senti antes de ver. O vínculo esticou entre nós, brutal e quente, cheio de pânico contido.O lobo dele avançou por baixo da pele, não para dominar-me, mas para arrancar-me daquele altar disfarçado de entrada. Percebi o esforço dele em parar. Percebi a mão fechando ao lado do corpo. Percebi os dentes cerrados, a respiração cortada, o instinto inteiro esmagado contra uma escolha aprendida tarde demais. Não toque. Não impeça. Não roube. A dor dele atravessou o ar e tocou minha nuca c







