Ele permanecia diante dos portões do castelo, coberto de neve da cabeça aos pés, semelhante a uma estátua de pedra desgastada por mil anos de vento e geada. A princípio, não o reconheci. Estava tão magro... As clavículas sobressaíam-se sob a gola aberta do manto, as maçãs do rosto estavam salientes e os olhos pareciam afundados, como se algo lhe houvesse sido arrancado de dentro. Apenas os olhos ainda eram de Lucien — mas não eram mais os olhos do Lucien que eu conhecia. Antes, havia nele um olhar confiante, firme, por vezes com um brilho de divertimento e superioridade, como se nada neste mundo estivesse fora de seu alcance. Agora, porém, olhava-me como quem se afoga e se agarra a um galho à deriva, como quem é enterrado vivo e escava a neve em desespero, buscando a superfície. — Sylvia... — Chamou-me, com voz rouca e áspera como pedra contra pedra. — Vim levá-la para casa. Parei a três passos de distância. A neve caía densa entre nós, formando um véu tênue e translúcido
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