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Capítulo 7

Autor: Aetheria
(Ponto de Vista de Sylvia)

A neve nas Terras Gélidas era ainda mais densa do que eu imaginava.

Enrolada em um grosso manto de peles, me encolhi no canto da carruagem, os dentes batendo sem parar. Minha escolta havia retornado à três dias atrás; do resto do caminho, precisei dar conta sozinha.

Quanto mais ao norte avançávamos, mais forte se tornava o cheiro de sangue no ar.

Há muito eu ouvira falar da ferocidade da Alcateia dos Lobos de Neve, mas vê-los com os próprios olhos confirmou que
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Último capítulo

  • Fui embora da Alcateia: Arrependimento e Destino   Capítulo 9

    Ele permanecia diante dos portões do castelo, coberto de neve da cabeça aos pés, semelhante a uma estátua de pedra desgastada por mil anos de vento e geada. A princípio, não o reconheci. Estava tão magro... As clavículas sobressaíam-se sob a gola aberta do manto, as maçãs do rosto estavam salientes e os olhos pareciam afundados, como se algo lhe houvesse sido arrancado de dentro. Apenas os olhos ainda eram de Lucien — mas não eram mais os olhos do Lucien que eu conhecia. Antes, havia nele um olhar confiante, firme, por vezes com um brilho de divertimento e superioridade, como se nada neste mundo estivesse fora de seu alcance. Agora, porém, olhava-me como quem se afoga e se agarra a um galho à deriva, como quem é enterrado vivo e escava a neve em desespero, buscando a superfície. — Sylvia... — Chamou-me, com voz rouca e áspera como pedra contra pedra. — Vim levá-la para casa. Parei a três passos de distância. A neve caía densa entre nós, formando um véu tênue e translúcido

  • Fui embora da Alcateia: Arrependimento e Destino   Capítulo 8

    Quase engasguei com a sopa. Ele me olhou com calma, sem o menor traço de zombaria no olhar. Falara aquilo com a mesma naturalidade com que se comenta o quanto está nevando. Sem saber como responder, apenas abaixei o rosto e continuei a refeição, sentindo as orelhas queimarem de vergonha. Na manhã seguinte, um buquê de flores foi deixado à minha porta. Flores tão belas e vivas não poderiam ter nascido nas Terras Gélidas; certamente foram trazidas por ele, especialmente para mim. Com o passar dos dias, percebi que Alexander não era nada daquilo que os rumores diziam. Nunca limitava meus passos, nem me restringia em coisa alguma — e sequer mencionava o laço de união entre nós. Vivi dez dias inteiros em seu castelo. Fora os afazeres da alcateia, ele passava o tempo treinando com a espada na neve, ou então ficava sozinho em algum penhasco, observando a lua. Certo dia, sem mais conseguir conter a curiosidade, perguntei-lhe: — Não tem medo de que eu fuja? Virou-se para mim

  • Fui embora da Alcateia: Arrependimento e Destino   Capítulo 7

    (Ponto de Vista de Sylvia) A neve nas Terras Gélidas era ainda mais densa do que eu imaginava. Enrolada em um grosso manto de peles, me encolhi no canto da carruagem, os dentes batendo sem parar. Minha escolta havia retornado à três dias atrás; do resto do caminho, precisei dar conta sozinha. Quanto mais ao norte avançávamos, mais forte se tornava o cheiro de sangue no ar. Há muito eu ouvira falar da ferocidade da Alcateia dos Lobos de Neve, mas vê-los com os próprios olhos confirmou que os rumores eram inteiramente verdadeiros. Três lobos imensos, de pelagem prateada, desceram de uma encosta nevada e cercaram a carruagem por completo. Eram maiores que qualquer lobo que eu já houvesse visto; mostravam as presas e soltavam rosnados baixos e ameaçadores. Lembrei-me então da maldição de Selina: “Dizem que o Alfa da Alcateia dos Lobos de Neve é um mestre em fazer sofrer…” O coração batia-me descompassado no peito. Mas eu sabia que não poderia recuar. Afastei a cortina e d

  • Fui embora da Alcateia: Arrependimento e Destino   Capítulo 6

    Atravessei o corredor com passos desajeitados e incertos, até parar diante da sala do conselho do Alfa. A porta estava aberta. Ele me dava as costas. Ao ouvir meus passos, não se virou. — O que faz aqui? Agora que ela se foi, finalmente percebe o que tinha? Apertei os punhos até os nós dos dedos embranquecer. — Parto para as Terras Gélidas do Norte. Vou trazê-la de volta. O Alfa virou-se. Em seu rosto, uma mistura de profunda decepção e fúria. — Tarde demais. Ela já se uniu ao Alfa da Alcateia dos Lobos de Neve. Sua voz não soava alta, mas atingiu-me com força maior que qualquer bramido. — Aquela alcateia é conhecida por ser extremamente possessiva. Se for, talvez nem sequer encontre os restos dela. Fiquei imóvel, sem saber o que dizer. O Alfa aproximou-se e pousou a mão pesada sobre meu ombro, com força quase suficiente para me fazer ajoelhar. — Por dez anos você a decepcionou, Lucien. O que tem a oferecer para trazê-la de volta? — Minha vida. — Ergui o rosto e

  • Fui embora da Alcateia: Arrependimento e Destino   Capítulo 5

    (Ponto de Vista de Lucien) Como poderia ser ela? Naquele instante, senti o coração dar um salto desordenado no peito. Ainda podia sentir na palma da mão o toque de quando erguera o véu. A noiva diante de mim havia se deixado cair ao chão e erguia o rosto, belo e ingênuo. Era Selina. — Lucien... vim no lugar de minha irmã, por vontade própria. Ela disse que o odeia... e que nunca mais deseja vê-lo. O que havia dito? O lobo que havia em mim se agitou com força, golpeando-me o peito; a dor era tão intensa que mal conseguia manter-me de pé. — Onde está ela? — Fixei o olhar em Selina, e minha voz tremeu sem que eu pudesse controlar. Os lábios de Selina se contraíram. Por um instante, seus olhos desviaram o olhar, antes de ela responder em um sussurro: — Ela... partiu bem cedo, ao amanhecer. Rumo às Terras Gélidas. Disse que finalmente havia despertado para a realidade e que não queria mais ver-me sofrer. — Despertado para a realidade? — A dúvida começou a consumir-me.

  • Fui embora da Alcateia: Arrependimento e Destino   Capítulo 4

    Antes que eu pudesse terminar a frase, tudo se escureceu e perdi os sentidos por completo. Quando voltei a acordar, já era dia seguinte. A criada que cuidava de mim contou-me que Lucien havia permanecido todo esse tempo à porta, em vigília. Mas eu não desejava vê-lo. Pedi à criada que lhe transmitisse um recado: que fosse embora. Passei um longo tempo em meu quarto, reunindo cada presente que ele havia me dado desde a infância. Éramos prometidos um ao outro desde muito pequenos. Unidos pelo destino — as pessoas mais importantes na vida um do outro. Todos os anos, ele escolhia com todo carinho meus presentes de aniversário e me levava a brincar na floresta. Até que um dia, Selina passou a acompanhar-nos. Com o tempo, os presentes que ele trazia deixaram de ser do meu agrado. Selina escolhia primeiro, e o que sobrava era para mim. Às vezes, não sobrava nada. De colares e anéis, os presentes foram se tornando cordas de grama e pedras... Mesmo assim, eu guardava cada um

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