VIOLAFechei os olhos com força, os dentes batendo de pavor. Antes que a imagem daquele estrago me engolisse, as mãos grandes de William cobriram o meu rosto, puxando meu queixo para cima num tranco firme e urgente.O peito largo dele bloqueou toda a carnificina. Os guardas arrastavam Virgílio porta afora pelo colarinho, os gritos de dor ecoando pelo corredor até sumirem no subsolo.— Viola. — A voz de William desceu áspera, possessiva, exigindo rendição. — Foca aqui, olha pra mim. Só pros meus olhos.Abri as pálpebras devagar. O preto profundo das pupilas dele queimava a centímetros das minhas, mas não havia a frieza do executor; havia uma urgência febril de me ancorar à realidade.— Sobe pro nosso quarto — ditou, o polegar limpando o suor frio da minha bochecha. — Me dá vinte minutos. Eu vou subir e nós vamos passar a limpo cada linha dessa história.— Eu levo ela — Bertoldo se aproximou, quebrando o cerco. — Não pretendo voltar para o hotel hoje. Se você permitir, Vio, fico aqui na
Última actualización : 2026-09-04 Leer más