POV Camille O domingo amanheceu sob um cinzento pesado, daqueles em que o mar e o céu se fundem na mesma linha opaca. A geada cobrira a grama ao redor da casa com uma camada quebradiça de cristais, estalando sob a sola das minhas galochas a cada passo que eu dava até a borda da encosta. Eu não conseguira pregar os olhos após a conversa com Thomas. O corpo pesava de exaustão, mas a mente continuava em alerta, remoendo cada palavra dita na cozinha e o baque seco do telefone na noite anterior. Leo estava sentado no banco de pedra da varanda, enrolado em seu casaco amarelo com capuz de lã. Ele segurava a luneta de latão que Thomas lhe emprestara, apontando a lente com insistência para o horizonte aberto do canal, onde apenas duas traineiras cortavam a água calma. — Ainda não tem nenhum navio grande, mamãe — o menino avisou, baixando a luneta por um instante e me encarando com a seriedade de quem levava a vigília a sério demais. — Mas o vento tá soprando do leste. O tio Thomas disse q
Zuletzt aktualisiert : 2026-10-11 Mehr lesen