No entanto, Ophelia não se mexeu. E justamente aquela calma dela, aquela expressão de quem não se abalava com nada, fez Sarah lembrar da humilhação que tinha passado à tarde. A raiva subiu de vez. Ela pegou, sem pensar, uma garrafa inteira de vinho tinto ao lado e foi na direção de Ophelia.— Você vai tirar a roupa ou não vai?A voz de Ophelia continuou firme, cada palavra perfeitamente articulada:— Sarah, hoje você realmente me mostrou o peso do poder e da posição social que você tem. O que você fala vira verdade, o que você quer vira regra. Quem está em desvantagem não tem nem o direito básico à dignidade, muito menos o mínimo de respeito.Enquanto falava, ela deixou o olhar negro e gelado passear por cada rosto ali. No dia a dia, todos eram homens e mulheres impecáveis, sempre com discursos bonitos na ponta da língua. Mas, na hora em que importava, todos viravam uma plateia fria, só assistindo ao espetáculo.Alguém, incomodado, tentou disfarçar:— Se você não deve nada, está com me
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