Olho para o outro lado, o homem me olha de volta, com uma urgência nova nos olhos — como se, ali no meio da pergunta do Nikolai, algo tivesse se deslocado por dentro dele. O psiquiatra tinha razão. — Lucian? — pergunto, num fio de voz, quase sem querer confirmar. E ele assente devagar, as lágrimas escorrendo por um rosto que encolhe, que recua dentro de si mesmo, que volta a ter o tamanho exato do menino que ele sempre foi por dentro. As mãos tremem tanto que as algemas tilintam contra a mesa, um som pequeno e constante, quase musical na sala silenciosa.— M-me p-perdoa — ele sussurra, a voz se desfazendo em pedaços. — E-eu... e-eu nunca q-quis... e-eu só queria o que sempre deveria ter sido m-meu. E-eu não... não q-queria te machucar, Yari, e-eu juro, juro que e-eu… P-por favor, e-eu...— Cala a boca. — Dou um pulo na cadeira, assustando-me com a mudança da voz, cortando o ar como uma lâmina. Liso, perfeito, sem um tropeço. Não é a mesma voz de segundos atrás, nem é o Lucian frágil
Huling Na-update : 2026-10-02 Magbasa pa