Dessa vez, Helena não discutiu. Apontou para o armário à esquerda do móvel da televisão.Enquanto Caio passava a pomada, ela observou seu rosto de perto. Parecia que, toda vez que os dois se encontravam, ela estava num estado deplorável.Talvez fosse justamente por ele já ter presenciado seus piores momentos que ela não se preocupava tanto com a própria imagem na frente dele. Não tinha receios e, sem perceber, deixava aparecer seu lado mais verdadeiro e desagradável.Caio recolocou a tampa da pomada. Antes que afastasse a mão, ela segurou seu pulso.Os dedos dela deslizaram pela pele dele, repetindo a carícia que ele fizera na festa. Nenhum adulto teria dificuldade para entender aquele convite.— Ainda está de pé o que você prometeu no clube?Agachado diante do sofá, Caio ergueu a cabeça.Assim, parecia menos perigoso, quase um cão de caça que de repente ficara dócil. Dava vontade de baixar a guarda. E o desejo nos olhos dele ficava ainda mais evidente.Helena baixou os olhos, apo
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