Seu Melhor Amigo Me Quis Primeiro

Seu Melhor Amigo Me Quis Primeiro

By:  MadalenaUpdated just now
Language: Portuguese
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Durante cinco anos em um casamento de fachada, Helena Sampaio suportou frieza e manipulações. Depois que sua filha, Lara Lima, morreu, ela não hesitou em abandonar tudo e ir embora. Mas André Lima ainda teve a audácia de ameaçar ela: — Seja boazinha e continue sendo minha amante. Lara morreu, mas a gente pode ter outro filho. Determinada a se vingar, Helena tomou a iniciativa de seduzir o melhor amigo dele. O que começou como um jogo de interesses logo se tornou muito mais complicado. Ela tinha seus próprios objetivos. Ele, por outro lado, esperava por aquela oportunidade havia muito tempo. A partir dali, Helena passou a avaliar antiguidades e identificar peças raras, enfrentando o ex-marido canalha e a mulher dissimulada ao lado dele. Aos poucos, deixou para trás todo o desprezo que havia sofrido e chegou ao topo do setor. Mais tarde, diante de inúmeros espectadores em um famoso programa de avaliação de antiguidades, André, arrependido, implorou: — Helena, é só você voltar para mim. Eu dou meu amor para você. Dou até a minha vida. Helena apenas sorriu, indiferente. — Você só sabe me oferecer coisa que dá azar. ...... Caio Oliveira, o homem que todos temiam, sabia perfeitamente que Helena estava usando ele. Mesmo assim, aceitou de bom grado e passou a mimar ela como ninguém. Na frente dos outros, fingia manter distância de Helena. Quando estavam sozinhos, porém, segurava ela pela cintura noite após noite e chamava ela pelos apelidos mais melosos. — Amor, os outros homens exigem demais. Eu sou diferente. Só quero um lugar oficial ao seu lado.

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Chapter 1

Capítulo 1

Pagamento recebido: vinte mil dólares.

A notificação do celular rompeu o silêncio do quarto de hotel mergulhado na penumbra.

Do lado de fora da janela, os últimos vestígios do pôr do sol desapareciam no horizonte.

Com os dedos trêmulos, Helena foi fechando os botões da roupa, um a um.

Ao ouvir a confirmação do pagamento, as lágrimas pingaram no chão.

Tirar a roupa tinha sido fácil. Difícil era vestir tudo de novo.

O orgulho, ela já tinha deixado para trás uma hora antes, quando decidiu procurar Caio.

A voz grave e rouca dele veio de suas costas, carregada de uma compaixão que ela não queria ouvir:

— Compre um jazigo melhor para Lara.

Helena mordeu a ponta da língua. O gosto de sangue se espalhou pela boca.

— Obrigada.

Não importava o que existisse entre eles.

Naquele momento, ela era grata a Caio.

Ainda deitado na cama, ele acendeu um cigarro.

O cabelo raspado rente e a falha na sobrancelha esquerda deixavam sua aparência ainda mais intimidadora.

Caio observou Helena esconder sob a roupa o corpo coberto de marcas.

Então estreitou os olhos e perguntou, em tom provocador:

— Não tem medo de ele descobrir o que aconteceu entre a gente?

O corpo dela ficou rígido por um instante.

— Tanto faz.

Helena sabia que ele estava falando de André.

Mas e daí se André descobrisse?

Ele não se importaria.

Estava ocupado demais tentando agradar a mulher que ele nunca conseguiu esquecer.

A vida ou a morte de Helena não significavam nada para ele.

Se André ainda tivesse um mínimo de consideração por tudo o que viveram juntos, com a posição e o dinheiro que tinha, bastaria ajudar ela uma única vez.

Helena jamais teria chegado ao ponto de ficar sem saída.

Além disso, ela e André já estavam divorciados havia três anos.

Só nunca tinham tornado isso público.

Diante do espelho, Helena terminou de se vestir e ajeitou o cabelo bagunçado.

Precisava estar minimamente apresentável para se despedir de Lara pela última vez.

Ela se virou para pegar o celular, mas Caio segurou seu pulso.

Ele soltou a fumaça devagar, mantendo os olhos fixos no rosto dela.

Contra a luz, era impossível saber o que estava pensando.

— Que tal ficar comigo daqui para frente?

Helena puxou o braço com força até conseguir se soltar.

Encarou ele com ironia, sem fazer questão de esconder a hostilidade.

— Você enlouqueceu ou eu enlouqueci? Para mim, você é tão nojento quanto ele.

Caio não se irritou com a rejeição.

Apenas se recostou, fingindo decepção.

— Que frieza. A gente se conhece há anos.

— Desculpa, mas eu mal conheço você.

Helena não deu mais atenção a ele e saiu do quarto.

Caio foi até a janela e acendeu outro cigarro.

Alguns minutos depois, recebeu uma ligação de André.

Atendeu e colocou no viva-voz.

— Caio, fiquei sabendo que você foi para um hotel com uma mulher. Quem é essa mulher tão irresistível que conseguiu mexer com você, que passou trinta anos sem namorar ninguém?

Ao fundo, alguém começou a provocar, rindo.

Disseram que, dessa vez, Caio parecia realmente interessado em uma mulher e mandaram André parar de atrapalhar a diversão dele.

Um sorriso apareceu no rosto de Caio.

— Quando eu conseguir conquistar ela, levo para vocês conhecerem.

André soltou uma risada.

— Existe alguém que você não consegue conquistar?

Caio também sorriu, mas o olhar continuou frio.

— Existe. A mulher de outro homem.

Do outro lado da linha, o silêncio durou um segundo.

Logo depois, várias exclamações de surpresa explodiram ao mesmo tempo.

Caio encerrou a ligação e apagou o cigarro no cinzeiro.

Assim que se levantou, algo no carpete chamou sua atenção.

Era uma pulseira quebrada.

A superfície já estava desbotada, e bastava olhar para perceber que era uma peça barata.

Mas, meia hora antes, aquela pulseira ainda estava no pulso de Helena.

Caio se abaixou e pegou a pulseira.

......

Depois de sair do hotel, Helena foi direto para o crematório.

Após a cremação de Lara, usou o dinheiro que restava para providenciar um jazigo à beira-mar.

De frente para o oceano, o lugar tinha uma vista ampla e aberta.

Helena desejava que, em uma próxima vida, Lara pudesse renascer como uma gaivota livre, capaz de voar para onde quisesse.

Que nunca mais precisasse sofrer com a doença nem ficar presa em um quarto apertado de hospital, esperando a morte chegar.

Lara finalmente estava livre.

E Helena também.

Ela permaneceu diante do túmulo até anoitecer e só então deixou o cemitério.

Depois, passou pelo hospital, recolheu e organizou os pertences que Lara havia deixado e voltou para a Mansão dos Lima.

Ninguém acreditaria se ela contasse que, apesar de morar em uma mansão, não tinha nem dois mil dólares para pagar o sepultamento da própria filha.

As luzes da casa estavam acesas.

Os empregados cuidavam de suas tarefas enquanto conversavam entre si.

Quando Helena entrou, ninguém sequer prestou atenção nela.

Já estava acostumada e não se importou. Seguiu direto para o andar de cima.

Atrás dela, começaram os comentários cheios de desprezo:

— Ela não tem vergonha mesmo. André já deixou claro que não quer mais saber dela, mas ela continua se agarrando a ele.

— Pelo menos ainda mora aqui na mansão. Claro que não vai querer abrir mão disso.

— Até dá pena. E Lara ainda era doente... Se eu estivesse no lugar dela, preferia morrer de uma vez.

Um vaso voou pelo ar e se espatifou com força junto aos pés de quem falava.

Os cacos se espalharam por todos os lados e cortaram as pernas de várias pessoas, deixando marcas de sangue na mesma hora.

Helena estava parada perto da escada.

Seu rosto estava tão pálido que fazia seus olhos parecerem ainda mais sombrios e assustadores.

Ela encarou aquelas pessoas e falou com a voz extremamente rouca:

— Falem da Lara mais uma vez e eu rasgo a boca de vocês.

Não falou alto. Seu tom era até calmo.

Mesmo assim, os empregados sentiram um arrepio percorrer a espinha e se dispersaram depressa.

— Ela acha mesmo que é a dona da casa. No fim das contas, não passa de uma qualquer que foi usada como substituta de Maria...

Quando mencionaram Maria Amorim, o tom dos empregados ficou visivelmente mais respeitoso.

Afinal, ela seria a futura dona da família Lima.

Aquelas palavras pareciam ter sido ditas de propósito para Helena ouvir, mas ela já não se importava.

Se Lara não tivesse leucemia e André não fosse o único doador compatível encontrado, Helena jamais teria suportado continuar ali, engolindo todas aquelas humilhações.

Ela não era idiota.

Seu corpo estava pegajoso de suor e dolorido por inteiro.

Sem demonstrar qualquer emoção, ela entrou no banheiro e tomou banho.

Havia marcas por toda a pele, deixadas pelos apertões e mordidas de Caio.

Quando a água escorreu pelo corpo, voltou à sua mente a sensação de ter ficado completamente sob o controle dele.

Helena não conseguiu suportar.

Correu até o vaso sanitário e vomitou.

Era repugnante demais.

Quando terminou, apertou a descarga com uma expressão fria.

Depois do banho, não tinha forças nem para secar o cabelo.

Apenas se enrolou no cobertor e se encolheu na cama.

Desde que Lara tinha dado entrada na emergência até o enterro, Helena já estava há três dias sem descansar de verdade.

Achou que não conseguiria dormir.

Mas, assim que fechou os olhos, caiu em um sono profundo.

Ela não fazia ideia de quanto tempo tinha dormido.

Ainda meio inconsciente, sentiu alguém tentando puxar o cobertor e, por instinto, segurou o tecido com mais força.

Ela se assustou de repente e despertou na mesma hora.

O quarto estava completamente iluminado, e André, bêbado, estava por cima dela.

Ao perceber que Helena tinha acordado, ele soltou um resmungo.

— Acordou? Como você consegue dormir tão pesado assim?

Talvez por estar há tanto tempo sem descansar, a mente de Helena ainda funcionava devagar.

Quando finalmente percebeu o que estava acontecendo, deu um tapa nele por reflexo.

— Sai daqui!

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