O barco era um pesqueiro de madeira azul, tão velho que parecia feito de remendos. Dois homens de pele curtida pelo sol o manobravam, e um deles, de barba branca e olhos miúdos, ergueu uma lanterna ao ver as fogueiras na praia.— Santo Deus! — gritou, num inglês de sotaque carregado, quase cantado. — Gente viva! Achamos que o avião tinha caído no mar!Foi assim que conheceram Seu Mateus.O vilarejo ficava do outro lado da ilha, escondido numa baía de águas verdes: umas trinta casas de pedra e telhado de palha, barcos puxados para a areia, redes secando ao sol. Não havia postes, nem antenas, nem estrada de asfalto. À noite, a luz vinha de lampiões a óleo. O único rádio, explicou Seu Mateus, quebrara em outubro, e o barco de suprimentos só passava a cada cinco semanas, quando o mar permitia.— Cinco semanas — repetiu Dominic, e Dakota viu o músculo do queixo dele saltar.— Pode ser seis, se o tempo ficar ruim — acrescentou o velho, sereno. — Mas aqui ninguém passa fome.Acomodaram
Last Updated : 2026-10-29 Read more