Maquiavel em 'O Príncipe' é frequentemente mal interpretado como um manual de crueldade, mas sua obra é mais sobre pragmatismo político do que sobre maldade pura. Ele argumenta que um governante eficaz precisa adaptar suas ações às circunstâncias, mesmo que isso signifique tomar decisões impopulares. O livro reflete a realidade caótica da Itália renascentista, onde a sobrevivência do Estado dependia de estratégias flexíveis.
Maquiavel não glorifica a imoralidade, mas reconhece que a moralidade tradicional pode ser insuficiente em contextos políticos complexos. Sua famosa frase 'os fins justificam os meios' é menos uma defesa da arbitrariedade e mais um reconhecimento de que líderes precisam balancear ideais com realidades práticas. A obra é um estudo sobre poder, não um convite à tirania.