Não consigo lembrar de outro momento onde a língua portuguesa tenha sido tão bem usada para expressar amor quanto em 'Soneto de Fidelidade' de Vinicius de Moraes. Cada linha parece uma declaração intensa, quase física, de devoção. 'De tudo ao meu amor serei atento / Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto' – esses versos ficaram gravados na minha memória desde a primeira leitura, como se fossem uma promessa universal.
Outro que me arrepia é 'Amor é fogo que arde sem se ver' de Camões. A maneira como ele descreve o amor como algo paradoxal, doloroso e sublime ao mesmo tempo, é de uma verdade cruel e linda. Acho fascinante como esses poemas do século XVI ainda conseguem descrever sentimentos que todos nós reconhecemos hoje.