Ela Casou com o Chefe
“Respondem com molduras tortas, esperando que o quadro se desmanche sozinho.”
O telefone tocou no balcão e o gerente fez um gesto para que Isadora atendesse. Era a senhora do clube de leitura: falava para avisar que um grupo do bairro estava organizando uma pequena leitura pública na praça, no sábado, em frente à livraria, “para fazer barulho com livros”. Não seria protesto, disse ela, “só presença”. Isadora sorriu com a imagem: cadeiras improvisadas, vozes misturadas com o ruído dos ônibus, a palavra feita rua. Confirmou, agradeceu, prometeu água e cadeiras. Quando desligou, percebeu que aquela proposta era um antídoto delicado contra o cansaço, uma lembrança de que o ar, quando compartilhado, deixa de faltar.