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Bella Prudencio
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Novels by Bella Prudencio

Um Doce Tabu

Um Doce Tabu

Sophia tem 18 anos, é virgem, caloura de Medicina na USP e acabou de chegar a São Paulo. O que ela não esperava era que uma simples oportunidade como hostess a colocaria dentro de um cabaré de luxo disfarçado, onde mulheres jovens são negociadas como investimentos. Em uma noite que muda tudo, Sophia é escolhida por Constantino Windergard, um herdeiro bilionário, jovem, frio e estrategista. Em vez de comprá-la para uma única noite, ele faz uma proposta absurda: um relacionamento exclusivo, com mesada, luxo, viagens e status — em troca de controle, submissão e um futuro já decidido. Agora vivendo em uma cobertura no Jardins, transformada em uma “Barbie” moldada para agradar, Sophia precisa lidar com o preço do conforto extremo: até onde vai sua liberdade? O amor pode nascer de um contrato? E quem ela se torna quando passa a viver para ser desejada? Entre poder, desejo, inocência e manipulação, Doce Tabu é um romance intenso sobre escolhas irreversíveis, fetiches do dinheiro e o perigo de confundir proteção com posse.
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Chapter: Capítulo final: A imperatriz (parte ii)
Ele não estava romantizando o próprio sofrimento. Ele estava me escolhendo por inteira.Ele estava escolhendo perder algo que o mundo reconhece para preservar algo que não aparece em relatórios. E essa escolha, eu sabia, custava caro. Não apenas a ele, mas a nós dois.Mas também sabia outra coisa, talvez ainda mais incômoda: se ele aceitasse voltar inteiro apenas para o sistema, perderia algo que nenhuma restituição devolveria depois.E eu não estava disposta a assistir isso acontecer de novo.Olhei para ele com atenção renovada. Não como a mulher que o amava, mas como alguém que conhece o custo de cada escolha.— E o que você perde?A pergunta ficou suspensa entre nós por alguns segundos. Ele não respondeu de imediato. Não por cálculo estratégico, mas porque a resposta não cabia numa única palavra.Levantou-se. Caminhou até a janela da sala. A cidade se estendia abaixo como sempre: funcional, indiferente, cheia de vidas que não sabiam, e talvez nunca soubessem, que decisões silencios
Last Updated: 2026-01-13
Chapter: capítulo quarenta e cinco: A imparatriz (parte I)
A proposta chegou numa terça-feira sem qualquer marcação simbólica.Não era meu aniversário. Muito menos era início de trimestre, quando costumávamos a ter eventos. Não havia data redonda ou repetida, nem coincidência que pudesse ser lida como destino. Era uma terça comum, dessas que passam despercebidas até para quem vive atento. O tipo de dia que se escolhe quando não se quer criar memória, mas quando se quer parecer inevitável.O e-mail chegou cedo, ainda com a luz da manhã filtrada pelas cortinas do quarto. Eu acordei primeiro, como quase sempre. O silêncio ainda tinha cheiro de noite: lençóis mornos, ar parado, o ruído distante da cidade começando a se organizar. O celular de Constantino vibrou sobre o criado-mudo com um som curto, controlado, quase educado demais, não era como os telefones agudos e irritantes que tocavam em pontos de ônibus.Ele não se mexeu de imediato, estava sonolento. Não houve sobressalto de susto ao ser surpreendido, nem aquele reflexo automático de quem t
Last Updated: 2026-01-13
Chapter: capítulo quarenta e quatro: funciona
Havia curiosidade, além de um tom levemente sedutor na voz que ainda estava em tom baixo.— Onde você não colocaria dinheiro — esclareci, sustentando o olhar — mesmo que todos digam que é seguro.Ele desviou os olhos por um instante mínimo, como quem percorre mentalmente uma cartografia inteira antes de escolher um ponto exato. Depois voltou a me encarar.A frase saiu sem esforço, como algo repetido tantas vezes na cabeça dele que já não precisava ser lapidado. Não havia cinismo, nem orgulho. Era constatação. Uma dessas verdades que só se aprende depois de ver decisões importantes desaparecerem entre assinaturas demais.Assenti devagar. Não como quem concorda, mas como quem reconhece um mecanismo já observado por outros ângulos.— Porque ninguém responde por nada — completei. — Quando tudo é coletivo demais, o erro vira abstrato.Ele me observou por um segundo mais longo. Um desses instantes em que não se avalia a resposta, mas a origem dela. Um canto da boca se moveu, quase um sorris
Last Updated: 2026-01-13
Chapter: capítulo quarenta e três: estranho amor
O escritório não ficava na Faria Lima visível, aquela em que os prédios que competem por atenção e também dos restaurantes onde todos querem ser vistos frequentando. Ficava num recuo estratégico, alguns quarteirões afastados, alto o bastante para enxergar a cidade em amplitude, discreto o suficiente para não virar vitrine. Vidros amplos, mas tratados. Madeira escura. Poucos objetos. Nada ali era decorativo. Tudo tinha função, inclusive a calmaria que precedia o caos.Percebi isso no instante em que entrei.Não havia quadros motivacionais, nem livros expostos para impressionar visitantes ocasionais, nada cafona nesse nível. Os livros estavam guardados. O que se exibia ali não era repertório cultural, era capacidade de decisão. O tipo de lugar onde ninguém levanta a voz porque não precisa.Constantino não me recebeu com afeto. Recebeu com presença.A sala em que estávamos não era grande, mas era precisa em todos os aspectos. Uma vez que tudo ali parecia ter sido escolhido para não distr
Last Updated: 2026-01-13
Chapter: capítulo quarenta e dois: disfarce
A Mansão de Constantino não era ostensiva nem chamativa.Não havia portões monumentais, nem ostentação explícita, nem o tipo de arquitetura que implora para ser Instagramável. Ela se escondia atrás de um muro alto, contínuo, de linhas limpas, interrompido apenas por um portão de metal escuro eletrônico, onde um guarda que ficava numa guarita vigiava, a entrada ,que se abria em silêncio absoluto, sequer rangia, não chamava atenção. Poder de verdade não faz barulho.O bairro era um enclave discreto, desses que não aparecem em reportagens imobiliárias porque não precisam. Ruas largas, árvores antigas, iluminação baixa. Casas afastadas umas das outras, como se cada uma tivesse negociado previamente o direito ao silêncio. Ali, ninguém observava a vida alheia por curiosidade. Observava por hábito.Quando o carro entrou, o caminho até a casa principal se revelou lentamente. Um trajeto de pedras claras, perfeitamente alinhadas, margeado por jardins geométricos demais para parecerem naturais.
Last Updated: 2026-01-13
Chapter: Capítuo quarenta e um: deslocada
Me forcei a voltar à faculdade depois de semanas e foi uma experiência mais estranha do que eu esperava.Não porque algo tivesse mudado, mas porque nada havia mudado.O prédio da Medicina permanecia igual: concreto claro, corredores longos, o cheiro persistente de café requentado misturado a álcool em gel e formol. As pessoas também. Mesmas andanças pelo corredor, mesmas piadas baixas, a mesma urgência artificial de quem corre para não atrasar o próprio lugar na fila.Alguns olhares me localizaram de imediato, como quem reconhece um rosto que já não pertencia ao lugar que um dia foi rotina. Outros desviaram com pressa calculada, fingindo concentração em slides e cadernos, um teatro social muito bem ensaiado. Os cochichos surgiram logo depois, não agressivos, as pessoas ali não costumavam a ser hostis. Mas pior do que isso pra mim, estavam curiosos demais, carreando um cuidado que beirava a obsessão. Aquela curiosidade que se disfarça de preocupação para não assumir invasão.“Você sumi
Last Updated: 2026-01-13
O Fazendeiro Bruto e a Rockstar Rebelde

O Fazendeiro Bruto e a Rockstar Rebelde

Estela Camacho tem milhões na conta, estádios lotados e uma carreira que começou quando ela ainda era adolescente. O que ela não tem é uma música nova. Aos vinte e sete anos, esgotada, pressionada pela gravadora e incapaz de sentir no palco o que um dia a fez viver, a maior rockstar do país foge para o interior de Goiás em busca de silêncio. Em vez disso, encontra Matias Cruz. Fazendeiro, teimoso e brutalmente sincero, Matias não se impressiona com fama, dinheiro ou o temperamento da mulher que chegou à região fazendo barulho. Os dois mal conseguem conversar sem discutir. Até a noite em que Estela bebe demais, tenta subir numa motocicleta e Matias a impede de pilotar. Dentro da caminhonete, ela o beija. E alguém fotografa tudo. Na manhã seguinte, Estela é acusada de ter recaído nas drogas, Matias é transformado pela imprensa no homem responsável por sua queda e o escândalo começa a atingir funcionários, compradores e a própria fazenda. A gravadora enxerga uma solução perfeita: transformar os dois no casal que o país já acredita que eles são. Trinta dias. Um namoro de fachada. Aparições públicas. Regras claras. Nenhuma câmera entrando onde não foi autorizada. Só existe um problema. O primeiro beijo nunca foi fingimento. E quanto mais Estela e Matias tentam proteger a própria vida da história que inventaram para eles, mais difícil fica descobrir onde termina o contrato e começa aquilo que nenhum dos dois estava preparado para sentir.
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Chapter: Capítulo 25 — O preço de aceitar ajuda
Matias CruzMeu pai dizia que favor vinha com corda.Não porque toda ajuda fosse ruim. Porque homem desesperado só enxergava a ponta oferecida e esquecia de perguntar quem segurava o outro lado.Levei a proposta do show à cooperativa com essa frase ocupando minha cabeça. Estela não foi. Disse que a presença dela faria alguns votarem para agradar e outros recusarem por raiva. Pela primeira vez desde que chegara, ficou longe de uma decisão que podia usar sua fama.Isso contou mais do que eu gostaria.— Quem administra o dinheiro? — seu Anselmo perguntou.— A cooperativa.— E a gravadora?— Não entra sem contrato aprovado por nós.Davi folheou a proposta simples que Clara preparara.— Custos de palco, segurança, energia, banheiro. Isso não se paga sozinho.— Lorena traz patrocínio de duas marcas. Estela cobre a própria equipe artística.— Isso é dinheiro dela — Davi disse.— É custo do trabalho dela, não do nosso.A distinção tinha sido explicada por Estela num áudio de quatro minutos. E
Last Updated: 2026-10-20
Chapter: Capítulo 24 — A canção da terra bruta
Estela CamachoTransformei ciúme em quatro acordes e odiei todos.O estúdio improvisado da escola rural tinha uma mesa antiga, seis placas de espuma emprestadas e um cheiro permanente de giz. Clara instalou a interface. Lorena chegou de Goiânia com dois microfones, uma caixa de cabos e a falta de delicadeza que eu precisava.— Então a ex é bonita, competente e sabe usar bota — resumiu.— Eu não disse bonita.— Disse “precisa”. Na sua língua, é pior.Liguei a Laurão.— Podemos trabalhar?— Podemos, mas você vai tocar cada acorde como se quisesse arrancar o coque dela.Clara ajustou o ganho.— Usa isso.— Usar ciúme é conselho artístico irresponsável.— Você usou raiva em três álbuns.— Com excelentes resultados — Lorena completou.Toquei a sequência do celeiro. A nota de Matias permanecia ali, abrindo espaço. Cantei a frase que nascera depois da conversa sobre meu pai. Lorena entrou com uma harmonia baixa. Na segunda passagem, a música ganhou estrada, poeira e uma mulher que não sabia
Last Updated: 2026-10-20
Chapter: Capítulo 23 — A proposta de Bianca
Matias Cruz A reunião da cooperativa começou com trinta e uma cadeiras, quarenta e três pessoas e nenhuma confiança sobrando. Produtor não precisava de convite para discutir água. Alguns ficaram de pé no fundo do galpão. Outros trouxeram pastas, contas e fotografias de reservatórios baixos. Bianca montou a apresentação sem equipe de filmagem ou logomarca maior do que o assunto. Ela sabia entrar num lugar. Estela sentou ao lado de Clara na última fileira. Tinha pedido para assistir porque a campanha citava a cooperativa. Perguntou antes. Eu disse sim. Bianca mostrou projeções de chuva, vazão e custo. A captação do rio exigia licença, tubulação e uma estação de tratamento pequena. Sozinhos, levaríamos dois anos para juntar o dinheiro. A AgroVale prometia concluir em seis meses. — E em troca? — Davi perguntou. — Gestão técnica da distribuição por dez anos, preferência de compra sobre a produção e servidão de passagem nas propriedades participantes. O galpão encheu de vozes. — Ser
Last Updated: 2026-10-02
Chapter: Capítulo 22 — Depois da primeira noite
Estela Camacho O lado vazio da cama conseguiu dizer cinco coisas antes que eu me sentasse. Arrependimento. Erro. Pressa. São Paulo. Trinta dias. Meu corpo ainda guardava o peso de Matias, mas a cabeça já produzia uma versão em que ele vestira a roupa no escuro para não precisar me encarar. Encontrei minha camiseta no chão e o jeans dobrado sobre uma cadeira. Dobrado. Aquilo piorava tudo. Homem que dobrava roupa depois do sexo era capaz de organizar uma fuga em planilha. Vesti-me, lavei o rosto na pia estreita e abri a porta. O celeiro estava vazio. Do lado de fora, o trabalho seguia sem respeitar crise emocional: motor ligado, homens descarregando ração, uma caminhonete entrando pela porteira. Voltei para a casa de hóspedes sem perguntar por ele. Clara ligou assim que fechei a porta. — Heitor está furioso. — Entre na fila. — A equipe confirmou que você mandou desligar. Beatriz diz que vocês estavam dentro do acordo. — Milagre jurídico. — Aconteceu mais alguma coisa? Olhei
Last Updated: 2026-10-02
Chapter: Capítulo 21 — Homem de palavra
Matias CruzEstela disse que me queria, disse que queria aquilo e disse que avisaria se mudasse de ideia. Ouvi as três frases do jeito que eu ouvia previsão de chuva: inteiras, sem pular a parte que diz quando parar.Só então abri o botão do jeans.Ela levantou o quadril para me ajudar. Tirei a calça e a calcinha juntas e fiquei um segundo parado, de joelhos na beirada da cama estreita, só olhando. Fazia uma semana que eu desviava do cheiro de erva-doce que o sabonete da casa de hóspedes deixava nela quando passava pelo corredor da sede. Ali não havia corredor.Beijei a parte de dentro do joelho, a coxa, esperando qualquer sinal de recuo. O sinal que veio foi a mão no meu cabelo, as pontas dos dedos duras de corda de guitarra, empurrando para baixo.A boceta dela estava molhada e quente. Na primeira passada de língua, Estela arqueou as costas e agarrou o lençol com as duas mãos.Fui com calma. Usei o mesmo tempo que tinha marcado na coxa para a música dela no celeiro: mais lento do que
Last Updated: 2026-10-02
Chapter: Capítulo 20 — Nenhuma câmera
Estela CamachoAbri a porta ainda usando a camiseta suja da madrugada.— Quem autorizou vocês?Mauro correu até mim com uma prancheta.— Mandamos a agenda ontem. Cotidiano do casal, café da manhã e depoimentos sobre a adaptação rural.— Mandar não é receber consentimento.Caio mantinha a câmera baixa. Os outros dois operadores não. Uma lente apontou para minhas pernas, para a porta aberta, para o interior da casa.Entrei na frente.— Desliga.O homem olhou para Heitor.— Ela mandou desligar — Matias falou atrás deles.A câmera baixou.Heitor atravessou o terreiro com aquela calma treinada que fazia ameaça parecer reunião.— Estamos perdendo a melhor janela de interesse. As imagens de ontem superaram todas as projeções.— Então publique as autorizadas.— O público quer intimidade.— O público também quer que eu caia de um palco. Nem por isso entrego.— Seu contrato prevê registros de bastidores.— O acordo com Matias prevê autorização de lugar e horário. Você não tem nenhum dos dois.H
Last Updated: 2026-09-15
Proibida para o Camisa 23

Proibida para o Camisa 23

Helena Albuquerque construiu uma carreira dizendo exatamente o que pensa, mesmo quando suas palavras transformam jogadores em inimigos. Filha de uma lenda do futebol e uma das jornalistas esportivas mais influentes do país, ela sabe que um único erro pode confirmar o que todos sempre disseram: que só chegou tão longe por causa do sobrenome. Miguel Duarte tem vinte e três anos, a camisa 23 nas costas e apenas uma chance de provar que merece jogar pelo maior clube do Rio de Janeiro. Quando Helena o chama de produto de marketing diante de milhões de pessoas, ele responde da única maneira que conhece: marcando três gols em sua estreia e desafiando-a diante das câmeras. A rivalidade viraliza. Então uma noite desastrosa termina com Helena saindo do apartamento dele usando sua camisa, e o país inteiro passa a acreditar que os dois estão juntos. Para salvar a audiência, o canal obriga Helena a entrevistá-lo semanalmente. Para proteger seu contrato, o clube exige que Miguel fique longe de novos escândalos. A regra deveria ser simples: provocar diante das câmeras e manter distância quando elas fossem desligadas. Mas cada entrevista parece uma preliminar. Cada discussão termina perto demais. E alguém está disposto a transformar o desejo entre eles no escândalo capaz de destruir as duas carreiras. No campo, Miguel sabe exatamente como marcar. Com Helena, ele pode perder tudo antes de conseguir conquistá-la.
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Chapter: Capítulo 17 — O homem no corredor
MiguelHelena não precisou dizer nada.Eu já conhecia a forma como o medo mudava o rosto dela. A boca permanecia firme, as costas retas, mas os olhos paravam de enxergar a pergunta diante deles e começavam a calcular saídas. Enquanto ajeitei a bola na marca do pênalti, ela levou dois dedos ao ponto eletrônico.O estádio não estava cheio, mas cinquenta convidados da marca filmavam tudo com os próprios celulares. Errar de propósito diante delas parecia simples até eu lembrar quantos anos passei ouvindo que atacante não podia hesitar.Minha perna conhecia o canto antes da cabeça. Tive de mudar o movimento no último passo.— Algum problema? — perguntei.— Nenhum. Você só precisa errar.A plateia riu. O apresentador na cabine repetiu que a jornalista estava apelando para preservar segredos. Helena sorriu para a câmera.— No canto esquerdo — acrescentou.Ninguém além de mim percebeu que não era provocação.Eu tinha treinado milhares de cobranças tentando eliminar o erro. Naquela noite, prec
Last Updated: 2026-10-20
Chapter: Capítulo 16 — O primeiro programa
HelenaO programa começou às oito da noite, mas a chantagem entrou no ar comigo.Quarenta minutos antes, uma assistente prendeu o transmissor à minha cintura e entregou o ponto eletrônico já ligado. Pedi que trocasse o aparelho.— Este está funcionando — respondeu.— Quero outro.— A frequência é a mesma.— O problema pode ser o aparelho.Ela me olhou como se apresentadores escolhessem ponto pelo mesmo motivo que escolhiam batom. Trouxe outro, lacrado. Fotografei o número de série antes de colocá-lo.Miguel observava do outro lado do estúdio enquanto um maquiador retirava brilho do rosto dele.— Alguma mensagem? — perguntou quando conseguiu escapar.— Só a ordem para cumprir a pauta.Não mostrei o celular. Se alguém acompanhava meus arquivos, não queria oferecer a conversa inteira.— Se eu perguntar onde você está olhando, responda com a verdade — falei.— Não entendi.— Melhor. Vai parecer espontâneo.O diretor chamou nossas posições. Antes de sentar, Miguel passou perto o suficiente
Last Updated: 2026-10-20
Chapter: Capítulo 15 — Vigiados em tempo real
MiguelHelena escolheu uma sala sem janelas no centro de treinamento porque, segundo ela, qualquer lugar chamado “sala de arquivo morto” tinha boas chances de não interessar a ninguém.Cheguei primeiro. Havia caixas de súmulas antigas, duas cadeiras de plástico e cheiro de papel úmido. Esperei com a porta entreaberta, atento ao corredor.Ela entrou três minutos depois, carregando a bolsa, o notebook e a expressão de quem já tinha brigado com metade do Rio antes do almoço.— Ninguém te seguiu? — perguntei.— Só um estagiário querendo que eu gravasse um story. Neutralizei a ameaça dizendo que estava sem maquiagem.— Você está sem maquiagem.— Exatamente. Ele não percebeu.Fechei a porta.Espalhamos as provas sobre uma mesa baixa. O anexo da campanha. Os horários das fotografias. Capturas das mensagens. A imagem do elevador. O e-mail que mostrava a FOGO recebendo o primeiro arquivo antes da imprensa.— Antes de qualquer coisa — Helena disse —, desligue o Bluetooth.— Já desliguei.— Wi-F
Last Updated: 2026-10-20
Chapter: Capítulo 14 — A campanha anterior ao casal
HelenaAugusto levou quarenta segundos para negar irregularidade e mais três minutos para explicar por que eu não podia fazer perguntas.— A FOGO recebeu a imagem por monitoramento — repetiu. — Agências trabalham com fontes. Não significa que soubessem da publicação.— O arquivo chegou sem marca d’água e antes do site que comprou a exclusividade.— Então questione o site.— Estou questionando o homem que aprovou uma campanha com meu nome antes de eu saber que ela existia.Coloquei sobre a mesa a captura do anexo que Miguel me enviara. Augusto leu de onde estava, sem tocar no celular, com o rosto imóvel demais.— Isso é material confidencial da agência.— A confidencialidade preocupa você mais do que meu nome num projeto chamado ativação romântica?— Seu nome aparece como possibilidade. A direção queria alguém capaz de confrontar o novo atacante. Você cobre o Maracanã e já tinha criticado a contratação. É planejamento, Helena. Não profecia.— E a fotografia?— Pergunte à FOGO.— Quem,
Last Updated: 2026-09-15
Chapter: Capítulo 13 — Uma cláusula com o nome dela
MiguelArmani chegou ao centro de treinamento com o contrato debaixo do braço e a tranquilidade de quem não tinha o próprio armário fotografado por um estranho.Eu o esperava na sala de fisioterapia, único lugar onde Otávio permitia que eu ficasse sentado durante o treino. Tinha dormido pouco, errado dois passes simples e levado bronca por olhar mais para os corredores do que para a bola.— Você precisa assinar hoje — Armani disse, colocando a pasta na maca ao meu lado. — A campanha estreia no domingo.— Alguém entrou no vestiário e fotografou minhas coisas.— Já falei com a segurança.— Falou o quê?— Que tem fã passando do limite. Acontece quando um jogador explode.— Fã não manda jornalista seguir pauta de patrocinador.Ele soltou uma risada sem humor.— Foi isso que ela te contou?— Foi isso que aconteceu.— Miguel, eu gosto de você. Por isso vou dizer uma coisa que seu pai talvez dissesse se conhecesse esse mercado: não transforme cada susto de mulher bonita em missão pessoal.Le
Last Updated: 2026-09-15
Chapter: Capítulo 12 — Ao vivo ou exposta
HelenaO chantagista enviou as regras às seis e dezessete da manhã.Você participa do piloto ao vivo. Segue a pauta comercial. Sorri. Não conta ao canal, ao clube ou à polícia. Se tentar descobrir quem sou, a fotografia deixa de ser uma pergunta.Li três vezes, procurando uma diferença entre ameaça e orientação de produção. Encontrei muito pouca.Meu primeiro impulso foi ligar para Miguel. O segundo foi lembrar que ele provavelmente tinha acabado de dormir depois de passar a noite enviando mensagens sobre câmeras, seguranças e fechaduras. Às seis e vinte, ele mandou a foto do próprio armário.Miguel: Agora você liga para a polícia?Eu: Agora eu salvo as provas em três lugares.Miguel: Isso não foi resposta.Eu: Foi a resposta disponível.Criei uma pasta protegida, exportei as conversas e encaminhei tudo para um e-mail que eu não usava havia anos. Também escrevi o número num pedaço de papel. Parecia ridículo até eu pensar em quantas coisas desapareciam com uma senha trocada.No banho,
Last Updated: 2026-09-10
Principe Tatuado MAFIA

Principe Tatuado MAFIA

Gabriela só queria uma noite tranquila, mas tudo muda quando aceita acompanhar a amiga numa festa misteriosa. O que era para ser só uma balada vira um mergulho profundo no submundo da máfia italiana no Rio de Janeiro. Lucas Falcone, o herdeiro tatuado de um império criminoso, surge como um convite ao perigo — e ao prazer. Ele promete o mundo. Ela quer muito mais que isso. Entre sedução, poder, armas e segredos, Gabriela se vê presa numa rede onde a lei não vale e o desejo é quem dita as regras. Quando o pecado tem olhos verdes e tatuagens orientais, resistir não é uma opção.
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Chapter: Capítulo dezessete: solitário
Recebemos notícias do primo de Lucas, o Matteo. Graças ao meu álibi ele foi inocentado.Estávamos no salão dos Falcone para falar sobre isso.Stefano estava com um sorriso aberto no rosto, lendo a papelada.Vitor e os gêmeos estavam numa mesa jogando baralho, Lucas estava atrás de mim, com um sorriso, corpo ereto e mãos para trás.— Muito bem, Serpente. Um trabalho bem executado. — Sorri, nunca nenhum cliente havia agradecido pelo meu trabalho. Já havia feito trabalhos de inocentar pessoas sim, pessoas sem condições, pessoas que estavam presas injustamente, pessoas que nunca tiveram olhares voltados a elas.Mas eles não me elogiaram, o elogio foi ver uma mãe ou uma esposa abraçando o filho inocente após ele sair da cadeia. Porém palavras de fato eu nunca tinha escutado.Era a primeira vez.
Last Updated: 2026-01-01
Chapter: Capítulo dezesseis: criminosa
Eu sabia que eu estava olhando para o meu apartamento pela última vez por um bom tempo. Aquele era um apartamento próprio, havia herdado do meu pai, mas tinha tirado tudo que remetia a ele.Nas paredes onde costumava a ter camisas históricas do Botafogo emolduradas e penduradas, agora tinham posteres de filmes que eu gostava, eram 3 acima do sofá: 10 Coisas Que Eu Odeio Em Você, O Diário da Princesa e Uma Linda Mulher.O sofá era pequeno azul marinho, de dois lugares, estilo vintage, as paredes eram um tom de azul bebe. A cozinha era americana e eu costumava a trabalhar na mesa de jantar, estava cheia de papeis dos processos que eu estava trabalhando ainda.Fui até meu quarto, abri o armário embutido branco e subi nas prateleiras até alcançar a enorme mala de viagem que eu tinha comprado pensando no dia que eu fosse para a Europa.Nunca havia ido, não tive nem tempo nem dinheiro.Minhas economias haviam ido embora na tentativa de salvar meu pai, ele não tinha plano de saúde, nunca lig
Last Updated: 2025-12-30
Chapter: Capítulo quinze: lar
No dia seguinte eu só queria ir embora, estava ressaqueada da perseguição do dia anterior. Não queria mais sentir emoções tão fortes, estava com medo de continuar em São Paulo e acabar morrendo.Além disso, acordei abraçada em Lucas.Não sabia o que pensar sobre isso também.Enquanto minha mente divagava eu estava no restaurante do hotel tomando café da manhã. Meus olhos estavam travados enquanto eu comia um pão de queijo lentamente.— Tá tudo bem? — A voz de Lucas fez com que eu sacudisse a cabeça e olhasse para ele, eu deveria ter viajado bonito naquele momento, viajado bonito.— Tá eu só… Quero voltar pra casa. — Minha voz saiu embargada, parecia uma criança pedindo pela mãe. Lucas me olhou com dó. Ele havia sido criado para ser endurecido, para resistir as maiores pressões, as maiores crueldades.Até pouco tempo atrás eu apenas ouvia histórias escabrosas, não as vivia.Tudo era assustador para mim.— Podemos ir, meu bem. — Ele segurou minha mão nesse momento, eu apertei sua mão pe
Last Updated: 2025-12-28
Chapter: Capítulo quatorze: luxúria
Resolvemos comer no hotel, pedir serviço de quarto, já havia sido adrenalina demais para um dia só.— Tem como trazer um cabernet? — Ouvi Lucas falar no telefone enquanto eu saía do banho — Isso, do melhor que vocês tiverem.Assim que ele desligou do telefone, eu o encarei sem entender.Meu coração estava acelerado ainda. Eu precisava de um Rivotril, um Valium, qualquer coisa do tipo.— Vinho? — Ele acenou com a cabeça, eu estava apenas de roupão, Lucas veio em direção a mim ele estava relaxado, como se tivesse acabado de ter um dia normal.— É.Ele me segurou daquele jeito que eu gostava, pelo maxilar, me fazendo encarar seus olhos com de rio.— Por que? — Perguntei sem entender exatamente porque ele estava querendo beber vinho às 14h, depois de matar 4 pessoas e eu duas. Nunca tinha matado ninguém, já tinha sentido vontade quem nunca pensou “eu vou matar aquela vagabunda?”, mas nunca tinha feito isso de fato.Nunca tinha tido coragem.Mas hoje era ou eles ou eu.Ele soltou meu maxil
Last Updated: 2025-12-28
Chapter: Capítulo treze: adrenalina
Ainda mais com cara de canalha.Nossos rostos estavam colados, a ponta dos nossos narizes estavam próximas, eu ainda estava totalmente vermelha de vergonha.— Eu não vou te julgar, nem vou me sentir o fodão por isso. Estamos quase chegando aos 30, isso já passou. — Acenei positivamente com a cabeça. Ele sorriu, me segurou pela cintura, se aproximando ainda mais de mim e me dando um selinho. — Tá tudo bem, tá? Eu acho que te deixei com gostinho de quero mais mesmo. — Continuei em silêncio, era verdade o que ele dizia.— Vou te deixar em paz terminando de arrumar as coisas. Nosso voo é as dez. — Nessa hora eu desacelerei, achei que estava mais em cima da hora. Enquanto eu arrumava as coisas Lucas sentou-se na poltrona do meu quarto. Demorei um pouco, ma logo fiquei pronta.Pelo que combinamos, inicialmente ficaríamos 3 dias lá, para ter certeza que tudo ocorreria bem, o primo dele estaria livre da acusação e eu poderia partir pro próximo caso, afinal esses Falcone viviam se metendo em c
Last Updated: 2025-12-27
Chapter: Capítulo doze: pistola e revólver
Quando eu voltei para casa minha porta estava arrombada. Comecei a entrar em desespero, entrei correndo, completamente nervosa pensando no meu notebook e celular que tinham ficado lá. Mas para minha surpresa havia um Lucas sentado com cara de enfezado, segurando meu celular com a ponta dos dedos e me encarando. — Você nunca mais faça isso, Gabriela. — Sua voz era firme, brava, mas sem aumentar o tom. — E você nunca mais arrombe a porra da minha porta! — Eu gritei. — Tem algum lugar que a gente possa conversar em particular? — Ele continuou com o mesmo tom de voz. — Se você não tivesse arrombado minha porta teríamos. — Eu estava revoltada, ele simplesmente tinha colocado toda minha segurança em jogo porque eu havia simplesmente sumido. — Eu mando um cara consertar isso agora para você dormir tranquila, deixo o Vitor aqui cuidando de tudo enquanto você me explica esse sumiço. — Ele mandou um áudio para o irmão nesse momento dizendo “pode subir” em italiano. Parece que meu sumiço
Last Updated: 2025-12-26
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