Chapter: Capítulo dezessete: solitárioRecebemos notícias do primo de Lucas, o Matteo. Graças ao meu álibi ele foi inocentado.Estávamos no salão dos Falcone para falar sobre isso.Stefano estava com um sorriso aberto no rosto, lendo a papelada.Vitor e os gêmeos estavam numa mesa jogando baralho, Lucas estava atrás de mim, com um sorriso, corpo ereto e mãos para trás.— Muito bem, Serpente. Um trabalho bem executado. — Sorri, nunca nenhum cliente havia agradecido pelo meu trabalho. Já havia feito trabalhos de inocentar pessoas sim, pessoas sem condições, pessoas que estavam presas injustamente, pessoas que nunca tiveram olhares voltados a elas.Mas eles não me elogiaram, o elogio foi ver uma mãe ou uma esposa abraçando o filho inocente após ele sair da cadeia. Porém palavras de fato eu nunca tinha escutado.Era a primeira vez.
Last Updated: 2026-01-01
Chapter: Capítulo dezesseis: criminosaEu sabia que eu estava olhando para o meu apartamento pela última vez por um bom tempo. Aquele era um apartamento próprio, havia herdado do meu pai, mas tinha tirado tudo que remetia a ele.Nas paredes onde costumava a ter camisas históricas do Botafogo emolduradas e penduradas, agora tinham posteres de filmes que eu gostava, eram 3 acima do sofá: 10 Coisas Que Eu Odeio Em Você, O Diário da Princesa e Uma Linda Mulher.O sofá era pequeno azul marinho, de dois lugares, estilo vintage, as paredes eram um tom de azul bebe. A cozinha era americana e eu costumava a trabalhar na mesa de jantar, estava cheia de papeis dos processos que eu estava trabalhando ainda.Fui até meu quarto, abri o armário embutido branco e subi nas prateleiras até alcançar a enorme mala de viagem que eu tinha comprado pensando no dia que eu fosse para a Europa.Nunca havia ido, não tive nem tempo nem dinheiro.Minhas economias haviam ido embora na tentativa de salvar meu pai, ele não tinha plano de saúde, nunca lig
Last Updated: 2025-12-30
Chapter: Capítulo quinze: larNo dia seguinte eu só queria ir embora, estava ressaqueada da perseguição do dia anterior. Não queria mais sentir emoções tão fortes, estava com medo de continuar em São Paulo e acabar morrendo.Além disso, acordei abraçada em Lucas.Não sabia o que pensar sobre isso também.Enquanto minha mente divagava eu estava no restaurante do hotel tomando café da manhã. Meus olhos estavam travados enquanto eu comia um pão de queijo lentamente.— Tá tudo bem? — A voz de Lucas fez com que eu sacudisse a cabeça e olhasse para ele, eu deveria ter viajado bonito naquele momento, viajado bonito.— Tá eu só… Quero voltar pra casa. — Minha voz saiu embargada, parecia uma criança pedindo pela mãe. Lucas me olhou com dó. Ele havia sido criado para ser endurecido, para resistir as maiores pressões, as maiores crueldades.Até pouco tempo atrás eu apenas ouvia histórias escabrosas, não as vivia.Tudo era assustador para mim.— Podemos ir, meu bem. — Ele segurou minha mão nesse momento, eu apertei sua mão pe
Last Updated: 2025-12-28
Chapter: Capítulo quatorze: luxúriaResolvemos comer no hotel, pedir serviço de quarto, já havia sido adrenalina demais para um dia só.— Tem como trazer um cabernet? — Ouvi Lucas falar no telefone enquanto eu saía do banho — Isso, do melhor que vocês tiverem.Assim que ele desligou do telefone, eu o encarei sem entender.Meu coração estava acelerado ainda. Eu precisava de um Rivotril, um Valium, qualquer coisa do tipo.— Vinho? — Ele acenou com a cabeça, eu estava apenas de roupão, Lucas veio em direção a mim ele estava relaxado, como se tivesse acabado de ter um dia normal.— É.Ele me segurou daquele jeito que eu gostava, pelo maxilar, me fazendo encarar seus olhos com de rio.— Por que? — Perguntei sem entender exatamente porque ele estava querendo beber vinho às 14h, depois de matar 4 pessoas e eu duas. Nunca tinha matado ninguém, já tinha sentido vontade quem nunca pensou “eu vou matar aquela vagabunda?”, mas nunca tinha feito isso de fato.Nunca tinha tido coragem.Mas hoje era ou eles ou eu.Ele soltou meu maxil
Last Updated: 2025-12-28
Chapter: Capítulo treze: adrenalinaAinda mais com cara de canalha.Nossos rostos estavam colados, a ponta dos nossos narizes estavam próximas, eu ainda estava totalmente vermelha de vergonha.— Eu não vou te julgar, nem vou me sentir o fodão por isso. Estamos quase chegando aos 30, isso já passou. — Acenei positivamente com a cabeça. Ele sorriu, me segurou pela cintura, se aproximando ainda mais de mim e me dando um selinho. — Tá tudo bem, tá? Eu acho que te deixei com gostinho de quero mais mesmo. — Continuei em silêncio, era verdade o que ele dizia.— Vou te deixar em paz terminando de arrumar as coisas. Nosso voo é as dez. — Nessa hora eu desacelerei, achei que estava mais em cima da hora. Enquanto eu arrumava as coisas Lucas sentou-se na poltrona do meu quarto. Demorei um pouco, ma logo fiquei pronta.Pelo que combinamos, inicialmente ficaríamos 3 dias lá, para ter certeza que tudo ocorreria bem, o primo dele estaria livre da acusação e eu poderia partir pro próximo caso, afinal esses Falcone viviam se metendo em c
Last Updated: 2025-12-27
Chapter: Capítulo doze: pistola e revólverQuando eu voltei para casa minha porta estava arrombada. Comecei a entrar em desespero, entrei correndo, completamente nervosa pensando no meu notebook e celular que tinham ficado lá. Mas para minha surpresa havia um Lucas sentado com cara de enfezado, segurando meu celular com a ponta dos dedos e me encarando. — Você nunca mais faça isso, Gabriela. — Sua voz era firme, brava, mas sem aumentar o tom. — E você nunca mais arrombe a porra da minha porta! — Eu gritei. — Tem algum lugar que a gente possa conversar em particular? — Ele continuou com o mesmo tom de voz. — Se você não tivesse arrombado minha porta teríamos. — Eu estava revoltada, ele simplesmente tinha colocado toda minha segurança em jogo porque eu havia simplesmente sumido. — Eu mando um cara consertar isso agora para você dormir tranquila, deixo o Vitor aqui cuidando de tudo enquanto você me explica esse sumiço. — Ele mandou um áudio para o irmão nesse momento dizendo “pode subir” em italiano. Parece que meu sumiço
Last Updated: 2025-12-26

Um Doce Tabu
Sophia tem 18 anos, é virgem, caloura de Medicina na USP e acabou de chegar a São Paulo.
O que ela não esperava era que uma simples oportunidade como hostess a colocaria dentro de um cabaré de luxo disfarçado, onde mulheres jovens são negociadas como investimentos.
Em uma noite que muda tudo, Sophia é escolhida por Constantino Windergard, um herdeiro bilionário, jovem, frio e estrategista. Em vez de comprá-la para uma única noite, ele faz uma proposta absurda:
um relacionamento exclusivo, com mesada, luxo, viagens e status — em troca de controle, submissão e um futuro já decidido.
Agora vivendo em uma cobertura no Jardins, transformada em uma “Barbie” moldada para agradar, Sophia precisa lidar com o preço do conforto extremo:
até onde vai sua liberdade?
O amor pode nascer de um contrato?
E quem ela se torna quando passa a viver para ser desejada?
Entre poder, desejo, inocência e manipulação, Doce Tabu é um romance intenso sobre escolhas irreversíveis, fetiches do dinheiro e o perigo de confundir proteção com posse.
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Chapter: Capítulo final: A imperatriz (parte ii)Ele não estava romantizando o próprio sofrimento. Ele estava me escolhendo por inteira.Ele estava escolhendo perder algo que o mundo reconhece para preservar algo que não aparece em relatórios. E essa escolha, eu sabia, custava caro. Não apenas a ele, mas a nós dois.Mas também sabia outra coisa, talvez ainda mais incômoda: se ele aceitasse voltar inteiro apenas para o sistema, perderia algo que nenhuma restituição devolveria depois.E eu não estava disposta a assistir isso acontecer de novo.Olhei para ele com atenção renovada. Não como a mulher que o amava, mas como alguém que conhece o custo de cada escolha.— E o que você perde?A pergunta ficou suspensa entre nós por alguns segundos. Ele não respondeu de imediato. Não por cálculo estratégico, mas porque a resposta não cabia numa única palavra.Levantou-se. Caminhou até a janela da sala. A cidade se estendia abaixo como sempre: funcional, indiferente, cheia de vidas que não sabiam, e talvez nunca soubessem, que decisões silencios
Last Updated: 2026-01-13
Chapter: capítulo quarenta e cinco: A imparatriz (parte I)A proposta chegou numa terça-feira sem qualquer marcação simbólica.Não era meu aniversário. Muito menos era início de trimestre, quando costumávamos a ter eventos. Não havia data redonda ou repetida, nem coincidência que pudesse ser lida como destino. Era uma terça comum, dessas que passam despercebidas até para quem vive atento. O tipo de dia que se escolhe quando não se quer criar memória, mas quando se quer parecer inevitável.O e-mail chegou cedo, ainda com a luz da manhã filtrada pelas cortinas do quarto. Eu acordei primeiro, como quase sempre. O silêncio ainda tinha cheiro de noite: lençóis mornos, ar parado, o ruído distante da cidade começando a se organizar. O celular de Constantino vibrou sobre o criado-mudo com um som curto, controlado, quase educado demais, não era como os telefones agudos e irritantes que tocavam em pontos de ônibus.Ele não se mexeu de imediato, estava sonolento. Não houve sobressalto de susto ao ser surpreendido, nem aquele reflexo automático de quem t
Last Updated: 2026-01-13
Chapter: capítulo quarenta e quatro: funcionaHavia curiosidade, além de um tom levemente sedutor na voz que ainda estava em tom baixo.— Onde você não colocaria dinheiro — esclareci, sustentando o olhar — mesmo que todos digam que é seguro.Ele desviou os olhos por um instante mínimo, como quem percorre mentalmente uma cartografia inteira antes de escolher um ponto exato. Depois voltou a me encarar.A frase saiu sem esforço, como algo repetido tantas vezes na cabeça dele que já não precisava ser lapidado. Não havia cinismo, nem orgulho. Era constatação. Uma dessas verdades que só se aprende depois de ver decisões importantes desaparecerem entre assinaturas demais.Assenti devagar. Não como quem concorda, mas como quem reconhece um mecanismo já observado por outros ângulos.— Porque ninguém responde por nada — completei. — Quando tudo é coletivo demais, o erro vira abstrato.Ele me observou por um segundo mais longo. Um desses instantes em que não se avalia a resposta, mas a origem dela. Um canto da boca se moveu, quase um sorris
Last Updated: 2026-01-13
Chapter: capítulo quarenta e três: estranho amorO escritório não ficava na Faria Lima visível, aquela em que os prédios que competem por atenção e também dos restaurantes onde todos querem ser vistos frequentando. Ficava num recuo estratégico, alguns quarteirões afastados, alto o bastante para enxergar a cidade em amplitude, discreto o suficiente para não virar vitrine. Vidros amplos, mas tratados. Madeira escura. Poucos objetos. Nada ali era decorativo. Tudo tinha função, inclusive a calmaria que precedia o caos.Percebi isso no instante em que entrei.Não havia quadros motivacionais, nem livros expostos para impressionar visitantes ocasionais, nada cafona nesse nível. Os livros estavam guardados. O que se exibia ali não era repertório cultural, era capacidade de decisão. O tipo de lugar onde ninguém levanta a voz porque não precisa.Constantino não me recebeu com afeto. Recebeu com presença.A sala em que estávamos não era grande, mas era precisa em todos os aspectos. Uma vez que tudo ali parecia ter sido escolhido para não distr
Last Updated: 2026-01-13
Chapter: capítulo quarenta e dois: disfarceA Mansão de Constantino não era ostensiva nem chamativa.Não havia portões monumentais, nem ostentação explícita, nem o tipo de arquitetura que implora para ser Instagramável. Ela se escondia atrás de um muro alto, contínuo, de linhas limpas, interrompido apenas por um portão de metal escuro eletrônico, onde um guarda que ficava numa guarita vigiava, a entrada ,que se abria em silêncio absoluto, sequer rangia, não chamava atenção. Poder de verdade não faz barulho.O bairro era um enclave discreto, desses que não aparecem em reportagens imobiliárias porque não precisam. Ruas largas, árvores antigas, iluminação baixa. Casas afastadas umas das outras, como se cada uma tivesse negociado previamente o direito ao silêncio. Ali, ninguém observava a vida alheia por curiosidade. Observava por hábito.Quando o carro entrou, o caminho até a casa principal se revelou lentamente. Um trajeto de pedras claras, perfeitamente alinhadas, margeado por jardins geométricos demais para parecerem naturais.
Last Updated: 2026-01-13
Chapter: Capítuo quarenta e um: deslocadaMe forcei a voltar à faculdade depois de semanas e foi uma experiência mais estranha do que eu esperava.Não porque algo tivesse mudado, mas porque nada havia mudado.O prédio da Medicina permanecia igual: concreto claro, corredores longos, o cheiro persistente de café requentado misturado a álcool em gel e formol. As pessoas também. Mesmas andanças pelo corredor, mesmas piadas baixas, a mesma urgência artificial de quem corre para não atrasar o próprio lugar na fila.Alguns olhares me localizaram de imediato, como quem reconhece um rosto que já não pertencia ao lugar que um dia foi rotina. Outros desviaram com pressa calculada, fingindo concentração em slides e cadernos, um teatro social muito bem ensaiado. Os cochichos surgiram logo depois, não agressivos, as pessoas ali não costumavam a ser hostis. Mas pior do que isso pra mim, estavam curiosos demais, carreando um cuidado que beirava a obsessão. Aquela curiosidade que se disfarça de preocupação para não assumir invasão.“Você sumi
Last Updated: 2026-01-13