LOGIN— Eu preferia apontar uma arma pra sua cabeça do que usar uma aliança com você. — eu sussurro, fria, encarando Vinnie Azzaro. — Então casa comigo assim mesmo, Bellatorre… porque eu vou ser o seu inferno favorito. — Vinnie rebate com um sorriso arrogante e os olhos destruídos pelo álcool. Liel Bellatorre não se lembra do próprio passado. Tudo o que sabe é que foi encontrada à deriva no mar quando tinha nove anos, salva por Don Marcus Azzaro e transformada na arma mais letal da máfia italiana. Linda, calculista e impenetrável, ela se tornou a Conselheira perfeita da Família Azzaro… fiel ao homem que lhe deu uma nova vida. Mas existe uma única pessoa capaz de tirar sua paciência do controle: Vinnie Azzaro. Irresponsável. Mulherengo. Alcoólatra. Instável. O herdeiro da máfia é tudo o que Liel despreza em um homem. Quando uma atitude impulsiva quase destrói a reputação da família, Don Marcus toma uma decisão cruel: Vinnie precisa se casar… e a escolhida será Liel. Agora, presa a um casamento por contrato, Liel terá uma missão perigosa… transformar Vinnie no Don que o submundo teme e respeita. Dividindo o mesmo quarto com um homem que ela nunca suportou, Liel tenta ignorar os olhares intensos, as provocações constantes e o lado quebrado que Vinnie esconde atrás do álcool e da arrogância. Mas quanto mais ela tenta odiá-lo… mais percebe que o verdadeiro perigo não está na máfia. Está no homem que lentamente começa a conquistar seu coração.
View MoreLiel A mansão Azzaro nunca ficou totalmente silenciosa.Mesmo à noite, tinha o som distante de carro passando na rua, o clique de algum rádio no andar de baixo, o passo contido de segurança mudando de posição. O submundo não dormia. Só diminuía o volume.Hoje, mesmo com tudo isso, o quarto parecia outro lugar.No berço ao lado da cama, o nosso filho dormia.Pequeno demais pra tudo que já tinha acontecido antes dele. Respirava com aquele barulho leve de bebê, a mão fechada num punho que não sabia ainda o peso do nome que carregava.Azzaro.Bellatorre.Não era só sobrenome.Era herança.Vinnie estava sentado na borda da cama, cotovelos nos joelhos, olhar fixo no berço como se estivesse guardando a cena pra nunca mais esquecer. A luz baixa deixava o rosto dele mais sério, mas menos pesado do que nos últimos meses.Renata Conte estava fora do jogo.Não importava, naquela noite, se viva, morta, exilada. Não importava o destino exato. Importava que não tinha mais mão dela em nenhuma opera
Vinnie Eu sempre achei que a mansão Azzaro era território.Território pra reunião, pra guardar arma, pra planejar guerra. Um lugar onde o submundo se levantava e se desmontava todo dia, dependendo de quem entrava pela porta.Nunca tinha pensado nela como casa.Até ver a Liel descendo a escada com a mão na barriga.Não era barriga grande ainda.Era só gesto.Ela vinha devagar, não por fraqueza, mas porque estava pensando. Liel nunca andava rápido quando pensava. Cada degrau era tempo de cálculo.Eu estava no meio da escada.— Onde você acha que vai? — perguntei, cruzando os braços.— Trabalhar — respondeu, simples.— Trabalhar onde?— Na sala de reunião.Desci mais um degrau, bloqueando o caminho.— Não.Ela ergueu o queixo.— Não o quê?— Você não vai pra sala de reunião.— Por quê?— Porque tem dez homens sentados lá embaixo discutindo contrato, risco, possíveis ataques, gente querendo arrancar pedaço do nome Azzaro. Não é ambiente pra grávida.— Vinnie… — ela suspirou, olhando pro
VinnieAlguns dias depois, Liel decidiu que precisava ver o mar.Ela não avisou.Eu percebi quando acordei e ela não estava na cama, e uma mensagem curta no celular substituía a presença.“Praia. Sem escolta demais. Sem drama. Não surta.”Surtei.No limite interno.Peguei o carro, fui atrás.A praia não era luxuosa.Era uma faixa de areia, mar cinza, vento cortando a pele. Ela estava em pé perto da água, sapatos na mão, pés descalços, vestido simples que não chamava atenção, cabelo preso de forma prática.A “Estrela da Morte” tinha sido cena que marcou a vida dela.Ela me contou, aos pedaços, sobre naufrágio, sobre quem ela foi antes de virar Liel Bellatorre, sobre o que o mar tirou. Nunca em detalhes demais. Só o suficiente pra eu entender que, pra ela, água não era só água.Era perda.Cheguei devagar.Não chamei.Fiquei alguns passos atrás, observando.Ela olhava pro horizonte como se estivesse tentando ver uma pessoa que não existia mais.Depois olhou pra própria barriga, ainda dis
Vinnie O consultório ainda me incomodava.Parede clara, cadeira confortável demais, cheiro de coisa limpa. Eu sempre me senti deslocado em lugares que não carregavam o peso de tudo que eu fiz. Aqui, ninguém tinha sangue nas mãos. Só caneta, papel e diplomas na parede.O médico me olhou por cima dos óculos.— Há quanto tempo você não bebe? — perguntou.— Tempo suficiente pra ter medo de contar — respondi.Ele anotou.Sessões de terapia nunca foram lugar em que eu me senti à vontade. Nas primeiras, eu passei metade do tempo irritado, a outra metade calado. Nas últimas, alguma coisa mudou. Não porque eu passei a gostar, mas porque o peso dentro da cabeça começou a exigir um lugar pra sair.— E por que decidiu parar? — ele insistiu.Pensei em responder com alguma frase de efeito.Não respondi.— Porque eu amo uma mulher que não merece ver a própria vida virar repetição da minha — falei, simples. — Porque eu vou ser pai de alguém que não pediu pra nascer nesse mundo. Porque meu pai já pa


















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