Compartilhar

33

last update Data de publicação: 2026-08-26 10:41:32

Cátia

Estou passando óleo na sela de Estela quando Inácio se aproxima com duas garrafas de cerveja gelada. Ele me entrega uma, senta-se ao meu lado no fardo de feno e estica as pernas.

— A terra de vocês vai render, Cátia — ele diz, dando um gole demorado. — Seu pai já está com quase tudo certo para a mudança.

— Graças a Deus — respondo, sentindo o alívio que essa nova chácara traz. — Vai dar trabalho no começo, mas pelo menos é um chão nosso de novo.

Inácio fica em silêncio por alguns segundos
Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App
Capítulo bloqueado

Último capítulo

  • O CEO e a boiadeira    33

    CátiaEstou passando óleo na sela de Estela quando Inácio se aproxima com duas garrafas de cerveja gelada. Ele me entrega uma, senta-se ao meu lado no fardo de feno e estica as pernas.— A terra de vocês vai render, Cátia — ele diz, dando um gole demorado. — Seu pai já está com quase tudo certo para a mudança.— Graças a Deus — respondo, sentindo o alívio que essa nova chácara traz. — Vai dar trabalho no começo, mas pelo menos é um chão nosso de novo.Inácio fica em silêncio por alguns segundos. Ele apoia a garrafa entre os joelhos, vira o corpo para mim e coloca a mão na minha perna.— Cátia... eu preciso te falar uma coisa séria.Olho para ele, estranhando o tom repentino de gravidade.— Pode falar, Inácio.— Eu só voltei para cá por causa do incêndio e de você. Quando soube do galpão e do hospital, não pensei duas vezes. Mas... eu não pertenço mais a este lugar. Não pertenço mais à roça.Franzo a testa, surpresa.— Como assim não pertence? Você nasceu aqui.— Nasci, mas a minha cab

  • O CEO e a boiadeira    32

    CátiaAs samambaias penduradas na varanda balançam de leve com o vento da manhã, enquanto dona Vera enxuga as mãos no avental florido, descendo os degraus de madeira para espiar a movimentação na sua propriedade.Ouvir o relincho estridente e familiar de Estela vindo do piquete dos fundos traz um alívio que quase me faz esquecer as últimas semanas de caos.A rampa do caminhão desce com um estalo metálico. Rodrigo salta da cabine vestindo jeans surrado e chapéu de palha, abrindo um sorriso largo ao me ver aproximar.— Bom dia, boiadeira! — Rodrigo acena com a mão espalmada. — Como prometido, os dois novos companheiros da fazenda chegaram em perfeito estado.— Bom dia, Rodrigo! — respondo, sentindo o peito leve pela primeira vez em muito tempo.Meu pai e Inácio saem da oficina de ferramentas ao ouvir o barulho do motor. Oswaldo ajeita o chapéu marrom na cabeça, os olhos miúdos brilhando em pura descrença ao ver o tratador descer primeiro o tordilho cicatrizado e, logo em seguida, o pot

  • O CEO e a boiadeira    31

    CátiaAcordo antes mesmo do primeiro cantar do galo.Fico alguns minutos imóvel na cama, encarando o forro de madeira clara, sentindo o peito apertado. A lembrança do calor da boca de Fernand, do jeito que ele segurou meu rosto e do recuo assustado dele logo em seguida não saem da minha cabeça.Amigos.Foi o melhor a fazer. Fernand tem a vida desenhada na capital, uma noiva e um mundo ao qual eu nunca vou pertencer. Eu tenho o Inácio, meu pai e um recomeço do zero para construir. Colocar um freio ontem foi questão de respeito próprio.Levanto e lavo o rosto na água fria da pia do banheiro. Quando desço a escadaria de madeira, o aroma de café fresco e pão de queijo quentinho já toma conta da cozinha do casarão.— Bom dia, madrugadora! — Mariana me recebe com um sorriso caloroso, tirando uma assadeira fumegante do forno com um pano grosso. — Achei que a gente da capital é que acordava cedo por causa de trânsito, mas o pessoal da roça não dá trégua nem em dia de folga.— Bom dia, Mariana

  • O CEO e a boiadeira    30.

    FernandCátia está sentada a menos de um palmo de mim. O calor que vem do corpo dela compete com as brasas da lareira, e cada respiração que ela puxa parece roubar o pouco oxigênio que me resta. Olho para a boca dela. Os lábios estão entreabertos, avermelhados pelo vinho, e a forma como ela me encara acaba com qualquer tentativa de autocontrole.Eu passei a vida calculando riscos, prevendo cenários, assinando papéis que decidem milhões. Mas aqui, agora, não existe cálculo. Só existe ela.Deslizo a mão pelo encosto do sofá até tocar a lateral do seu pescoço. A pele de Cátia arrepia sob os meus dedos. Ela solta um suspiro baixo, e o som atinge o centro do meu peito com a força de um soco.— Fernand... — ela sussurra, mas não se afasta.Não há recuo. Não há medo. Cátia apenas sustenta o meu olhar com uma intensidade desarmante, o peito subindo e descendo rápido, acompanhando o ritmo descompassado do meu.Inclino o corpo para a frente, sentindo o ardor da respiração dela contra a minha pe

  • O CEO e a boiadeira    29.

    CátiaMariana encosta a cabeça de leve no ombro de Rodrigo, soltando um bocejo que tenta disfarçar com a mão. Rodrigo sorri, passando o braço ao redor dela antes de olhar para nós dois.— Pessoal, o dia foi puxado e a Mari precisa descansar da viagem — Rodrigo avisa, já apontando na direção do anexo externo. — Nós vamos subir. Tem uma lareira acesa na edícula no fim da varanda caso vocês queiram esticar a conversa mais um pouco. Tem mais vinho na adega e vocês podem ficar completamente à vontade. Já deixei os quartos de hóspedes organizados lá em cima.— Muito obrigada por tudo, Rodrigo, Mariana — agradeço, com um aceno sincero.Rodrigo e Mariana sobem as escadas de madeira, e o silêncio do casarão logo se mistura ao som da chuva que, lá fora, enfraquece até virar uma garoa mansa e contínua contra a vidraça.Fernand olha para a taça pela metade sobre o balcão e depois para mim.— Eu estou sem sono — ele diz, passando os dedos pelo nó solto da camisa. — Vou continuar tomando vinho ali

  • O CEO e a boiadeira    28

    FernandRodrigo puxa a rolha da garrafa com um estalo seco e inclina o gargalo na direção da minha taça sobre a bancada de peroba-rosa.Ergo a mão espalmada, bloqueando o movimento.— Não, cara. Eu tô dirigindo. Preciso pegar a rodovia de volta para a capital ainda hoje.Rodrigo para com a garrafa suspensa no ar. Ele solta um riso curto pelo nariz e aponta o queixo para a grande janela de vidro da sala. Lá fora, o céu escureceu de vez, tingido por um cinza chumbo pesado, e os primeiros pingos grossos começam a estalar com força contra a vidraça. Um trovão surdo faz o chão vibrar sob nossos pés.— Olha lá para fora, Fernand — Rodrigo insiste, sem recolher a garrafa. — A serra tá fechando em questão de minutos. Você conhece essa estrada: meia hora dessa água e a descida vira um sabão. Descer serra no escuro com pista enlameada é loucura. Bebe, cara. Relaxa. A gente tem quarto de sobra aqui no casarão para abrigar vocês dois com todo o conforto.Cátia está encostada na bancada ao meu lad

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status