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Dez

last update Tanggal publikasi: 2026-08-21 19:20:35

HENRIQUE

O toque insistente do celular me arrancou do sono antes mesmo de o despertador programado ousar quebrar o silêncio da cobertura. Abri os olhos com dificuldade, a claridade filtrada pelas persianas automáticas desenhando linhas precisas sobre o lençol de fios egípcios. Estiquei o braço, tateando a mesa de cabeceira até encontrar o aparelho.

06h57.

O nome de Augusto ocupava a tela, luminoso e inconveniente. Atendi ainda com a voz pesada, o tom ríspido sendo a única defesa contra a interr
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  • A ACOMPANHANTE DO BILIONÁRIO    Fim

    Cinco anos depois… — Matteo! Não vale correr para o corredor dos fundos! A gargalhada aguda e cristalina do menino ecoou estrondosamente pela casa inteira, rebatendo nas paredes da sala e invadindo a cozinha. — Não pego! — respondeu ele, disparando em desabalada carreira com aquelas perninhas curtas e rápidas que pareciam equipadas com um motor a combustão invisível, totalmente incompatível com uma criança de apenas dois anos e meio de idade. Atrás dele, tropeçando levemente no tapete da sala, vinham Dona Cecília e Seu Antônio. Ou, pelo menos, tentavam acompanhar o ritmo implacável. — Matteo Henrique Montenegro! — reclamava Dona Cecília entre um acesso de riso e o esforço para recuperar o fôlego. — Volte aqui agora mesmo para o seu avô colocar o seu sapato! Nosso filho travou uma freada brusca em cima do carpete, olhou para trás por cima do ombro apenas para confirmar se os bisavós ainda vinham no encalço, e abriu um sorriso travesso. Quando viu que eles estavam se aprox

  • A ACOMPANHANTE DO BILIONÁRIO    Noventa e nove

    JADE Sempre achei que, se um dia me casasse… Seria usando um vestido alugado de última hora. Numa cerimônia simples em algum cartório burocrático e impessoal. Sem muita gente. Sem nenhuma importância real para o mundo. Porque, durante anos de uma existência fragmentada e cinzenta, eu me acostumei a acreditar que certas coisas simplesmente não eram feitas para mulheres como eu. Histórias de final feliz pareciam impressas em um idioma estrangeiro que eu não tinha o direito de falar. Eu estava redondamente errada. Na manhã do casamento, acordei antes mesmo de o despertador tocar no criado-mudo. Fiquei alguns segundos inteiros deitada de olhos abertos, encarando o teto do quarto, tentando convencer meu coração a diminuir o ritmo frenético das batidas. Não adiantou nada. O peito parecia pequeno demais para tanta vida. Sorri sozinha, sentindo o sol da manhã cortar a cortina leve. Hoje... Eu ia me casar. Ouvi batidas suaves e ritmadas na porta do quarto. — Posso entrar? —

  • A ACOMPANHANTE DO BILIONÁRIO    Noventa e oito

    Já passava das dez da noite. A imensidão iluminada de São Paulo brilhava silenciosa do outro lado do vidro da varanda, como um oceano de luzes distantes. Dentro do apartamento, o silêncio era denso, confortável e acolhedor. Jade estava sentada diretamente no piso de madeira da sala, com as pernas cruzadas e os pés descalços. Estava totalmente absorta, folheando com cuidado um álbum de fotografias antigas com capa de couro desgastada que Dona Cecília havia nos emprestado dias antes. Sorri ao vê-la parar em uma página específica e soltar um muxoxo divertido. — Não acredito nisso — murmurou ela, balançando a cabeça em negação. Aproximei-me e inclinei o corpo por cima do ombro dela para enxergar melhor a imagem impressa no papel fotográfico amarelado. — O quê? O que há de errado com essa página? Ela virou o álbum bruscamente na minha direção, apontando com o dedo para uma foto minha tirada em uma época que eu preferia esquecer. — Henrique... me explique detalhadamente que aberraçã

  • A ACOMPANHANTE DO BILIONÁRIO    Noventa e sete

    HENRIQUE As margaridas amarelas finalmente encontraram o seu lugar definitivo na mesa de madeira da varanda. Jade passou vários minutos avaliando a posição do vaso sob a luz da tarde. Girava o recipiente alguns milímetros para a esquerda. Depois, examinava de relance. Dava dois passos para trás para checar o ângulo, franzia a testa e voltava a ajustar as hastes com uma paciência cirúrgica. Sorri discretamente, observando a cena de pé, encostado no batente da porta da cozinha. — Querida, você sabe que elas vão continuar sendo exatamente as mesmas flores, não importa se o vaso estiver virado dois centímetros para o norte ou para o sul, não sabe? — provoquei com um tom de voz suave. Ela nem se deu ao trabalho de desviar os olhos da tarefa. — Não ouse atrapalhar o meu processo criativo com a sua lógica corporativa, Henrique. Levantei as duas mãos em um gesto imediato de rendição. — Perdão. Ficarei em absoluto silêncio. Ela encontrou o ponto perfeito, respirou fundo e deu um tapi

  • A ACOMPANHANTE DO BILIONÁRIO    Noventa e seis

    JADE A cebola comprada naquela tarde acabou custando muito mais caro do que o esperado. Não pelo preço marcado na gôndola do supermercado, é claro. Mas porque Henrique resolveu transformar uma simples e trivial missão de resgate culinário em um longo, despretensioso e descarado passeio pela cidade. — Você faz isso de propósito, não é possível — reclamei quando notei que ele havia acabado de passar direto pela entrada do estacionamento do mercado, ignorando completamente a nossa rota original. Ele manteve as duas mãos firmemente no volante, o perfil iluminado pelo sol da tarde, com um sorriso quase imperceptível nos cantos da boca. — Faço o quê, meu amor? — Fingir sistematicamente que não sabe onde fica a seção de hortifrúti. — Eu sei exatamente onde ela fica. É o setor com os vegetais expostos na entrada. — Então por que você passou direto pela rua de acesso, Henrique Montenegro? — Porque ainda está cedo e a tarde está agradável demais para ficarmos enfiados entre co

  • A ACOMPANHANTE DO BILIONÁRIO    Noventa e cinco

    HENRIQUE — Eu simplesmente não acredito. Olhei para Jade, que estava parada diante da geladeira escancarada, com as mãos na cintura e uma expressão de profunda indignação no rosto. — Não acredita em quê? — perguntei, erguendo os olhos da tela do notebook onde tentava revisar um relatório rápido. — Você mora sozinho neste apartamento há anos. Anos, Henrique. — Sim, é verdade. Qual é o espanto? — E nunca, em todo esse tempo, fez uma compra de supermercado de verdade? Daquelas com lista, corredor de produtos de limpeza e produtos frescos? Fechei a tampa do notebook com um estalo suave. — Eu comprava o que precisava. Ela me encarou por cima do ombro, semicerrando os olhos. — Água mineral, café em pó solúvel e iogurte light não contam como compras de supermercado, Henrique. Isso é kit de sobrevivência de escritório. Sorri de lado, recostando-me na cadeira. — Sempre deu muito certo para mim. Nunca morri de fome. Jade balançou a cabeça negativamente, soltando um sus

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