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A ARTE DA CONQUISTA

Author: Ane Brito
last update Petsa ng paglalathala: 2026-09-06 10:16:44

CAPÍTULO 3

Ansioso

Na Terça-feira, Thomas Tavares Júnior chegou cedo à Celebrare Eventos, mas não permaneceu muito tempo na empresa.

Tinha uma reunião importante no Haras Imperial e pretendia resolver aquela questão o mais rápido possível.

O contrato era uma das prioridades da empresa naquele momento. O evento seria de grande porte e poderia representar uma excelente oportunidade para a Celebrare Eventos demonstrar sua capacidade de organizar uma produção sofisticada, com todos os detalhes exigidos por um cliente daquele nível.

Thomas havia passado boa parte do fim de semana analisando propostas, números e estratégias.

Esperava encontrar uma negociação difícil.

O Haras Imperial era conhecido pelo padrão elevado e pela exigência de sua administração. Por isso, Thomas estava preparado para enfrentar uma longa reunião, questionamentos e, provavelmente, algumas mudanças na proposta.

No entanto, para sua própria surpresa, nada disso aconteceu.

A reunião foi muito mais tranquila do que imaginara.

A equipe responsável pela administração do haras recebeu a proposta da Celebrare Eventos com interesse e, depois de analisarem os detalhes, concordou com os principais termos.

Thomas ainda fez alguns ajustes na negociação, respondeu às perguntas e apresentou algumas sugestões para melhorar a execução do evento.

No final, conseguiu exatamente o que queria.

O contrato estava fechado.

Ao sair do Haras Imperial, Thomas entrou no carro e permaneceu alguns segundos em silêncio.

Olhou para a fachada do lugar através do para-brisa e soltou um suspiro.

— Isso foi mais fácil do que eu esperava.

Uma pequena parte dele ficou aliviada.

Outra, entretanto, estava começando a se preocupar.

Silvia Marquês.

Thomas ligou o carro e seguiu de volta para a empresa.

Durante o trajeto, tentou se convencer de que não havia motivo para ficar pensando naquilo.

Era apenas uma aposta.

Uma brincadeira entre amigos.

Nada mais.

Mas, quanto mais tentava tratar a situação dessa maneira, mais difícil parecia.

Principalmente porque havia uma coisa que ele ainda não conseguia ignorar.

Silvia já havia despertado sua curiosidade antes mesmo daquela aposta.

E agora ele teria de descobrir se aquela curiosidade era apenas consequência do desafio ou se havia algo mais por trás dela.

Enquanto isso, na Celebrare Eventos, Artur Nogueira parecia incapaz de permanecer sentado.

Desde o momento em que Thomas saíra para a reunião, ele havia consultado o relógio tantas vezes que Albert já estava começando a perder a paciência.

— Você vai acabar gastando o relógio desse jeito — comentou Albert, sem tirar os olhos do computador.

Artur olhou para o próprio pulso.

— Estou esperando o Thomas.

— Ele foi fechar um contrato, não para uma cirurgia.

— Eu sei.

— Então relaxa.

Artur bufou

— Você acha que o Thomas vai conseguir, conquistar a Silvia?

Albert pensou por alguns segundos.

— Não sei, se ela vai querer algo com ele, o que sei é que ele tá levando a sério.

— Porque nunca vi Thomas tão interessado em uma mulher antes de sequer conhecê-la direito.

Artur soltou uma risada.

— Interessado? Ele só está curioso.

— Talvez.

Albert voltou ao computador.

Artur permaneceu em silêncio por alguns instantes.

A verdade era que ele também estava curioso.

Muito mais do que gostaria de admitir.

Aquela aposta havia começado como uma provocação, mas agora ele queria descobrir até onde Thomas seria capaz de chegar.

Principalmente porque Silvia Marquês não parecia ser uma mulher fácil de impressionar.

E Artur conhecia bem o amigo.

Thomas estava acostumado a conseguir o que queria.

A questão era saber o que aconteceria quando encontrasse alguém que não estivesse disposta a facilitar as coisas.

Foi nesse momento que Artur ouviu passos no corredor.

Levantou-se imediatamente.

Thomas apareceu na porta da sala.

Artur praticamente correu até ele.

— E então?

Thomas nem teve tempo de colocar a pasta sobre a mesa.

— Bom dia para você também.

— Não muda de assunto. Como foi?

— Artur...

— Eles aceitaram?

Thomas soltou um suspiro.

— Se você continuar fazendo uma pergunta atrás da outra, não vai me dar tempo de responder.

Artur cruzou os braços.

Finalmente ficou em silêncio.

Thomas colocou a pasta sobre a mesa e abriu um pequeno sorriso.

— Sim. Eles aceitaram.

Por um instante, Artur permaneceu parado.

Então abriu um sorriso enorme.

— Eu sabia!

— O que você sabia?

— Que você conseguiria.

Thomas ergueu uma sobrancelha.

— Há cinco minutos você estava andando de um lado para o outro porque achava que eu poderia perder.

— Isso é preocupação de amigo.

— Claro.

Artur deu um tapinha no ombro dele.

— Parabéns, cara.

Thomas assentiu.

— Obrigado.

— Agora vamos mudar o assunto dessa conversa.

O sorriso de Thomas desapareceu.

— Eu sabia que você ia começar dinovo com isso.

— A aposta. disse Artur.

Thomas passou a mão pelo rosto.

— Não começa.

— Calma. Não precisa ficar nervoso.

— Eu não estou nervoso.

Artur o encarou.

— Está, sim.

— Não estou.

— Está.

Thomas apontou para ele.

— Só estou irritado porque você não consegue falar de outra coisa.

Artur riu.

— Porque agora você não tem mais como fugir.

Thomas se sentou atrás da mesa.

— Eu nunca disse que iria fugir.

— Ótimo.

Artur puxou uma cadeira e se sentou à frente dele.

— Então vamos começar.

Thomas fechou os olhos por alguns segundos.

— Começar o quê?

— Nosso estudo de caso.

— Estudo de caso?

— Silvia Marquês.

Thomas soltou uma risada incrédula.

— Você realmente está levando isso a sério.

— É claro que estou.

— Eu tenho trabalho para fazer.

— E eu também. Mas uma coisa não impede a outra.

Thomas balançou a cabeça.

— Você é impossível.

Artur apoiou os braços sobre a mesa.

— Vamos lá. O que você sabe sobre ela?

Thomas ficou em silêncio.

A pergunta parecia simples.

Mas ele percebeu que sabia muito pouco.

— Sei que trabalha aqui.

— Isso eu também sei.

— Sei que é competente.

— Mais alguma coisa?

Thomas hesitou.

— Que é reservada.

Artur sorriu.

— Continue.

— Não gosta de chamar atenção.

— Certo.

— E parece desconfiar de mim.

— Essa é uma informação importante.

Thomas lançou-lhe um olhar.

— Por quê?

— Porque significa que você vai precisar se esforçar.

— Obrigado pela análise brilhante.

Artur ignorou a ironia.

— Ela tem amigas?

Thomas pensou.

— Não sei.

— Sai para festas?

— Não sei.

— Namora alguém?

Thomas levantou os olhos.

— Também não sei.

Artur ficou pensativo.

— Então precisamos descobrir.

Thomas imediatamente percebeu para onde aquilo estava indo.

— Não.

— O quê?

— Nem pense nisso.

— No quê?

— Em começar a investigar a vida dela como se ela fosse uma suspeita.

Artur riu.

— Eu só quero entender o desafio.

— O desafio é você me deixar resolver isso sozinho.

— Impossível.

Nesse momento, Albert entra na conversa.

— Vocês ainda estão falando disso?

Artur apontou para Thomas.

— Ele está tentando desistir.

— Eu não estou tentando desistir.

Albert observa-os.

— Então qual é o problema?

Thomas olhou para os dois.

— Vocês estão tratando uma mulher como se ela fosse uma missão empresarial.

Albert deu um pequeno sorriso.

— Talvez porque você tenha aceitado uma aposta envolvendo justamente uma mulher.

Thomas ficou sem resposta.

Artur aproveitou.

— E já que você está tão preocupado com ela, vamos estabelecer algumas regras.

— Regras?

— Sim. Primeiro: nada de mentiras.

Thomas assentiu.

— Concordo.

— Segundo: nada de pressionar Silvia.

Thomas assentiu novamente.

— Concordo.

— Terceiro: se ela deixar claro que não quer sair com você, acabou.

Thomas olhou para Artur com surpresa.

— Essa regra eu não esperava.

Artur deu de ombros.

— Eu posso ser um idiota, mas não sou um monstro.

Albert soltou uma risada.

— Essa foi inesperadamente sensata.

Artur apontou para Thomas.

— O objetivo é conquistar, não obrigar ninguém a nada.

Thomas relaxou um pouco.

— Então estamos de acordo.

— Estamos.

Artur se levantou.

— Agora só precisamos observar.

Thomas franziu a testa.

— Observar?

— Na hora do almoço.

— Você está falando sério?

— Muito.

— Artur, temos um evento enorme para organizar.

— E justamente por isso precisamos almoçar. Ninguém trabalha sem comer.

Thomas suspirou.

— Você já planejou tudo.

— Claro.

Albert balançou a cabeça, divertido.

— Eu quero muito ver onde isso vai dar.

Artur caminhou até a porta.

— Meio-dia.

Thomas olhou para ele.

— Eu não prometi que vou.

Artur sorriu.

— Vai sim.

— Como você sabe?

— Porque agora você também quer descobrir quem é Silvia Marquês.

Thomas ficou em silêncio.

Artur e Albert saíram.

A frase permaneceu na sala.

Porque, no fundo, Thomas sabia que o amigo estava certo.

Ele queria descobrir.

E era exatamente isso que o preocupava.

Pouco antes do meio-dia, Thomas tentou se concentrar no trabalho.

Abriu alguns documentos do evento do Haras Imperial.

Leu um relatório.

Depois outro.

Tentou organizar algumas informações.

Mas sua atenção continuava escapando.

Quando percebeu, estava olhando para o relógio.

11h43.

— Ainda falta.

Voltou aos documentos.

11h51.

Thomas fechou a pasta.

— Isso é ridículo.

Não sabia por que estava tão ansioso.

Não era como se fosse encontrar Silvia pela primeira vez.

Já havia conversado com ela, antes coisas de trabalho.

Já havia percebido que ela era diferente, porém competente no requisito trabalho.

Mas agora existia uma intenção por trás daquele encontro, que não era sobre trabalho.

E isso mudava tudo.

Às 11h58, Artur apareceu novamente.

— Vamos?

Thomas levantou os olhos.

— Você não desiste mesmo.

— Nunca.

Os dois seguiram para o restaurante do prédio.

Albert acabou acompanhando-os.

— Eu só vim para garantir que vocês não façam nenhuma besteira — justificou.

— Claro — respondeu Artur. — Você veio assistir.

— Também.

Thomas balançou a cabeça.

Os três entraram no restaurante e escolheram uma mesa em um ponto que permitia observar boa parte do salão sem chamar muita atenção.

Artur olhou ao redor.

— Agora é só esperar.

Thomas tentou parecer indiferente.

— Não estou esperando ninguém.

Albert riu.

— Claro que não.

Alguns minutos se passaram.

Thomas começou a relaxar.

Talvez Silvia nem aparecesse.

Talvez aquele plano fosse tão absurdo quanto parecia.

Talvez...

Então a porta do restaurante se abriu.

Thomas levantou os olhos.

E parou.

Silvia Marquês havia acabado de entrar, e ela é realmente bonita.

Ela caminhava tranquilamente pelo salão, carregando uma pequena bolsa e procurando uma mesa disponível.

Thomas não disse nada.

Artur percebeu imediatamente a mudança na expressão do amigo.

Inclinou-se discretamente em sua direção.

— É ela.

Thomas continuou olhando.

Pela primeira vez, não havia uma negociação, um contrato ou uma estratégia profissional diante dele.

Era apenas Silvia.

E, naquele instante, Thomas percebeu algo que o deixou ainda mais inquieto.

Ele não estava olhando para ela como quem observa uma aposta.

Estava olhando porque queria conhecê-la.

De verdade.

Silvia escolheu uma mesa um pouco mais afastada e se sentou sozinha.

Thomas acompanhou cada movimento dela sem perceber.

Até que Artur murmurou:

— Agora é com você.

Thomas virou-se para o amigo.

— O quê?

Artur sorriu.

— Você queria saber como começar.

Thomas voltou os olhos para Silvia.

Ela estava sozinha.

Era a oportunidade perfeita.

Mas, de repente, toda a confiança que costumava acompanhá-lo desapareceu.

Pela primeira vez em muito tempo, Thomas Tavares Júnior não sabia exatamente o que fazer.

E talvez o mais estranho de tudo fosse que, naquele momento, ele não queria usar nenhum de seus velhos truques de sedução.

Queria apenas descobrir quem era aquela mulher.

Thomas respirou fundo.

Levantou-se.

E caminhou na direção da mesa de Silvia.

Sem imaginar que aquela simples aproximação seria o primeiro passo de uma história que nenhum dos três amigos havia previsto.

Porque, naquela aposta, talvez Thomas não fosse o único a correr riscos.

E Silvia Marquês estava prestes a descobrir que o homem que se aproximava dela carregava uma intenção que ela jamais poderia imaginar.

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