LOGINCapítulo 5
Uma Dúvida Incômoda Silvia Silvia permaneceu sentada por alguns instantes depois que Thomas deixou o restaurante. Seus olhos acompanharam o movimento dele até que desaparecesse pela porta de entrada. Só então percebeu que ainda segurava o copo entre os dedos, embora já não tivesse intenção alguma de beber. Piscou algumas vezes, como se precisasse voltar à realidade. O que tinha acabado de acontecer? Ela olhou para a cadeira vazia à sua frente. Thomas Tavares Júnior havia acabado de sair dali depois de um almoço que, até poucos minutos antes, deveria ser apenas mais uma refeição durante um dia de trabalho. Mas alguma coisa naquela conversa tinha mudado completamente a maneira como ela enxergava aquele encontro. Ele havia se aproximado sem que ela esperasse. Sentado à sua mesa. Conversado com ela. Demonstrado uma atenção que não parecia existir antes. E, para completar, havia sugerido que almoçassem juntos novamente. Silvia soltou o ar lentamente. Aquilo não fazia sentido. — Não pode ser... Murmurou tão baixo que ninguém ao redor poderia ouvi-la. Passou uma das mãos pelo cabelo, tentando organizar os pensamentos. Talvez estivesse interpretando tudo errado. Era possível. Muito possível. Thomas poderia simplesmente ter sido gentil. Afinal, eles eram colegas de trabalho e estavam envolvidos profissionalmente com o mesmo evento. Havia uma razão perfeitamente normal para que conversassem. Mas havia algo naquela conversa que não combinava com uma simples gentileza. O olhar dele. A maneira como prestava atenção ao que ela dizia. A forma como parecia procurar alguma reação sua. E, principalmente, aquela sugestão de que voltariam a almoçar juntos. Silvia franziu a testa. Eles nem sequer tinham combinado quando seria. Thomas apenas falara como se aquilo fosse acontecer naturalmente. Ela deveria ter recusado? Talvez. Na verdade, talvez tivesse sido mais sensato recusar. Silvia pegou novamente o copo e tomou um pequeno gole, mas o sabor da bebida parecia ter desaparecido completamente. Sua cabeça estava ocupada demais. Por que ele estava fazendo aquilo? Ela conhecia a reputação de Thomas dentro da empresa. Sabia que era um homem confiante, acostumado a chamar atenção e a circular com facilidade entre as pessoas. Mas nunca havia tido proximidade suficiente com ele para entender suas intenções. E era justamente isso que a deixava desconfortável. Não conseguia encontrar uma explicação lógica para aquele súbito interesse. Talvez houvesse alguma coisa por trás daquela aproximação. Ou talvez Thomas estivesse apenas sendo atencioso com uma colega de trabalho. Silvia soltou um suspiro. — O que esse homem quer? A pergunta escapou de seus lábios. Mas ela não tinha resposta. Olhou novamente para a porta. Por um instante, desejou que ele voltasse. A ideia surgiu tão rapidamente que ela mesma se assustou. — Não. Balançou a cabeça. Não podia começar a criar expectativas por causa de uma conversa. Precisava manter os pés no chão. Afinal, Thomas era apenas um colega de trabalho. Um colega que, até pouco tempo atrás, mal fazia parte de sua rotina. Silvia levantou-se, ajeitou a bolsa no ombro e deixou o restaurante. Enquanto caminhava de volta para a Celebrare Eventos, tentou convencer a si mesma de que aquele almoço não significava nada. Mas, no fundo, sabia que alguma coisa havia mudado. Só ainda não sabia o quê. Thomas Do lado de fora do restaurante, Thomas levou um tempinho mais do que necessário para caminhar em direção ao carro, tentava assimilar tudo o que havia feito minutos antes lá dentro, Artur e Albert ja tinham ido embora, . O movimento da rua era intenso. Pessoas passavam apressadas pelas calçadas, carros atravessavam a avenida e o ruído da cidade preenchia o ambiente. Nada disso, porém, parecia chamar sua atenção. Sua mente continuava dentro daquele restaurante. Com Silvia. Ele abriu a porta do carro, mas antes de entrar ficou parado por alguns segundos. Passou a mão pelo rosto e soltou um suspiro. — Que droga... Aquilo estava começando a sair do controle. A aposta deveria ser simples. Conquistar Silvia. Provar a Artur que era capaz de cumprir o desafio. E, de quebra, conseguir aquilo que havia sido colocado em jogo. Nada além disso. Pelo menos era assim que deveria ser. Thomas entrou no carro e fechou a porta. Permaneceu sentado por alguns segundos, olhando para frente. Por que aquele almoço havia sido tão diferente? Silvia não tinha feito nada extraordinário. Não tentara impressioná-lo. Não havia demonstrado interesse exagerado. Na verdade, fizera justamente o contrário. Ela parecia desconfortável com a atenção dele. E talvez fosse exatamente aquilo que o estivesse intrigando. Thomas estava acostumado com mulheres que facilitavam as coisas. Silvia não. Ela não tentava agradá-lo. Não procurava chamar sua atenção. Não parecia interessada em prolongar a conversa. E, de alguma maneira, aquilo fazia com que ele quisesse continuar perto dela. Era absurdo. Ele ligou o carro e saiu do estacionamento. Enquanto dirigia, uma imagem voltou à sua mente. Os olhos de Silvia. Aquela expressão confusa. A maneira como ela o observava, como se tentasse entender por que ele havia escolhido justamente a sua mesa. Thomas apertou o volante. Não queria pensar nisso. Não deveria pensar nisso. Mas quanto mais tentava afastar a lembrança, mais nítida ela ficava. E havia outra coisa que o incomodava ainda mais. Pela primeira vez, Thomas começou a se perguntar se a aposta realmente era o único motivo pelo qual queria continuar se aproximando de Silvia. A pergunta permaneceu em sua cabeça durante todo o caminho de volta à Celebrare Eventos. Assim que entrou na empresa, Thomas tentou agir como se nada tivesse acontecido. Cumprimentou alguns funcionários pelo caminho e seguiu em direção à sua sala. Não chegou a dar muitos passos. — E então? A voz de Artur veio atrás dele. Thomas parou. Fechou os olhos por um instante antes de se virar. Artur estava parado alguns metros atrás, com os braços cruzados e um sorriso provocador no rosto. Albert estava ao lado dele, observando a situação com uma expressão divertida. — E então o quê? — Thomas perguntou. Artur soltou uma risada. — Não se faça de desentendido. Nós estávamos no mesmo restaurante. Thomas lançou um olhar rápido para os dois. — Vocês não tinham nada melhor para fazer? — Na verdade, tínhamos — respondeu Albert. — Mas acompanhar você tentando conversar com Silvia acabou sendo mais interessante. Thomas revirou os olhos. — Vocês são dois idiotas. — Pode ser — Artur respondeu, divertido. — Mas não fomos nós que levantamos da nossa mesa para ir atrás dela. Thomas ficou em silêncio. Artur percebeu imediatamente. — Então? — Então o quê? — Você não nos contou, o quê conversaram? Thomas soltou um suspiro. — Foi um almoço! . — Eu sei que foi um almoço. Quero saber o que aconteceu. — Conversamos. — E? Thomas passou a mão pela nuca. — E nada. Albert soltou uma pequena risada. — Nada? Thomas o encarou. — Exatamente. Artur estreitou os olhos. — Você está escondendo alguma coisa. — Não estou. — Está, sim. Thomas retomou o caminho para sua sala, mas os dois o acompanharam. — Você sabe que eu conheço você há tempo suficiente para perceber quando alguma coisa mexe com a sua cabeça — comentou Artur. Thomas parou novamente. — Nada mexeu comigo. Artur sustentou o olhar do amigo. — Tem certeza? Por alguns segundos, Thomas não respondeu. A lembrança do olhar de Silvia voltou à sua mente. Aquela expressão confusa. A maneira como ela parecia não entender por que ele havia se aproximado. E, principalmente, aquela sensação estranha que havia experimentado durante a conversa. Ele desviou os olhos. — Absoluta. Artur sorriu de lado. — Então ótimo. Thomas franziu a testa. — Ótimo por quê? — Porque, se você ainda está tão seguro assim, a aposta continua de pé. Thomas ficou em silêncio. Aquelas palavras deveriam ter lhe devolvido a segurança. Afinal, era disso que se tratava. Uma aposta. Um desafio. Uma questão de orgulho. Mas, pela primeira vez, a lembrança da aposta não trouxe a satisfação de antes. Trouxe uma sensação incômoda. Como se alguma coisa estivesse começando a escapar de suas mãos. Naquela tarde, Silvia tentou se concentrar no trabalho. Abriu documentos, respondeu mensagens e revisou os detalhes relacionados ao evento do Haras Imperial. Tudo deveria estar perfeitamente sob controle. Mas não estava. Sua concentração desaparecia sempre que a lembrança do almoço voltava. Em determinado momento, abriu a agenda para conferir os próximos compromissos. Havia reuniões, telefonemas e uma série de tarefas que precisavam ser concluídas antes da realização do evento. Silvia passou os olhos pelas anotações. Então parou. Thomas. O nome dele não estava escrito em lugar algum, mas foi exatamente nele que pensou. Eles voltariam a se encontrar. Talvez em uma reunião. Talvez pelos assuntos relacionados ao Haras Imperial. Talvez em outro almoço. A última possibilidade fez seu coração acelerar levemente. Silvia fechou a agenda. — Não. Precisava parar. Thomas poderia estar apenas brincando. Poderia estar tentando impressioná-la. Poderia simplesmente ter algum interesse passageiro. Ela não o conhecia o suficiente para confiar nele. E talvez fosse justamente isso que deveria fazer. Manter distância. Ser profissional. Não criar expectativas. Então pegou suas coisas e saiu, já era fim de expediente mesmo, dessa vez ela, não iria ficar na empresa e ser a última a sair como sempre fazia, estava confusa e cheia de dúvidas precisava pensar em casa. Em casa, Silvia havia chegado a algumas horas atrás. Estava ali jogada no sofá a um bom tempo. Silvia levantou-se e caminhou até a janela. Lá fora, o fim da tarde começava a pintar o céu com tons dourados. A movimentação da cidade continuava intensa, indiferente aos pensamentos que ocupavam sua cabeça. Ela ficou alguns segundos observando o movimento. Sentia uma estranha sensação de que alguma coisa estava prestes a acontecer. Não sabia o quê. Só sabia que, depois daquele almoço, alguma coisa havia mudado. Talvez em Thomas. Talvez nela. Ou talvez nos dois. Seu celular vibrou sobre a mesa. Silvia voltou-se rapidamente. Pegou o aparelho. Por alguns segundos, apenas olhou para a tela. Era uma mensagem de Thomas. Seu coração acelerou. Não havia nada de estranho naquilo. Os dois já tinham o contato um do outro porque trabalhavam na mesma empresa e precisavam manter comunicação sobre questões profissionais, especialmente por causa da organização do evento no Haras Imperial. Ainda assim, ver o nome dele na tela fez seu estômago se contrair. Ela abriu a mensagem. Thomas: Espero que tenha chegado bem. Silvia ficou imóvel. Leu novamente. Não havia nenhuma declaração. Nenhuma cantada. Nenhuma tentativa evidente de sedução. Era apenas uma frase simples. Mesmo assim, conseguiu provocar um pequeno sorriso involuntário. Ela começou a responder. Parou. Apagou. Escreveu novamente. Parou outra vez. No fim, enviou apenas: Silvia: Cheguei, sim. Obrigada. Colocou o celular sobre a mesa. Dois segundos depois, o aparelho vibrou novamente. Silvia olhou. Thomas: Fico feliz. E sobre aquele almoço... acho que ficou uma conversa pendente. O sorriso desapareceu lentamente. Silvia sentiu o coração bater mais forte. Ficou olhando para a mensagem sem saber o que responder. Uma parte dela queria acreditar que Thomas estava apenas sendo gentil. Outra parte queria descobrir até onde aquela aproximação poderia chegar. Mas havia uma terceira parte, a que ela tentava ignorar, que começava a desejar que aquele homem estivesse realmente interessado nela. Silvia respirou fundo e bloqueou a tela do celular. Não responderia naquele momento. Precisava pensar. Precisava entender o que estava acontecendo. E, principalmente, precisava descobrir por que uma simples mensagem de Thomas havia sido capaz de mexer tanto com ela. Do outro lado da cidade, Thomas também permanecia diante do celular, esperando uma resposta que não chegava. Ele havia enviado aquela mensagem sem pensar muito. Ou pelo menos era o que tentava dizer a si mesmo. Mas sabia que não era verdade. Não precisava perguntar se ela havia chegado bem. Não precisava falar sobre o próximo almoço. E, ainda assim, fizera as duas coisas. Thomas apoiou o celular sobre a mesa e recostou-se na cadeira. O silêncio da sala parecia aumentar a inquietação que sentia. A aposta continuava. Silvia continuava sendo o desafio. Tudo deveria ser simples. Enquanto isso, em seu apartamento, Silvia olhava para o celular outra vez. A mensagem continuava ali. Ela passou o dedo sobre a tela, abriu a conversa e releu aquelas poucas palavras. Um sorriso discreto surgiu em seus lábios. Então desapareceu. Porque, junto com aquele sorriso, surgiu uma pergunta que ela não conseguia afastar: E se Thomas realmente estivesse interessado nela? Silvia fechou os olhos. No fundo, porém, havia uma pergunta ainda mais perigosa. E se ela começasse a se interessar por ele também? Nenhum dos dois tinha ideia de que aquela dúvida seria apenas o começo de algo muito maior. E que, em breve, descobrir a verdade sobre aquela aproximação poderia doer muito mais do que qualquer um deles imaginava.CAPÍTULO 25 Uma visita inesperadaDois dias haviam se passado desde a conversa que Thomas tivera com Albert.Dois dias desde que ouvira do amigo aquilo que, no fundo, já começava a suspeitar.Talvez estivesse envolvido demais.Talvez Silvia já não fosse apenas o nome de uma aposta.E, quanto mais pensava nisso, mais difícil ficava continuar fingindo que tudo aquilo ainda era apenas um jogo.Naquela manhã, Thomas tomou uma decisão.Se havia uma coisa da qual tinha certeza, era de que não queria transformar Silvia em uma lembrança amarga.Se, algum dia, ela descobrisse a verdade sobre a aposta e tudo entre eles terminasse, ele queria que, ao menos, as lembranças que construíssem juntos fossem boas.Não queria que Silvia se lembrasse dele como o homem que brincou com seus sentimentos.Queria que ela se lembrasse dos momentos em que sorriu.Das conversas.Dos pequenos gestos.Do frio na barriga.Dos olhares demorados.Do beijo.Talvez fosse uma for
CAPÍTULO 24 O que ja não dava para esconderNa manhã seguinte, Thomas chegou àCelebrare Eventos alguns minutos antes do horário habitual.Dormira pouco.Não porque estivesse preocupado com o trabalho, com o contrato do Haras Imperial ou com os detalhes do grande evento que aconteceria no fim de semana.Sua cabeça insistia em voltar para uma única pessoa.Silvia.Por mais que tentasse se concentrar em outras coisas, lembrava-se dela com uma facilidade quase irritante.O jeito como ela franzia a testa quando estava concentrada.A maneira como desviava os olhos quando ficava sem graça.O sorriso discreto que surgia quando alguma coisa realmente a divertia.E, principalmente, a forma como ela havia conseguido entrar em seus pensamentos sem pedir licença.Thomas entrou em sua sala, deixou a pasta sobre a mesa e respirou fundo.Precisava trabalhar.Naquele dia, não haveria espaço para distrações.Ou pelo menos era isso que pretendia acreditar.Não demorou muito para
CAPÍTULO 23 O que Artur não queria enxergarArtur dirigia pelas ruas de Santa Aurora sem prestar muita atenção ao caminho.As mãos permaneciam firmes no volante, mas sua cabeça estava longe dali.Ainda conseguia ouvir a voz de Thomas.“Eu não quero machucá-la.”A frase voltava à sua mente repetidamente, irritando-o cada vez mais.Durante quinze anos de amizade, Artur nunca tinha se sentido tão decepcionado com Thomas.E talvez fosse justamente isso que mais o incomodasse.Não era apenas a aposta.Era a sensação de que, pela primeira vez, Thomas havia colocado alguma coisa acima da amizade dos três.Artur sabia que estava sendo egoísta.No fundo, sabia.Mas admitir isso não tornava o sentimento menos verdadeiro.Desde que os três se conheceram, havia uma espécie de pacto silencioso entre eles. Podiam discutir, provocar uns aos outros, fazer apostas idiotas e até passar alguns dias sem se falar depois de uma briga mais séria. No final, porém, sempre voltavam
CAPÍTULO 22 Entre a amizade e a culpaArtur ainda parecia incapaz de acreditar no que acabara de ouvir.Thomas realmente estava pensando em desistir.A ideia, por si só, parecia absurda para ele.Durante todos os anos de amizade, Artur nunca tinha visto Thomas hesitar diante de um desafio. Muito menos quando o desafio envolvia uma mulher. Thomas sempre fora seguro de si, determinado e, quando colocava alguma coisa na cabeça, dificilmente voltava atrás.Mas, daquela vez, havia alguma coisa diferente.E Artur não gostava nem um pouco disso.Ele observava o amigo sentado no sofá, com os cotovelos apoiados nos joelhos e o olhar perdido em algum ponto do chão. Thomas parecia cansado. Não apenas fisicamente. Havia uma espécie de peso em sua expressão que Artur não conseguia compreender — ou talvez simplesmente não quisesse compreender.Para ele, aquilo era muito mais simples.Havia uma aposta.Havia um prazo.E havia um acordo entre amigos.O resto, na cabeça
CAPÍTULO 21 RecuarComo havia combinado com os amigos, Thomas deixou a Celebrare Eventos mais cedo naquela noite. Não havia nenhum compromisso profissional que justificasse a pressa, mas, desde o momento em que entrou no carro, uma inquietação o acompanhava.Queria resolver aquilo.Precisava resolver.Seu apartamento não era exatamente o tipo de lugar preparado para receber visitas. Um homem solteiro que passava boa parte do tempo fora de casa e fazia suas principais refeições em restaurantes não costumava manter uma despensa abastecida. Nos armários havia algumas latas, alimentos instantâneos, pacotes esquecidos de salgadinhos e pouco mais. Na geladeira, bebidas ocupavam um espaço muito maior do que qualquer comida de verdade.Thomas parou diante da geladeira aberta e soltou um suspiro.— Patético.Fechou a porta e pegou o celular.Antes de ligar para os amigos, decidiu passar em um mercado. Comprou cervejas, refrigerantes, peti
CAPÍTULO 20 Feridas que não cicatrizam Ele era como um Monet.Uma obra de arte que, quando observada de perto, parecia impossível de compreender por completo, mas que, vista à distância certa, revelava uma beleza quase perfeita.Era assim que eu enxergava Thomas.Uma obra de arte que eu não sabia como tocar sem correr o risco de destruí-la. Um homem que parecia ter sido feito para pertencer a um mundo ao qual eu jamais teria acesso.E talvez fosse exatamente por isso que eu precisava manter distância.Eu não podia tê-lo.Não podia segurá-lo entre as minhas mãos e acreditar que ele permaneceria ali, porque, mais cedo ou mais tarde, eu acabaria abrindo os dedos e o perderia por entre eles.Talvez aquilo que Thomas sentia por mim fosse apenas curiosidade.Talvez fosse atração.Talvez fosse apenas o resultado de uma situação que havia fugido do controle.Mas, fosse o que fosse, eu sabia que terminaria.Quando ele finalmente enxergasse a minha realidade







