LOGINClara Valença já foi uma das modelos mais famosas do país e ajudou o marido, Eduardo, a transformar a empresa da família em uma marca milionária. Quinze anos depois, seu corpo mudou. Clara engordou e Eduardo passou a tratá-la como se a mulher que ele amava tivesse desaparecido junto com a cintura de modelo. Vieram as dietas sugeridas, os comentários sobre “saúde” e, por fim, a humilhação: Clara é retirada das campanhas da própria empresa e substituída por Bianca, uma modelo jovem, magra e perfeita para a nova fase da marca. Só que Bianca não tomou apenas o lugar dela nos anúncios. Também tomou seu lugar na cama de Eduardo. Clara pede o divórcio e promete uma coisa: não vai sair daquela história como a esposa gorda que foi trocada e esquecida. É então que surge Tomás Ferraz, bilionário e dono da farmacêutica responsável pela nova caneta emagrecedora que Eduardo precisa desesperadamente para fechar o maior negócio de sua vida. E Tomás não quer Clara vinte quilos mais magra. Ele a quer exatamente como ela é. Melhor ainda: ele coloca Clara no comando da estratégia do novo medicamento, dando a ela poder justamente sobre a campanha estrelada por Bianca. Agora Eduardo terá de assistir à mulher que descartou recuperar seu lugar, ser desejada por um homem ainda mais poderoso e decidir o futuro do negócio que ele mais quer. Clara não sabe se vai emagrecer, mas de uma coisa ela tem certeza: seu ex ainda vai se arrepender de tê-la trocado.
View MoreClara percebeu que havia alguma coisa errada antes mesmo de Eduardo abrir a boca. Não foi nada escancarado. Ninguém parou de falar quando ela entrou, ninguém fechou uma pasta às pressas, ninguém fez cara de culpa. Foram só alguns olhares rápidos demais, seguidos daquele esforço constrangedor de parecer natural.
Ela conhecia aquilo. Tinha passado metade da vida entrando em estúdios, castings, camarins e reuniões onde pessoas decidiam, em poucos minutos, se o rosto dela ainda servia para vender alguma coisa. Só não estava acostumada a sentir a mesma coisa dentro da própria empresa.
— Desculpem o atraso. A Marginal estava um inferno.
Deixou a bolsa sobre uma cadeira e se sentou. Eduardo ergueu os olhos do notebook e respondeu um “tudo bem” seco, sem sequer sorrir. Na tela enorme à frente da mesa estava o logotipo da Valenne sobre um fundo bege. Abaixo, uma frase que Clara nunca tinha visto:
UM NOVO CORPO. UMA NOVA VIDA.
Ela franziu a testa.
— Mudaram o slogan?
Marcelo, diretor de marketing, olhou para Eduardo antes de responder.
— É só um conceito para a campanha.
— Eu sei o que é um conceito, Marcelo.
Ele deu uma risada curta, mais nervosa do que divertida.
Clara então reparou que havia gente demais naquela sala para uma apresentação preliminar. Duas mulheres da agência, o jurídico, Marcelo, dois executivos que ela conhecia de vista, Eduardo e uma jovem sentada perto da janela. A garota era tão bonita que Clara demorou um segundo a reconhecê-la fora das fotos.
Bianca Nogueira.
Modelo, influenciadora, quase oito milhões de seguidores, campanhas de lingerie, maquiagem e academia. Tinha também um namoro muito público com um jogador de futebol e, se Clara não estava enganada, uma passagem recente por algum reality show. Ao vivo, parecia ainda mais jovem. Devia ter uns vinte e cinco anos, cabelos castanhos compridos, pele impecável e uma cintura minúscula dentro de um vestido branco.
Quando percebeu que estava sendo observada, Bianca sorriu.
Clara sorriu de volta.
— Podemos começar?
— Claro — respondeu Eduardo.
Marcelo se levantou, pegou o controle da apresentação e foi direto ao ponto.
— Como vocês sabem, a Valenne está entrando numa fase de reposicionamento.
— Outra? — Clara perguntou.
Marcelo riu.
— Dessa vez é maior.
— Espero. O último custou seis milhões.
Uma das mulheres da agência abaixou o rosto para esconder um sorriso. Eduardo lançou para Clara aquele olhar que ela conhecia bem. Antigamente, ele adorava quando ela fazia piada nas reuniões. Dizia que Clara era a única pessoa capaz de impedir uma sala cheia de executivos de se levar a sério demais. Nos últimos meses, porém, qualquer brincadeira parecia cansá-lo.
— Estamos preparando a Valenne para ampliar bastante a atuação — Marcelo continuou. — Saúde, bem-estar, controle metabólico, nutrição...
Clara assentiu. Essa parte ela conhecia. A empresa vinha negociando havia meses com a Ferraz Biopharma. Se o acordo desse certo, a Valenne entraria no mercado de medicamentos para controle de peso, começando por uma nova caneta que ainda nem tinha sido lançada oficialmente no país.
Eduardo falava daquele contrato todos os dias. No café, no carro, na cama. Às vezes Clara tinha vontade de perguntar se ele pretendia dormir com a tal caneta quando finalmente conseguisse a licença.
— E, para acompanhar essa expansão — Marcelo disse —, precisamos atualizar a comunicação da marca. Conversar com uma mulher mais atual.
Clara ergueu uma sobrancelha.
— Mulher mais atual?
— Com o público atual — ele corrigiu depressa.
— Melhor.
Eduardo soltou o ar pelo nariz.
— Clara.
— Estou quieta.
Marcelo apertou o controle, e a imagem na tela mudou.
Clara apareceu aos vinte e três anos.
Ela ficou olhando para a fotografia por alguns segundos. Lembrava perfeitamente daquele ensaio: deitada sobre um lençol branco, usando uma camisa masculina aberta até o umbigo, cabelo comprido espalhado pelo travesseiro, pernas finas e barriga lisa. Era a primeira grande campanha da Valenne.
Eduardo tinha ficado no estúdio até quase quatro da manhã. Eles nem eram casados ainda. Naquela época, a empresa ocupava duas salas alugadas e acumulava dívidas. Clara já trabalhava bastante como modelo e tinha sido ela quem convenceu uma agência importante a assumir a campanha cobrando quase nada. Ela mesma não cobrou.
A fotografia foi parar em outdoors, revistas e pontos de venda pelo país. As vendas dispararam nos meses seguintes.
— Por que estão mostrando isso? — perguntou.
Marcelo passou para a próxima foto. Clara aos vinte e seis. Depois aos vinte e oito. Trinta. Trinta e dois. Campanhas de perfume, maquiagem, shampoo, sérum, lingerie. Era estranho ver a própria vida resumida daquele jeito, como se alguém tivesse montado uma linha do tempo usando apenas versões bonitas e muito bem iluminadas dela.
Até aparecer a fotografia tirada dois meses antes, durante um evento da empresa.
Vestido verde, cabelo preso, brincos grandes.
Clara tinha gostado daquela foto quando viu. Continuava gostando, na verdade. Mas, colocada logo depois das outras, a intenção da apresentação ficava impossível de ignorar. O rosto estava mais redondo, os braços mais cheios, a cintura menos marcada. Não precisava de legenda.
Ela cruzou os braços.
— Nossa. Sutil.
Ninguém riu.
Eduardo se mexeu na cadeira.
— Não é isso.
— Então o que é?
Marcelo se adiantou.
— Não estamos fazendo uma comparação de corpos.
— Vocês acabaram de colocar quinze anos de fotos minhas em ordem cronológica.
— É sobre evolução da imagem da marca.
— Da minha imagem.
— Que sempre esteve muito associada à Valenne.
Clara olhou para ele.
— Porque a Valenne cresceu usando a minha cara.
A mulher da agência começou a mexer no tablet. O advogado passou a encarar uma pasta sobre a mesa como se tivesse encontrado ali a leitura do ano. Aquela tentativa coletiva de tratar a situação como uma decisão empresarial absolutamente normal começou a irritá-la mais do que as fotografias.
— Então qual é a proposta?
Marcelo voltou a olhar para Eduardo.
— Para de olhar para ele.
O diretor piscou.
— Como?
— Toda vez que eu faço uma pergunta, você olha para o Eduardo antes de responder.
Eduardo fechou o notebook.
— Porque fui eu quem pediu essa apresentação.
Clara virou o rosto devagar.
— Você pediu?
— Pedi.
— Ótimo. Então me explica você.
Por alguns segundos, Eduardo não falou. Estava bonito naquela manhã. Terno escuro, gravata azul, cabelo começando a ficar grisalho nas laterais. Aos quarenta e três anos, continuava sendo o tipo de homem que chamava atenção quando entrava num lugar, e fazia bastante esforço para continuar assim. Academia quase todos os dias, nutricionista, endocrinologista, dermatologista, corrida três vezes por semana.
Clara sabia porque era ela quem acordava com o alarme dele às cinco e meia da manhã.
— A Valenne está mudando — ele disse. — Precisamos de uma nova embaixadora para essa fase.
— No meu lugar.
— Não é pessoal.
Clara soltou uma risada curta.
— Eduardo, eu estou sentada numa sala vendo fotos de quando eu tinha vinte e três anos e pesava cinquenta e oito quilos. Como exatamente isso não é pessoal?
— Estou falando de negócio.
— Eu também. Eu coloquei dinheiro nessa empresa quando seu pai queria fechar as portas.
— Ninguém está apagando o que você fez.
— Não. Só estão apagando a minha cara.
Eduardo apertou os lábios.
Clara olhou ao redor da mesa e depois voltou os olhos para Bianca.
— É ela?
A jovem se ajeitou na cadeira, mas Eduardo respondeu primeiro.
— Bianca será a nova embaixadora.
— Entendi.
Bianca abriu a boca.
— Clara, eu...
— Você é linda.
Ela pareceu surpresa.
— Obrigada.
— Não precisa ficar nervosa. Eu não vou jogar água na sua cara.
— Clara — Eduardo disse, já impaciente.
— O quê?
— Não precisa constranger ninguém.
— Eu estou constrangendo alguém?
Bianca respirou fundo.
— Eu só não queria que você descobrisse desse jeito.
Clara ficou quieta por um instante.
— Descobrisse o quê?
Bianca olhou para Eduardo. Foi rápido, quase nada, mas Clara viu. Eduardo respondeu antes dela.
— Ela está falando da campanha.
— Eu perguntei para ela.
Bianca passou a língua pelos lábios.
— Da campanha. Foi isso que eu quis dizer.
Clara continuou olhando para os dois, tentando entender por que aquela resposta tinha lhe parecido errada. Não insistiu. Voltou para Marcelo.
— Continua.
A apresentação seguiu com números, faixa etária, engajamento, redes sociais. Bianca alcançava um público mais jovem. Clara, segundo um dos gráficos, conversava melhor com uma audiência “madura”. Aos trinta e oito anos, aparentemente já tinha sido promovida para outra geração.
Pegou o celular e abriu uma mensagem qualquer só para ter onde olhar. Por acidente, tocou na câmera frontal. Seu rosto apareceu na tela e ela fechou na mesma hora.
Não estava feia. Sabia disso. Tinha se arrumado naquela manhã, gostava daquela camisa de seda, o cabelo estava bom. Os brincos eram os mesmos que Eduardo lhe dera no décimo aniversário de casamento. Ainda assim, não conseguiu evitar pensar na sequência de fotografias.
Dezesseis quilos. Talvez dezessete.
Fazia meses que não se pesava.
Não gostava de admitir, nem para si mesma, que o assunto já vinha ocupando espaço demais em sua cabeça. Às vezes, uma roupa não fechava e ela ficava irritada pelo resto da manhã. Em outros dias, se arrumava, se olhava no espelho e pensava que estava bonita. O problema era que Eduardo parecia sempre encontrar alguma maneira de lembrá-la da diferença.
“Você não quer voltar para a nutricionista?”
“É pela sua saúde.”
“Talvez esse vestido não seja o melhor.”
Nunca dizia diretamente que ela estava gorda demais. Talvez porque soubesse que não precisava.
— Clara?
Ela levantou os olhos.
Uma das mulheres da agência sorria para ela com cuidado.
— Pensamos também em uma participação sua nessa transição.
— Como?
— Uma campanha de legado. Você apresentando a Bianca como a nova geração da Valenne.
Clara encarou a mulher por alguns segundos.
— Vocês querem que eu passe a faixa?
— Não exatamente.
— Parece bastante.
— Seria uma homenagem à sua trajetória.
Foi aí que a vergonha apareceu de verdade. Não por causa do peso, nem da foto atual, mas porque estavam falando dela como se tivesse morrido. Como se aqueles quinze anos fossem uma carreira encerrada e coubesse a ela sorrir, abraçar a substituta e agradecer pela homenagem.
Ela se levantou.
— Clara — Eduardo chamou.
Pegou a bolsa.
— Continuem.
— A reunião não acabou.
— Para mim acabou.
Eduardo também se levantou.
— Não faça isso.
Ela parou.
— Isso o quê?
Ele olhou rapidamente para as outras pessoas.
— Uma cena.
Clara demorou dois segundos para acreditar no que tinha ouvido.
— Eu não gritei.
— Não foi isso que eu quis dizer.
— Não chorei.
— Eu sei.
— Não mandei ninguém tomar no cu.
Marcelo virou o rosto, e uma das mulheres da agência mordeu os lábios para não rir.
Clara colocou a bolsa no ombro.
— Vocês me fizeram vir até aqui para assistir a uma retrospectiva de quando eu era magra e depois me explicaram que precisam de uma mulher mais atual. Acho que estou me comportando muito bem.
— Nós conversamos em casa.
— Claro que vamos.
Ela seguiu até a porta, mas antes de sair olhou mais uma vez para Bianca.
— Boa sorte com a campanha.
A jovem parecia ainda mais desconfortável.
— Obrigada.
Clara abriu a porta e seguiu pelo corredor. Ouviu Eduardo chamá-la, mas não parou. Foi até o elevador, apertou o botão e esperou. Quando as portas se abriram, entrou sozinha e só ali, sem a sala inteira olhando para ela, percebeu que suas mãos estavam tremendo.
Apertou o térreo.
As portas começaram a fechar, mas uma mão apareceu entre elas. Eduardo entrou e ficou ao lado dela.
— Você sabia disso há quanto tempo? — Clara perguntou.
— Da troca da campanha?
— É.
— Algumas semanas.
Ela virou para ele.
— Algumas semanas?
— Eu queria encontrar a melhor forma de conversar com você.
— E concluiu que a melhor forma era um PowerPoint.
— Não seja injusta.
Clara riu sem humor.
— Estou tentando bastante.
— Você está levando isso para um lado que não tem nada a ver.
— Qual lado?
— Nosso casamento.
Ela olhou para ele.
— Eu não falei do nosso casamento.
Eduardo ficou em silêncio.
A resposta chamou a atenção dela mais do que se ele tivesse discutido.
— Tem alguma coisa que eu deveria saber?
— Não começa.
— Eu fiz uma pergunta.
— E eu estou dizendo que não tem nada.
Clara o observou por alguns segundos. Quinze anos de casamento ensinavam muita coisa sobre uma pessoa. O jeito como mentia sobre ter esquecido de pagar alguma conta. O modo como ficava quando escondia uma surpresa. A expressão que fazia quando estava irritado e não queria admitir.
Aquilo ali ela ainda não sabia identificar.
O celular de Eduardo vibrou.
Ele o tirou do bolso quase por reflexo, e a tela acendeu.
Clara não estava tentando ler. Leu mesmo assim.
Bianca: Você disse que ia contar antes da reunião.
Eduardo virou o aparelho na mesma hora.
Clara olhou para ele.
— Contar o quê?
— Nada.
— Eduardo.
— Depois a gente conversa.
— Sobre o quê?
Ele guardou o celular no bolso.
— Não aqui.
As portas do elevador se abriram no térreo. Eduardo saiu primeiro, mas Clara ficou parada.
— Clara, vem.
Ela não se mexeu.
— O que você prometeu contar antes da reunião?
Eduardo olhou para ela e depois para as pessoas passando pelo saguão.
— Eu disse que a gente conversa em casa.
Clara apertou o botão para fechar as portas.
— Então conversa sozinho.
Dessa vez, Eduardo não conseguiu impedir que elas se fechassem.
Clara continuou olhando para o documento que Tomás havia colocado diante dela. A frase parecia simples, mas quanto mais ela a relia, mais difícil ficava ignorar o que significava: Eduardo não apenas havia escolhido Bianca para substituir sua esposa nas campanhas da Valenne; ele próprio havia pedido que ela fosse contratada.— Você tem certeza disso? — perguntou Clara, finalmente.— Tenho — respondeu Tomás. — O pedido partiu diretamente dele. A documentação deixa isso bastante claro.Clara passou os dedos pela borda da folha e respirou fundo. Até aquele momento, ainda conseguira manter uma pequena divisão dentro da própria cabeça. Havia o Eduardo marido, que a traíra e mentira para ela, e havia o Eduardo empresário, que tomava decisões ruins, mas que talvez tivesse agido apenas pensando na empresa. Era uma distinção c
Clara não esperou Eduardo chegar em casa para perguntar o que havia naquela mensagem. Assim que entrou no apartamento, deixou a bolsa sobre a bancada da cozinha e ficou alguns minutos andando de um lado para o outro, tentando decidir se queria mesmo ouvir a explicação. Parte dela ainda procurava uma saída mais confortável, alguma interpretação que não transformasse os últimos meses em algo pior do que já pareciam ser.Talvez Bianca estivesse falando apenas da campanha. Talvez Eduardo tivesse prometido contar alguma mudança no contrato antes da reunião. Talvez houvesse uma explicação perfeitamente banal para aquela intimidade.Clara sabia que estava mentindo para si mesma.Quando ouviu a porta abrir, pouco depois das oito, já estava sentada no sofá.Eduardo entrou tirando o paletó e afrouxando a gravata. Parecia cansado. Quando viu Clara e
Capítulo 8 — Se ela não emagrecerClara permaneceu diante do computador depois que a ligação com Tomás terminou. A tabela continuava aberta na página vinte e oito, com seu nome na primeira linha e uma expressão que, meia hora antes, não significaria absolutamente nada para ela.CLARA VALENÇA — PRÉ-APROVADA PARA TRIAGEM.Logo ao lado estava o nome de Eduardo como responsável pela indicação.Tomás havia prometido descobrir de onde aquela informação tinha saído e pediu que ela não fizesse nada até que a equipe da Ferraz verificasse o arquivo. Clara concordou, mas levou menos de cinco minutos para perceber que não tinha nenhuma intenção de esperar.Ligou para Eduardo.Ele atendeu rapidamente.— Oi.— O que significa “pré-aprovada para triagem”?Dessa vez, Eduardo não respondeu de imediato.— Do que você está falando?— Página vinte e oito do Projeto Clara. Meu nome está numa tabela de elegibilidade para o medicamento e você aparece como responsável pela indicação.— Clara, aquilo era só p
Capítulo 7 — O projeto que levava o nome delaClara leu o documento da Ferraz duas vezes antes de guardar o celular. Na primeira, prestou atenção apenas na parte que dizia que teria poder de aprovação sobre a comunicação da nova linha. Na segunda, percebeu que a proposta era ainda mais ampla: ela participaria da estratégia de posicionamento, poderia vetar campanhas que considerasse incompatíveis com as diretrizes do medicamento e teria acesso aos estudos de público usados pela Valenne na preparação do lançamento.Eduardo continuava à sua frente, incomodado.— Você não vai assinar isso sem falar comigo.Clara guardou o telefone na bolsa.— Engraçado. Eu estava justamente pensando em assinar sem falar com você.— Não estou brincando.— Nem eu.— Clara, esse projeto envolve a Valenne inteira. Não é uma consultoria qualquer que você aceita porque ficou feliz com um elogio.Ela respirou fundo. Eduardo estava fazendo de novo. Pegava alguma coisa que acontecia com ela e encontrava uma explic












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