Compartir

Capítulo 2: O Peso da Coroa

Autor: Ane Santos
last update Fecha de publicación: 2026-02-01 09:41:35

O barulho da lanchonete parecia distante enquanto eu mergulhava na conversa do grupo. Rafael ainda estava afastado, gesticulando nervosamente ao telefone, o que me deu tempo para desabafar com as únicas pessoas que realmente conheciam todos os meus lados.

— Eu achei que a prova fosse me matar, mas consegui terminar tudo. Acho que me saí bem — digitei, sentindo o peso dos ombros diminuir um pouco.

Vitória: — Que bom, sobrinha! Parabéns, você é uma guerreira.

— Obrigada, Vi. Você também é. E você, Laura? Como foi a sua prova? — perguntei, preocupada com a minha prima.

Laura: — Ah, foi mais ou menos... Eu não estudei muito, confesso. Mas acho que deu para passar.

— Tomara que sim, amiga. Você é muito inteligente, só precisa se dedicar mais — respondi, tentando ser o incentivo que ela não tinha em casa.

Laura: — Eu sei, eu sei. Mas é que os problemas lá em casa não param... Você sabe como é. Meu pai está pegando muito no meu pé, tudo por culpa do Arthur. Agora que ele é o "Coringa", o clima lá está insuportável.

— Eu te entendo perfeitamente — suspirei, olhando de soslaio para Rafael, que ainda não tinha voltado. — Mas não desiste dos seus sonhos, tá? Você pode ser o que quiser, independente do que eles fazem.

Vitória: — Falou tudo! Eu estou em casa agora, descansando um pouco antes de ir para o trabalho. Helena, você vem para a posse hoje?

— Eu estou na lanchonete perto da faculdade, esperando o Rafael para almoçar. Ainda não decidi sobre a posse... — digitei, mas meu pensamento voou para o olhar de Arthur naquela manhã.

Rafael voltou para a mesa, guardando o celular às pressas. Ele parecia pálido.

— Tudo bem, amor? — perguntei, deixando o meu celular de lado.

— Tudo, tudo sim. Só problemas na empresa do meu pai. Coisa de herança, sabe como é... — Ele forçou um sorriso e segurou minha mão. — Mas e você? Como foi a prova de Direito Penal?

— Foi boa. Ironicamente, o professor usou exemplos que eu vejo todo dia da janela do meu quarto — comentei, observando a reação dele.

Rafael sempre mudava de assunto quando eu mencionava a realidade do morro. Ele me conhecia como a menina estudiosa de classe média que morava em um "bairro simples", não como a filha do dono da maior facção da região.

— Você é brilhante, Helena. Logo vai estar longe de tudo isso, em um escritório de elite no centro — ele disse, com uma ponta de desespero na voz. — Não precisa se preocupar com o que acontece lá em cima.

— Não é tão simples assim, Rafa. Minhas raízes estão lá.

O almoço seguiu em um silêncio desconfortável. Rafael estava em algum lugar longe dali, e eu? Eu só conseguia pensar no que TH tinha dito. O morro tinha um novo dono. O "Coringa" não era mais apenas o filho do Mago; agora ele era a lei.

Quando me despedi de Rafael com um selinho rápido na porta da faculdade, senti que ele escondia algo maior do que "problemas de empresa". Mas eu tinha meus próprios problemas para lidar.

Peguei o ônibus de volta e, conforme ele subia a ladeira em direção ao asfalto mais próximo do morro, o clima mudava. Bandeirolas e fogos de artifício já começavam a estourar. O asfalto gritava que hoje era dia de festa. Mas para mim, era o começo de um julgamento onde eu não sabia se seria a advogada, a juíza ou a ré.

Ao descer do ônibus, encontrei JJ parado perto de uma moto preta, com o rádio na cintura e o olhar de poucos amigos.

— Helena. — Ele apenas balançou a cabeça em sinal de respeito.

— Oi, JJ. O movimento está cedo hoje, não?

— Ordem do Coringa. Ninguém entra e ninguém sai sem ser revistado hoje. O morro está sob nova direção, mandada. É melhor você subir logo.

Engoli em seco e comecei a subida. Eu tinha renunciado ao cargo, mas o morro insistia em me lembrar de que, ali dentro, eu nunca seria apenas uma civil. Eu era a herdeira. E o novo dono estava apenas esperando o momento certo para cobrar o meu lugar ao lado dele.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • A Advogada Do Coringa: A Herdeira Do Morro   Epílogo

    8 meses depois...Leonardo e Emily: O Porto SeguroNa varanda da casa, Leonardo observava o horizonte com um copo de vinho. Ele, que passou anos temendo pela vida da filha nos tribunais e no morro, finalmente sentia a paz de um pai que sabe que o perigo ficou para trás. Emily estava ao seu lado, com a mão em seu ombro. O casal, que quase se perdeu durante o exílio de Helena, agora vivia uma renovação. Leonardo era o consultor jurídico oculto da nova "empresa" da família, garantindo que o império fosse intocável legalmente.Amanda e Vítor : Eles cuidavam de uma horta orgânica nos fundos da propriedade. Vítor , o homem que sempre quis o filho fora do crime, via em Coringa um homem que finalmente honrava o nome da família de forma diferente. Amanda não carregava mais o terço por medo, mas por gratidão. Ela olhava para o filho e não via mais o "Rei do Morro", mas o pai que ela sempre soube que ele poderia ser.Laura e TH: O Bebê Arco-ÍrisPerto da piscina, Laura exibia um barrigão de oito

  • A Advogada Do Coringa: A Herdeira Do Morro   Capítulo 100: Disney

    O galpão na parte baixa do morro estava imerso em uma escuridão que cheirava a mofo e ferro velho. No centro, sob a luz amarelada de uma única lâmpada pendurada por um fio, Vanessa estava amarrada a uma cadeira de metal. O rosto dela, antes cheio de arrogância e futilidade, agora era uma máscara de terror puro.A porta de ferro rangeu e a silhueta de Coringa surgiu. Ele caminhava com uma calma que era muito mais assustadora do que qualquer grito de fúria.— ... por favor... foi um erro! — Vanessa soluçou, a voz trêmula. — Eu não queria acertar o menino, eu queria ela! Ela roubou minha vida!Coringa parou a poucos centímetros dela. Ele não gritou. Ele apenas sacou a faca que carregava no cano da bota e começou a limpar as unhas, olhando para ela com uma indiferença gélida.— Você tocou no meu filho, Vanessa. Você tentou apagar a luz da única coisa pura que eu ainda tinha — ele sussurrou, a voz saindo das profundezas de sua alma sombria. — O erro não foi o tiro. O erro foi você achar qu

  • A Advogada Do Coringa: A Herdeira Do Morro   capítulo 99: A cirurgia de emergência

    O hospital do morro se transformou em uma zona de guerra silenciosa. Enquanto médicos lutavam pela vida de Matteo lá dentro, o exército de Coringa cercava o prédio, transformando cada esquina em uma barreira de fuzis. Helena não saiu da porta do centro cirúrgico; ela parecia uma estátua de mármore, as mãos ainda manchadas com o sangue seco do filho. Após seis horas de agonia, o cirurgião saiu, retirando a máscara com um suspiro que parecia carregar o peso do mundo. Coringa levantou-se num salto, os olhos vermelhos de quem não chorava, mas queimava por dentro. — A bala perfurou o pulmão e passou a milímetros do coração — explicou o médico, a voz cansada. — Houve uma hemorragia massiva, e ele parou na mesa por dois minutos. Mas ele voltou. É um milagre. O menino lutou como um gigante. Ele está estável. Helena desabou na cadeira, as lágrimas finalmente correndo, lavando o rosto que estava endurecido pelo ódio. Coringa caiu de joelhos ao lado dela, escondendo o rosto nas mãos da esposa

  • A Advogada Do Coringa: A Herdeira Do Morro   Capítulo 98: O tiro

    No dia seguinte... A manhã na praia foi um refúgio surreal. Ver Coringa — o homem que fazia o asfalto tremer — carregando boias coloridas e correndo atrás de Matteo na areia branca era uma imagem que Helena guardaria na alma. Por algumas horas, eles não eram a "Patroa" e o "Rei"; eram apenas um pai, uma mãe e um filho sob o sol, longe da fumaça dos fuzis. — Ele está feliz. — Helena comentou, ajustando os óculos escuros enquanto observava Matteo gargalhar ao ser atingido por uma onda pequena. — Ele merece isso, Helena. E eu vou garantir que ele tenha muito mais — Coringa respondeu, a voz carregada de uma promessa que ele pretendia cumprir. A volta para o morro foi tranquila, com o carro blindado subindo as ladeiras sob o pôr do sol alaranjado. Matteo, exausto de tanto brincar, começou a pedir pela avó. — Pai, quero dormir na vovó Amanda hoje! — o menino insistia, com a voz sonolenta. Helena e Coringa se olharam. A casa de Dona amanda ficava em uma área de transição, um pouco mais

  • A Advogada Do Coringa: A Herdeira Do Morro   Capítulo 97: Eu sou seu destino

    O café da manhã seguia em um silêncio cortante, interrompido apenas pelos talheres de prata contra a porcelana. Matteo comia sua fruta, alheio ao campo minado que a mesa tinha se tornado. Coringa observava Helena, tentando ler em seu rosto o que ela planejava, mas ela era uma esfinge de seda branca.Helena pousou a xícara de café com uma lentidão deliberada. Ela olhou para Matteo e fez um sinal para JJ.— Leve o Matteo para casa de Amanda, TjO segurança obedeceu instantaneamente, retirando a criança do cômodo. Quando a porta se fechou, Helena se inclinou para frente. O clima mudou: a mulher que tinha se entregado a ele na noite anterior havia dado lugar à estrategista fria.As Exigências da Patroa— Acabou o tempo de sermos uma facção que se sustenta apenas pelo medo e pelo sangue — Helena começou, a voz cortante. — Eu passei dois meses fora. Eu vi como o mundo lá fora funciona. Dinheiro no morro agora só entra de forma limpa, ou minimamente invisível.Coringa tentou interromper, mas

  • A Advogada Do Coringa: A Herdeira Do Morro   Capítulo 96: noite fria

    O vidro da varanda, gelado e rígido, contrastava com o calor abrasador que irradiava dos corpos colados. O morro, lá embaixo, continuava sua rotina de violência e música, alheio ao que acontecia no topo da fortaleza.Coringa a virou com uma brusquidão possessiva, forçando-a a se apoiar contra o vidro que separava o quarto do abismo noturno. Ele a pegou por trás, as mãos grandes e calejadas segurando os quadris dela com uma firmeza que beirava a dor. Helena arqueou as costas, a cabeça tombando para trás, deixando que a renda preta da lingerie fosse quase rasgada pela tensão dos movimentos dele.Cada estocada era um lembrete do poder que ele ainda tentava reivindicar, uma tentativa desesperada de marcar território em uma mulher que, na sua mente, ele estava perdendo. A respiração de Coringa era um rosnado constante no ouvido dela, uma súplica misturada a uma ordem.— Você é minha — ele sussurrou, a voz carregada de um desejo sombrio, quase violento, enquanto a segurava com mais força. —

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status