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Capítulo 3

Author: Beringela
Quando saí do banheiro e cheguei à sala, Felipe levantou os olhos para mim. Assim que viu o vestido no meu corpo, sua atenção se demorou por um segundo a mais.

Fiquei sem saber onde me esconder. Mantive uma das mãos sobre o peito o tempo todo.

Eu já tinha passado dos trinta, mas nunca havia aparecido diante de outro homem usando uma roupa tão ousada. E Felipe me olhava de um jeito direto demais, como se o tecido fino do vestido não fosse suficiente para me proteger. Aquilo me deixou completamente sem jeito.

Fui até o quarto onde ficava o berço. Edu já estava acordado. Com o rostinho rosado e delicado, parecia um bonequinho de porcelana, balbuciando baixinho enquanto chupava os próprios dedinhos.

Sentei-me à beira da cama e puxei um pouco o decote. Como o vestido tinha uma abertura profunda, foi fácil acomodá-lo para amamentar.

A dor causada pelo leite acumulado começou enfim a aliviar. Meu olhar se perdeu por um instante, e o calor no meu rosto ainda não tinha passado. Eu tentava manter a calma, embora meu corpo inteiro continuasse sensível demais depois de tudo o que havia acontecido.

Mas, naquele dia, Edu parecia não estar com tanta fome. Mamou só um pouco e logo se distraiu, mexendo as mãozinhas inquietas contra mim, como se aquilo fosse apenas mais uma brincadeira de bebê.

A sensação me deixou tensa e desconfortável. Somada ao incômodo do leite acumulado, fez meu corpo estremecer por alguns segundos.

E eu sentia nitidamente que estava molhada entre as pernas.

Respirei fundo, ainda trêmula, e afastei com cuidado as mãozinhas dele. Edu riu, inocente, sem entender nada.

O movimento acabou pressionando meu peito sem querer. O leite escapou de repente e molhou uma parte da manta do bebê.

Fiquei vermelha de vergonha. Com as mãos trêmulas, ajeitei Edu com cuidado e o ninei até que adormecesse outra vez. Só então percebi, tarde demais, que metade do meu peito ainda estava exposta. Prendi a respiração e me cobri depressa, escondendo-o de volta sob o tecido do vestido.

A roupa, que já era ousada demais, também havia ficado úmida. As manchas claras sobre o tecido preto marcavam minha pele de um jeito ambíguo, constrangedor, quase impossível de encarar sem pensar demais.

Fechei as pernas por instinto e decidi ir ao banheiro para me recompor.

Mas, quando me virei, encontrei uma figura alta parada à porta.

Felipe.

Ele tinha visto tudo?

O pânico me fez puxar o vestido de qualquer jeito. O tecido, já grudado ao meu corpo, roçou minha pele sensível, e um som abafado escapou da minha garganta antes que eu conseguisse conter.

O decote, que já era baixo, deslizou ainda mais, revelando quase além do aceitável.

Felipe desviou o rosto e apontou para o banheiro.

Assenti depressa, como se tivesse acabado de receber permissão para fugir, e caminhei para lá quase correndo.

Assim que fechei a porta, minhas pernas perderam a força. Apoiei-me na parede fria, respirando de forma irregular, tentando recuperar o controle do meu próprio corpo.

Na minha cabeça, porém, só havia a maneira como ele tinha me olhado.

Quente. Intensa. Cheia de desejo contido.

"Não.

Não podia continuar assim."

Eu precisava me acalmar. Precisava sair dali parecendo normal."

Apoiei-me ao lado do vaso sanitário, ainda tentando lidar com o desconforto que havia me deixado naquele estado. Com as mãos trêmulas, pressionei o peito para aliviar a dor do leite acumulado.

O alívio veio de repente, forte demais, e me deixou ainda mais envergonhada. Meu corpo inteiro parecia sensível, longe do meu controle. Quanto mais eu tentava me acalmar, mais aquela tensão estranha se espalhava por mim, misturada ao calor da presença de Felipe, que ainda ardia na minha memória.

Fazia muito tempo que eu não me sentia assim.

Ser observada por um homem daquele jeito, com um desejo tão evidente e contido, mexia comigo de uma forma que eu não queria admitir. Minha respiração ficou irregular.

Com uma das mãos, eu pressionava o peito, com a outra, comecei a acariciar meu próprio corpo.

Meus dedos tremiam, sem força. O prazer que conseguiam provocar era fraco demais, quase insuficiente, como se mal alcançasse a superfície. Em vez de apagar o desejo, aquilo só deixou meu corpo ainda mais inquieto, tomado por uma necessidade desesperada de ser preenchido por completo.

Fechei as pernas com força, e um gemido baixo escapou antes que eu conseguisse engolir o som.

Eu nem percebi quando a porta do banheiro foi empurrada pelo vento.

Felipe estava parado à entrada.

Quando notei sua presença, ele já me observava de um jeito quente, pesado, impossível de ignorar.

A vergonha me atingiu em cheio. Sentada no chão, recolhi o corpo devagar, tentando me cobrir.

Felipe olhou para as marcas úmidas no piso e soltou uma risada baixa, contida.

— Lili... Você está com muito leite acumulado, não está?

Ele não me repreendeu. Pelo contrário, sua voz saiu baixa, quase cuidadosa, como se estivesse apenas perguntando se eu precisava de ajuda.

Meu rosto ficou ainda mais quente, e assenti de leve.

Felipe deu alguns passos à frente e parou diante de mim. Por instinto, tentei me afastar, mas meu corpo estava fraco demais, sensível demais. No fim, só consegui apertar a mão contra o peito, ainda tentando conter o desconforto.

O leite escapou de novo, atingindo a barra da calça dele.

— Chefe... Desculpa, eu... Eu não...

— Não tenha medo. — A voz dele ficou mais baixa. — Eu posso ajudar.

Um par de mãos grandes cobriu minhas mãos trêmulas, afastando-as do meu peito.

Em seguida, elas tomaram o lugar das minhas e começaram a me acariciar sem nenhum pudor.

A força daquele homem era intensa. Minha maciez parecia massa nas mãos dele, entregue ao modo como seus dedos me moldavam e apertavam. Em pouco tempo, minha pele já estava marcada por seus dedos, como se ele tivesse explorado cada parte de mim até o limite.

Felipe sorriu, aproximou-se de mim e enxugou as lágrimas no canto dos meus olhos.

— O bebê não deu conta de tudo. Então o pai aqui tem que resolver. Se é para dar de mamar, que diferença faz quem mama? Lili, seu trabalho ainda não acabou.

Depois de dizer isso, ele segurou meus seios entre as mãos e se inclinou sobre mim.

Ao sentir uma força completamente diferente da de uma criança, fechei os olhos e me perdi de vez.

Enquanto isso, minha intimidade úmida também era provocada pelas pontas ásperas dos dedos dele.

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