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Capítulo 2

Penulis: Bagel
Virei-me e encontrei o olhar de Alaric, que de repente estava em alerta. Ainda assim, forcei um sorriso gentil.

— Ah, eu só estava conversando com uma amiga sobre uma família nobre humana da Costa Leste. O herdeiro traiu a esposa, então agora ela está anulando o casamento, rompendo todos os laços e até levando consigo todo o dote.

Se ele queria um espetáculo, eu desempenharia meu papel até a cortina final.

O olhar de Alaric era como uma agulha, examinando meu rosto à procura da menor fissura em meu autocontrole.

Somente quando se convenceu de que minha expressão parecia natural, a tensão em seus ombros finalmente desapareceu.

Sua mão grande, pálida e fria envolveu minha cintura. Em seguida, ele se inclinou e depositou um beijo junto à minha orelha.

— Só um homem muito tolo trairia a própria companheira. Seria como cortar o fio que o mantém vivo.

Ele me apertou um pouco mais antes de continuar:

— Minha princesa, algo tão sórdido jamais aconteceria entre nós.

Ergui o rosto para encarar seus olhos insondáveis e esbocei um sorriso tênue.

— E se... acontecesse?

Fiz uma breve pausa.

— Por exemplo...

— Seraphina, não existe a menor possibilidade disso acontecer. — Alaric me interrompeu sem hesitar.

— Eu, Alaric Morvath, juro pelo meu sangue de Príncipe e pelo meu clã que jamais trairei você.

Alaric deve ter percebido alguma coisa em minha expressão, pois seu olhar vacilou por um instante antes que ele alisasse meus cabelos.

Que ironia. Ele conseguia buscar consolo nos braços da amiga de infância e, ao mesmo tempo, demonstrar por mim uma possessividade tão sufocante.

— Se um dia eu quebrar este juramento, que a mais profunda magia de sangue apague todos os seus rastros, para que eu passe a eternidade procurando por você sem jamais encontrar o menor vestígio de sua existência. Que o meu clã—

— Foi apenas uma pergunta. — Interrompi, pressionando os dedos contra seus lábios.

Ele me puxou com ainda mais força para si.

— Você sabe que é a minha vida, Seraphina. Se eu perdesse você, me transformaria em um monstro irracional.

Não respondi. Apenas me desvencilhei silenciosamente de seu abraço.

"Daqui a três dias, eu iria embora. Alaric, a maldição que você acabou de lançar sobre si mesmo estava prestes a se cumprir."

Ele pareceu querer dizer mais alguma coisa, mas uma voz repentina o interrompeu:

— Vossa Alteza, está tudo pronto.

Alaric assentiu. Um sorriso misterioso surgiu em seus olhos enquanto ele segurava minha mão e me conduzia até a beirada do terraço.

— Meu amor, preparei para você um presente único no mundo.

Ele cobriu meus olhos com as mãos e iniciou a contagem regressiva:

— Três, dois, um...

Assim que terminou, afastou as mãos do meu rosto.

Ergui os olhos e vi todo o céu noturno se iluminar.

Inúmeros pontos brilhantes caíam do firmamento. Era uma chuva de meteoros, invocada pelo poder principesco de Alaric.

As estrelas riscavam a abóbada negra com caudas prateadas e azuladas, como se alguém tivesse estilhaçado um tesouro de pedras preciosas e espalhado seus fragmentos pelo céu.

— Olhe para a mais brilhante. — Pediu ele, abraçando-me por trás e encostando os lábios em minha orelha.

— Usei minha autoridade como Príncipe para que os Escribas Estelares do Conselho de Anciãos a rebatizassem em sua homenagem: Seraphina.

Sua voz ficou ainda mais terna.

— Estamos unidos pelo sangue há cinco anos. A cada ano que passa, você se torna ainda mais fascinante do que já era no dia em que nos conhecemos.

Observei o meteoro fugaz atravessar o céu noturno, sentindo como se uma vida inteira tivesse passado em meio a um sonho confuso.

Sim, cinco anos.

Cinco anos antes, apaixonei-me por ele à primeira vista e desafiei minha família para me casar com ele.

Eu o amei durante cinco anos e, por todo esse tempo, fui a reverenciada Princesa do clã. Cinco anos não passam de um piscar de olhos na vida eterna de um vampiro, mas, foram suficientes para que um amor profundo apodrecesse até se transformar em traição e para que um juramento imortal se tornasse a mais barata das mentiras.

Alaric me virou de frente para ele. Seus olhos carmesins ardiam com um calor que parecia capaz de me derreter.

— Cinco anos se passaram, e tudo o que eu quero é colocar o mundo inteiro das trevas aos seus pés.

Ele se inclinou lentamente para me beijar.

Se eu não tivesse encontrado aquele fio de cabelo vermelho junto à piscina na noite anterior, acreditaria de bom grado naquela encenação até o dia da minha morte.

Quando seus lábios estavam prestes a tocar os meus, o bater de asas rompeu o silêncio da noite.

Um corvo vermelho-sangue desceu em um mergulho e pousou no ombro de Alaric. Uma carta estava amarrada à sua pata.

Um lampejo de irritação violenta por ter sido interrompido atravessou o rosto dele.

Para mim, porém, aquela interrupção foi um alívio, pois me poupou do esforço de evitar seu beijo.

— Maldição. Dei ordens expressas para que ninguém se aproximasse de nós esta noite.

No entanto, assim que retirou a carta e leu seu conteúdo, a expressão dele mudou drasticamente. Consegui vislumbrar o selo de cera, que exibia o brasão do clã de Elise.

Alaric dobrou a carta depressa, mas, sob a luz das estrelas, ainda vi o pânico reluzir em seus olhos, acompanhado de uma centelha de desejo impossível de conter.

Como eu esperava, no instante seguinte, ele voltou a me encarar com o rosto coberto por uma máscara de impecável pesar.

— O que aconteceu? — Perguntei, fingindo não saber de nada, enquanto fechava os punhos para conter as lágrimas.

A verdade já estava completamente exposta, mas, no fundo do meu coração, ainda restava uma esperança ridícula de que, naquela noite, ele escolheria ficar comigo.

— Surgiu uma emergência no clã. — Respondeu, guardando a carta no bolso interno do casaco.

— Meu amor, preciso me ausentar por algum tempo.

— Agora?

— Sinto muito. Sei que esta noite é importante, mas isso envolve a própria sobrevivência do nosso clã.

Ele abaixou a cabeça e beijou minha testa às pressas.

— Volte para dentro e espere por mim. Assim que eu resolver esse problema, retornarei para você.

— Eu entendo. A segurança do clã sempre vem em primeiro lugar.

Assenti com calma, desempenhando o papel da esposa compreensiva, como já fizera inúmeras vezes.

Alaric soltou um suspiro de alívio quase imperceptível, abraçou-me às pressas e, logo depois, virou-se e desapareceu na escuridão da noite.

Permaneci no terraço, observando sua silhueta sumir na extremidade mais distante do antigo castelo.

Eu precisava ver aquela "emergência" com meus próprios olhos.

Virei-me, desci a escada em espiral, entrei no carro e dei partida, seguindo na mesma direção que ele tomou.
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