INICIAR SESIÓN
— Marina, você vai chegar atrasada para a entrevista.
Rosa arrumava a mesa do café da manhã, enquanto Ângela, a filha mais nova, terminava de preparar os ovos mexidos.
— Mamãe, a senhora esqueceu como essa garota demora horrores para se arrumar — provocou a menina. — Do jeito que ela é lenta, é capaz de chegar quando a entrevista já estiver acabando.
Marina surgiu na cozinha apressada. Para a entrevista, escolhera uma saia social preta, combinada com uma blusa de seda branca. Nos pés, salto médio. O longo cabelo castanho estava preso em um coque elegante.
Queria passar uma imagem de competência. Precisava provar que era capaz de ser a babá da filha de um viúvo milionário.
Ela conhecia Rafael Albuquerque pelas revistas e colunas sociais. A família do futuro patrão — se Deus permitisse — era dona de grandes construtoras no Brasil, com atuação internacional. Rafael era um dos arquitetos mais respeitados do país, conhecido por projetos modernos e premiados.
— Mãe, dá tempo de comer essa maçã ou vou me atrasar? A entrevista é às dez da manhã, e até chegar lá vai ficar em cima da hora.
Marina saiu apressada, mas antes deu um beijo carinhoso na mãe e na irmã, que lhe desejaram boa sorte.
— Deus permita que eu consiga esse trabalho — murmurou, já na calçada. — Prometo que não farei nada de errado. Vou me esforçar ao máximo, mesmo não tendo vocação alguma para ser babá.
A jovem havia estudado para ser professora porque era o curso universitário mais acessível que conseguiu pagar. Ter um diploma era essencial.
Sete anos antes, o pai falecera, deixando a família em uma situação financeira delicada. Muitas dificuldades surgiram desde então. Por isso, Marina optara pela faculdade mais viável e, recém-formada em Letras, seguia agora para sua primeira entrevista como babá de uma herdeira. Não era o emprego dos sonhos, mas pagaria as contas — e isso, para ela, era o mais importante.
Quase uma hora depois, Marina chegava à mansão dos Albuquerque, localizada em um dos bairros mais nobres de São Paulo.
— Bom dia!
Um senhor de bigode bem aparado e semblante simpático aproximou-se do portão. Marina entregou a ficha com seus dados.
— Pode entrar, senhorita. A entrevista está acontecendo no escritório. Vou acompanhá-la até a dona Francesca Albuquerque.
Francesca?
No anúncio da agência, dizia que Rafael era viúvo e morava apenas com a filha de onze anos.Será que é alguma namorada? — pensou Marina. — Não acredito que vou ter que lidar com uma daquelas mulheres difíceis para conseguir esse emprego.
Ao atravessar a ampla sala de estar, não deixou de notar uma menininha de cabelos negros brincando com um gatinho próximo à piscina.
— Será que ela é a filha do senhor Rafael?
O senhor de bigode conduziu Marina até um escritório localizado em uma das alas da mansão.
Ao entrar, deparou-se com uma mulher elegante, aparentando cerca de cinquenta e cinco anos, vestindo um belo vestido azul-claro.
A senhora aproximou-se com um sorriso acolhedor e estendeu a mão.
— Bom dia!
— Bom dia! — respondeu Marina, com um sorriso discreto.
Ela é a mãe, a namorada… ou a avó da menina? — questionou-se internamente.
— Você é a Marina? Prazer, sou Francesca Albuquerque, mãe de Rafael e avó da pequena Sofia. Meu filho precisou viajar a trabalho, mas me deu total autonomia para conduzir as entrevistas e escolher a funcionária. Vamos nos sentar? Vou pedir que tragam algo para beber. Você prefere chá, água ou café?
— Chá, por favor, senhora.
Marina acomodou-se na poltrona, observando discretamente o luxo do escritório e algumas fotografias espalhadas. Um porta-retrato chamou sua atenção, mas ela desviou o olhar, concentrando-se na conversa.
Francesca fez uma ligação rápida e pediu que trouxessem um lanche para ambas. Em seguida, indicou a poltrona posicionada de frente para a janela, de onde se via parte do jardim. Sofia ainda brincava lá fora.
Marina observou a menina e lembrou-se de quando tinha aquela idade, brincando com os gatos da rua. Como a irmã era alérgica a pelos, nunca puderam ter animais em casa.
Uma jovem sorridente entrou com uma bandeja, serviu-as e se retirou com um leve aceno de cabeça.
Francesca abriu a ficha de Marina e começou a conferir as informações.
Idade: 23 anos.
Formação: Letras, pela Universidade Federal São Paulo, concluída há um ano. Morava com a mãe e a irmã mais nova. Sem vícios. Fluente em inglês, bom domínio de alemão e em aprendizado de espanhol. Primeiro emprego formal. Possuía carteira de habilitação. Apaixonada por literatura e música clássica.Marina confirmava cada detalhe, receosa de ter cometido algum erro que pudesse custar-lhe a vaga.
Após cerca de trinta minutos de entrevista, Francesca explicou que Marina moraria na mansão e trabalharia de segunda a sexta, com fins de semana livres para visitar a família — exceto quando Rafael estivesse viajando. Na casa moravam Francesca, o marido Luciano, a neta Sofia e, eventualmente, o filho.
Em seguida, começou a falar sobre Sofia. A função seria de babá, já que a menina estudava pela manhã e, à tarde, precisava de auxílio com as tarefas escolares e atividades extracurriculares. Marina também ficaria responsável pela alimentação, organização do quarto e das roupas da criança.
Francesca detalhou cuidadosamente o que Sofia podia ou não comer, demonstrando confiança e deixando claro que Marina estava muito próxima de ser contratada. Confessou, inclusive, que a formação acadêmica e os cursos complementares da jovem foram decisivos.
Por fim, entregou-lhe o contrato e perguntou se aceitava todas as condições ali descritas.
Uma das cláusulas chamava atenção: era terminantemente proibido qualquer tipo de envolvimento pessoal com Rafael Albuquerque.
Nada de intimidades. Tudo deveria ser estritamente profissional. A vida pessoal da funcionária deveria permanecer fora da mansão.
O contrato teria duração de seis anos, até Sofia completar dezoito. A dedicação seria exclusiva à menina.
Francesca explicou que aquelas exigências vinham do próprio filho. Desde que perdera a esposa, Rafael deixara de acreditar no amor. Sua vida se resumia ao trabalho e à filha. Não pretendia se casar novamente e desejava uma funcionária sem planos de relacionamento.
Marina concordou. O salário, ao longo de seis anos, representava estabilidade, segurança e a chance de realizar o mestrado com que sempre sonhara. Não tinha planos de se apaixonar. Seu foco era trabalhar, ganhar dinheiro de forma honesta e cuidar da mãe sem passar necessidades.
Começaria em dois dias. Levaria seus pertences, a documentação necessária para assinatura do contrato, e Francesca informou que Rafael retornaria ao país em quinze dias — tempo suficiente para a adaptação da nova babá.
— Vamos conhecer a Sofia — disse Francesca, levantando-se. — Ela é um pouco tímida, mas quando ganhar confiança em você, vai se soltar. Meu filho trabalha muito e só consegue ficar com ela nos fins de semana. Qualquer problema, fale comigo. Estou sempre por perto.
Marina levantou-se e acompanhou Francesca até o jardim, sentindo que sua vida estava prestes a mudar para sempre.
Marina escolheu um vestido florido com uma jaqueta.Deixou a roupa separada, viu quanto tinha de dinheiro na carteira, conferiu se os documentos estavam certinhos e voltou para a cozinha. Assim que terminasse de ajudar, Lucia iria tomar banho para se arrumar e esperar Sofia chegar do colégio para depois poder sair.Rafael e Luciano tinham passado a manhã em reunião com Roberto e Lara e aproveitaram para contar sobre a aparição de Giulia com André no jantar.Todos se preparavam para sair para o almoço, quando Lara pediu que Rafael esperasse, pois tinha algo urgente para falar com ele.— Não conta para Marina, mas ela me ligou hoje e pediu para marcar uma consulta médica. Pelo jeito, o senhor está tão apaixonado que anda até cometendo algumas loucuras.— Que loucura você quer falar?— Rafael, você é mais velho e mais experiente que ela. Deveria tomar mais cuidado.Rafael relembrou dos dois no escritório e, sim, ele realmente tinha esquecido de usar o preservativo e acabou não conversand
Sofia acabou dormindo com Marina no quarto. A menina queria ver a jovem assim que acordasse, para ter certeza de que ela não tinha ido embora.Rafael deixou que a filha ficasse com Marina e acabou adormecendo antes que os pais voltassem para casa.Francesca acordou cedo e pediu que Rafael esperasse Sofia ir para a escola. A mãe tinha algo importante para contar ao filho.Marina havia percebido que Francesca estava nervosa e até um pouco tensa. Por isso, avisou Rafael que seria melhor os dois conversarem com a mãe dele mais tarde.Francesca chamou o filho à sala e contou tudo o que havia acontecido durante o jantar da noite anterior.Luciano insistia para que a esposa se acalmasse, dizendo que ela estava fazendo uma tempestade em copo d'água por causa do novo patrocinador.— Mamãe, a senhora falou tanto e, até agora, eu não entendi. O que esse novo patrocinador faz para a senhora não querer aceitá-lo?— Filho, a pessoa que vai passar a ajudar o clube é ninguém menos que André e Giulia.
Lucas e Marina não conseguiram ficar sozinhos por dois dias e, enfim, chegou a noite do jantar.Aquilo deu esperança a Marina de finalmente conseguir conversar com o namorado sem que ninguém os interrompesse.Rafael mal podia esperar pela oportunidade de falar com Marina e agradeceu por sua mãe não ter insistido para que ele participasse do evento.Francesca e Luciano saíram depois das sete da noite, e Marina estava nervosa e ansiosa para finalmente ficar a sós com Rafael.Naquela noite, vestiu um vestido delicado, fez uma maquiagem leve e usou o perfume de que Rafael mais gostava.A patroa avisou que chegaria bem tarde. Assim, os dois teriam bastante tempo para ficarem juntos depois que Sofia dormisse.Após o jantar, Rafael avisou que ficaria no escritório. Marina subiu com Sofia, que protestava porque queria ficar acordada até mais tarde. Com carinho, explicou que já estava na hora de dormir e colocou a menina na cama antes das nove horas.Em seguida, desceu até a cozinha e encontro
Marina terminava de se arrumar. Rafael e Luciano não haviam retornado para casa naquele dia e, após o almoço, Francesca informou que as três sairiam. Ela deixou Sofia na sala enquanto ia se trocar e releu a mensagem enviada por Rafael.Na noite seguinte, pretendia conversar com Rafael sobre como contariam a Francesca e Sofia que estavam em um relacionamento. Se Francesca descobrisse que os dois já estavam juntos havia dois meses, será que ficaria magoada?Decidiu afastar esses pensamentos por um momento, concentrando-se em aproveitar o passeio e, quem sabe, fazer algumas compras.---Rafael olhava constantemente para o celular, esperando uma mensagem de Marina. Como não recebia resposta, decidiu aguardar até a noite.— Filho, aconteceu alguma coisa? Você não para de olhar para esse celular.— Não, pai. Estou apenas conferindo alguns e-mails. Nada importante.Durante o almoço com o pai e o irmão, Leonardo e Lara estavam ausentes, deixando apenas os três integrantes da família Albuquerq
Marina e Francesca estavam ocupadas organizando a lista de compras. Luciano e Rafael já haviam saído, e Sofia estava na escola.— Querida, esta semana Luciano e eu temos um jantar. Você gostaria de me acompanhar ao shopping? Preciso comprar um vestido novo.— Claro, dona Francesca. Podemos ir hoje, depois do almoço? Sofia ficará animada em sair um pouco e...— Isabel mandou uma mensagem por meio de Rafael. Ele me avisou antes de sair para o trabalho. E como foi o seu fim de semana com Lara? Vocês se divertiram?Marina não sabia como responder. Tinha a sensação de que Francesca estava tentando descobrir alguma coisa.— Foi muito agradável. Lara se tornou uma grande amiga, e eu gosto de passar um tempo com ela.— Que bom, querida. Fico feliz por você se sentir à vontade em nossa casa. Rafael deu trabalho depois que você chegou ontem?A jovem só conseguia pensar nos momentos que havia compartilhado com Rafael e em como poderia explicar tudo aquilo para Francesca.— Rafael tem sido muito
Francesca estava sentada no sofá do quarto, pensativa, quando Luciano saiu do banheiro e encontrou a esposa.— Francesca, no que está pensando? Desde que chegamos, você está calada, sentada nesse sofá.— Querido, você não sentiu que aqueles dois estavam escondendo alguma coisa? Como se não quisessem que soubéssemos que ficaram sozinhos por algumas horas.— Francesca, você está imaginando coisas. Até ontem, estava fazendo planos para casar os dois.Luciano lembrou-se da conversa que a esposa tivera com ele.— Luciano, não é que eu não queira os dois juntos. Eu só não aceito que façam alguma coisa pelas minhas costas. Se Rafael estivesse interessado em Marina, eu seria a primeira a procurar Rosa para acertar o casamento deles. E, acredite, ter Marina como minha nora é algo que desejo desde que ela começou a trabalhar aqui. Só que Marina é nossa responsabilidade. E se os dois não derem certo? Sofia vai sofrer, Marina também, e, além disso, Rafael já viveu um casamento que começou da mane







