LOGINLEONAntes de passar na casa da avó de Anya, fui primeiro ao apartamento do meu irmão para saber como ele estava e que tipo de informações ele tinha sobre Isadora e Pedro.Quando cheguei, havia seguranças dele na frente da porta do seu apartamento. Depois que me autorizaram a entrada, entrei e percebi que ele e Verônica faziam as malas — talvez para poder se afastar do perigo que os cercava. Eu queria ajudar meu irmão, mas por que diabos os Alencar eram sempre tão orgulhosos e teimosos?Não tive tempo de perguntar nada, ele já veio com a bomba nas mãos.— Leon, você não vai acreditar no que conseguimos — Rafael disse, com um sorriso de canto.— O quê?— O cara que eu contratei mandou um dos seus homens para dentro da empresa deles. Ele está lá trabalhando como se fosse um deles há semanas. E conseguiu isso.Ele me mostrou um pendrive.— Áudios. Conversas da Isadora com o irmão e com a mãe.Fiquei indignado com a ineficiência do meu investigador. Senti a raiva subir como fogo.— Mas co
LEON Mais tarde, já no quarto, eu a puxei para perto. O beijo não foi qualquer beijo — foi de fome, de posse, de promessa. Encostei seu corpo contra a parede, e ela riu suavemente. — Estou bem, amor. Estou aqui. E estou viva. — Valentina, você não imagina como eu teria ficado se algo tivesse acontecido. Se aquele desgraçado tivesse feito algo a você e aos meus filhos... — Calma, meu amor. Não aconteceu nada. Eu ainda estou aqui com você e… Ela falou, tocando minhas mãos. — O nosso filho está dormindo tranquilo no quarto, e o nosso bebê está aqui — ela disse, fazendo-me tocar suavemente a barriga já visível. — Viu? Nós estamos bem. — Sim, estão. E agora percebo que deveria aprender urgentemente a rezar. — Rezar? Por quê? — Pra agradecer a Deus por todos os cuidados com vocês. Valentina riu. — Se quiser, eu te ensino, amor. Não respondi. Apenas a puxei novamente para mim. — Depois, linda, pois agora o que tenho em mente é bem menos santo. Ela riu, e eu a fiz subir no meu
LEONNão deixei Henrique trabalhar muito tempo. Sabia que meu amigo estava doido para ver a "onça" dele, e eu não ia atrasar isso. Dispensei-o com um sorriso de canto, e ele saiu do escritório com pressa mal disfarçada. A porta mal se fechou e eu já ouvia seus passos apressados em direção à sala, onde sabia que Ana ainda estava. Sorri sozinho. Meu amigo estava "perdido", e eu conhecia bem aquela sensação.Fiquei ali, sentado, processando tudo o que havia descoberto. Quando mandei aquele e-mail para Henrique pedindo todas as informações sobre a família de Valentina, nunca imaginei que fosse descobrir tanta coisa. Os pais dela estavam em uma situação financeira ruim, tão grave que precisavam vender o ranchinho que adquiriram com tanto trabalho. Aquela terra era o orgulho deles, o fruto de anos de suor. E eu queria ajudar. Mas não da mesma forma que antes — fazendo algo sem consultar Valentina. Dessa vez, eu ia conversar com eles e com ela, ainda mais depois dos toques de Henrique.— Cui
HENRIQUELeon me chamou para ajudá-lo com o respaldo legal do caso da praça. As câmeras de segurança haviam registrado tudo, e a comoção na mídia era grande, mas ele sabia que, no Brasil, a justiça nem sempre protege a vítima como deveria. Conversamos por horas no escritório, analisando cada detalhe, cada possível desdobramento. Ele também fez questão de que o nome dele e de Valentina não vazasse para a imprensa — pelo menos não enquanto a poeira não baixasse.No fim, fui convidado para jantar. E foi ali que a noite mudou completamente.Há dias não conseguia tirar Ana da cabeça. Aquele sorriso bonito e despretensioso, o rostinho oval, os olhos que brilhavam quando ela falava de algo que amava. Tudo nela me atraía de um jeito que eu não esperava. Mas eu havia prometido a mim mesmo que não tentaria nada. Ela não era como as outras mulheres que eu conhecia. Ana era do tipo que se ama, que se protege. Não era uma aventura passageira. E eu não queria ser o canalha que a trataria como tal.
VALENTINAQuando Leon olhou para todos, prendemos a respiração. O silêncio na mesa era pesado. Eu conhecia aquele olhar no rosto do meu marido. Era o olhar de quem tem más notícias.— Infelizmente, Murilo escapou — Leon disse, a voz grave. — A polícia não faz ideia de onde ele está. O bom é que eles prometeram que não vão desistir de procurar, afinal ele é um traficante muito conhecido, já tinha prisão decretada. Disseram que é uma questão de tempo até encontrarem, mas... parece que ele sumiu como se tivesse sido ajudado por alguém.— Como assim? — Rafael perguntou, a voz tensa.— Dos três homens que estavam com ele, todos traficantes conhecidos, foram presos. Mas ele tinha outros trabalhando com ele. A polícia está varrendo o local onde ele era conhecido, mas ainda não o encontraram.Rafael ficou em silêncio por um momento, os olhos azuis intensos escurecendo de preocupação. Não era por ele — era por Verônica e Lili. Tava na cara pelo jeito como ele olhava pra elas.— Bom, se a políc
ANA Eu tinha acabado de sair do meu trabalho na loja de carros quando uma colega me chamou: — Ana, você viu o que tá passando na TV? Parece que teve um atentado na praça! — O quê? — perguntei, sentindo o coração acelerar. — Que praça? — A da Faria Lima, ali no Jardim Paulista. Tão falando que foi uma tentativa de sequestro, porque tem muita gente com grana por lá. Até uns seguranças reagiram ao ataque. Minha colega mostrou as imagens, e eu gelei na hora. Reconheci os seguranças. Eram os dois homens que Leon havia contratado para proteger Valentina. Meu coração disparou. Liguei imediatamente para minha amiga. Ela atendeu no segundo toque. — Valentina! O que aconteceu? Eu vi os seguranças na TV! Você está bem? Está com o Benjamin? — Estou bem, Ana, estou em casa — ela respondeu, a voz um pouco cansada, mas firme. — Foi uma confusão, mas estamos todos bem. Olha, está todo mundo aqui em casa, e eu queria muito que você viesse. Preciso te contar o que aconteceu. — Já estou indo — r







