Mag-log in— Marilua! A voz de Grego a chamou novamente. Ela ergueu a cabeça, confusa, e percebeu que estava sentada na poltrona do escritório havia alguns minutos, perdida em pensamentos. — Desculpe, senhor. Estava distraída. — Percebi. — Ele a observou por um instante. — Aconteceu alguma coisa? Marilua ajeitou a bolsa no colo. — Não, senhor. Apenas estou cansada. Grego pareceu não acreditar inteiramente, mas não insistiu. Em vez disso, recostou-se na cadeira e cruzou as mãos sobre a mesa. — Você sabe que pode me procurar se precisar de alguma coisa, não sabe? Ela assentiu, surpresa com a gentileza. — Obrigada. — Ótimo. Agora, venha até aqui. Quero lhe mostrar uma coisa. Marilua se levantou e contornou a mesa, aproximando-se dele. Grego também ficou de pé. Por um instante, os dois permaneceram frente a frente, tão próximos que ela conseguiu sentir o perfume amadeirado que sempre parecia acompanhá-lo. Ele ergueu a mão e tocou delicadamente seu rosto. Marilua esqueceu
Marilua não pregou os olhos durante toda a noite. Depois de receber a mensagem ameaçadora no celular de Davi, permaneceu ao lado do irmão, observando cada movimento de seu peito e esperando que o médico chegasse. Quando finalmente foi atendido, ele confirmou que, apesar dos hematomas e dos ferimentos, Davi não apresentava sinais evidentes de lesões internas graves. Ainda assim, recomendou repouso e atenção a qualquer piora. A recomendação médica trouxe algum alívio, mas não foi suficiente para afastar o medo. A cada ruído vindo do quintal, Marilua se levantava e caminhava até a porta com uma faca de cozinha nas mãos. Bastava um cachorro latir na rua ou o vento bater contra uma janela para que seu coração disparasse. Ela sabia que aquela atitude não seria suficiente para protegê-los caso os homens voltassem. Mesmo assim, precisava fazer alguma coisa. Não suportaria permanecer sentada, esperando que o pior acontecesse. Dona Lola tentou convencê-la a descansar, mas Marilua recu
No banco traseiro do carro, a caminho da vila, as imagens do senhor Grego ao lado da mulher ruiva voltavam à mente de Marilua com uma insistência irritante, como uma película que se repetia sem que ela encontrasse uma maneira de interrompê-la. A mulher não era apenas bonita. Era deslumbrante. Os cabelos ruivos, num tom acobreado, desciam em ondas até abaixo dos ombros. Algumas mechas douradas refletiam a luz, realçando os olhos grandes, castanhos e amendoados. Os lábios rosados dispensavam qualquer maquiagem para chamar atenção. Havia delicadeza em seus traços, elegância em sua postura e uma segurança que parecia natural. Era o tipo de mulher que combinava perfeitamente com Grego Aslan. Rica, sofisticada e pertencente ao mesmo mundo que ele. Marilua soltou o ar devagar e desviou os olhos para a janela. Aquilo era ridículo. Não tinha o menor direito de se incomodar com a proximidade entre os dois, muito menos de comparar a própria aparência à de uma mulher que mal conhecia.
A festa finalmente havia terminado. Os últimos convidados tinham deixado a mansão Aslan, levando consigo as lembranças de uma tarde repleta de comemorações. No jardim, os funcionários recolhiam as mesas, desmontavam os enfeites e separavam as embalagens que ainda estavam espalhadas pela grama. Os balões coloridos balançavam com a brisa noturna, e algumas luzes decorativas continuavam acesas, iluminando os caminhos entre as árvores. Felícia estava cansada, mas ainda resistia à ideia de ir para a cama. Sentada em um dos sofás da sala, abraçava a boneca bailarina que Anna lhe dera, enquanto Thomas e Jennifer se despediam dela antes de subir para o quarto de hóspedes. Marilua permaneceu ao lado da menina até que Grego se aproximou. Ele havia passado boa parte da noite recebendo convidados e cuidando dos detalhes da comemoração. Apesar do cansaço, parecia satisfeito ao ver a filha tão feliz. — Marilua, pode ir descansar. Seu turno terminou. Ela ergueu os olhos para ele. — Tem
A festa de aniversário de Felícia estava chegando ao fim. Alguns convidados já começavam a se despedir, enquanto outros permaneciam espalhados pelo jardim, aproveitando os últimos momentos da comemoração. As crianças ainda estavam animadas, embora o cansaço começasse a aparecer em seus rostos. Felícia, por sua vez, continuava encantada com os presentes e as brincadeiras. Marilua estava ao lado dela, ajudando a organizar as embalagens que haviam ficado sobre uma das mesas. — Lua, você acha que consigo guardar todos os meus presentes no quarto? Marilua olhou para a pilha de caixas e soltou uma risadinha. — Talvez seja melhor pedir ajuda ao seu pai. Acho que vamos precisar de mais espaço. Felícia olhou na direção de Grego, que conversava com Álvaro próximo à varanda. — Papai vai dizer que eu ganhei coisas demais. — E você acha que ganhou? A menina pensou por alguns segundos. — Não. Acho que ainda faltam alguns. Marilua riu, balançando a cabeça. — Você é uma negoci
Máximo Aslan estava encostado ao balcão onde os funcionários preparavam coquetéis sem álcool para os convidados da festa. Com um copo de água com gás na mão, observava o movimento do jardim enquanto tentava ignorar a discussão que tivera com Alyssa pouco antes. A festa de Felícia estava bonita, a família reunida e o ambiente parecia perfeito para uma tarde agradável. Ainda assim, sua atenção insistia em escapar para uma única pessoa. Marilua. Ela estava perto da mesa de doces, ajudando Felícia a organizar os presentes que a menina já havia recebido. De vez em quando, se inclinava para ouvir alguma coisa que a pequena dizia, e as duas acabavam sorrindo juntas. Máximo acompanhou a cena por alguns segundos, até perceber que estava fazendo aquilo novamente. — Você vai continuar olhando para lá ou pretende aproveitar a festa? A voz feminina surgiu ao seu lado. Ele virou o rosto e encontrou Laura. A namorada de seu pai estava impecável em um vestido elegante que realçava sua







