LOGINAnos antes...
Aurora
— O que acha, madrinha? — dou uma volta no quarto mostrando a roupa.
— Só você para ficar tão linda de jeans, blusa de uniforme e rabo de cavalo. — Ela sorri, segurando a caixa de maquiagem. Foi presente dela no meu aniversário de dezesseis anos. Gostei da intenção, mas não sou fã de maquiagem. Vejo minha madrinha revirar os olhos como uma adolescente teimosa quando nota meu olhar para a caixa. — Acho melhor repensar esse presente.
— Não, madrinha. Eu quero usar em ocasiões especiais. Uma festa, um encontro. E o gloss já está acabando, é meu favorito. Inclusive, me dê ele para completar o visual.
Ela sorri, abre a caixa e me estende o gloss de uva. Gosto do cheiro dele e do gostinho doce.
— Sua mãe ficaria tão empolgada em te ouvir falar em encontros.
Suspiro e pego o gloss, passando um pouco nos lábios. Sinto falta dela. Meus pais morreram em um assalto há um ano. Eu fiquei com minha madrinha, que já morava conosco. Ela era como uma irmã para minha mãe. Tivemos que fugir da cidade. Ela dizia que os bandidos juraram voltar e acabar com a família. Eu estava estudando com meus colegas em um café no dia. Só me lembro de chegar em casa com meus livros e ver ambulâncias e carros de polícia. Os corpos coberto por um pano branco completamente manchados de vermelho sangue.
Foi o pior dia da minha vida. Não sei direito o que aconteceu, e ela sempre cai em crise de choro quando toco no assunto.
É melhor esquecer mesmo. Infelizmente nada vai trazer meus pais de volta, nem apagar a tristeza da ausência.
— É melhor eu ir, para não chegar atrasada no primeiro dia. — Espanto a lembrança dolorosa.
— Lembre de não deixar ninguém te intimidar. — Ela pisca em minha direção.
— Sim, senhora. — Bato contingência como um soldado. Pego minha mochila, meu celular e fones, dou um beijo de despedida e saio.
O colégio de grã-finos fica a poucos quarteirões. Fiquei um longo tempo sem estudar depois que fugimos para esse lugar quente chamado Rio de Janeiro. Para minha sorte, eles me testaram e consegui voltar sem perder um ano.
Coloco minha playlist de MPB e sigo caminhando tranquilamente. A voz de Ana Carolina faz minha mente vagar por pensamentos aleatórios. Na verdade, penso sobre como será esse primeiro dia de aula na escola nova.
Quando chego no lugar imponente, não acontece grande coisa. Sinto alguns olhares, mas nada tão inesperado. Na primeira aula, me sento com duas meninas bem divertidas. Me apresentei para todos diante da classe, como em todo clichê.
Diferente da minha antiga escola, onde mudávamos a cada aula de sala e o professor nos esperavam, nessa escola o professor é que sai. E é uma bagunça os poucos minutos dessa troca. Pelo menos só precisei me apresentar na primeira aula, os outros professores não fizeram questão.
Os próximos dias foram comuns também. Já estava começando a me acostumar com os novos colegas. Me dou muito bem com as meninas que sentaram ao meu lado no primeiro dia Cristina e Bel, elas são grandes amigas. São duas negras lindas de cabelo afro e corpo de violão. Apesar disso, não me sinto pálida e sem graça perto delas, as duas sabem como fazer uma garota se sentir linda.
Agora estou na biblioteca aproveitando um horário livre. Minhas amigas decidiram ir ao campo ver garotos suados. Eu estava louca para conhecer a grandiosa biblioteca, então declinei o convite e aqui estou; nesse mar de livros. É tão empolgante, quero ler todos, até os que já li.
Faço uma pilha nos braços, que vou aumentando cada vez mais. Até que... bammm. Esbarro em uma corpo duro que me faz quase cair. Mas ele é mais rápido e segura meus braços, impedindo minha queda e a queda dos livros.
— Seria uma pena se caísse e amassasse.
— Sim. Obrigada por salvar os livros.
— Ah sim! Eles também, mas falava do seu bumbum.
Apenas o encaro boquiaberta com a ousadia. O que é um grande erro, a beleza desse cara me deixa tonta. Esqueço completamente onde estou e que o tarado falou da minha bunda.
AuroraUm mês depois...— Bom dia! — cumprimento o médico e ofereço uma caneca de café.— Bom dia, dona Aurora. — Ela aceita com seu sorriso polido. — Como foi a caminhada?— Foi bem. Fiz alguns exercícios.Ele apenas assente. Sei que quer dizer alguma coisa, mas todos já estão cansados de tentar me convencer a levar uma vida fora dessa clínica. Mas como posso fazer isso se o homem que amo passa dia e noite aqui por minha culpa? Eu coloquei aquela mulher na vida dele. Eu o deixei esperando por anos e quando acordei duvidei dele e fiz soltar aquela maldita bruxa.Caminho devagar até onde Felipe parece dormir tranquilamente ligado a aparelhos. Ele está em coma há um mês, desde o maldito dia em que o castelo foi invadido.Me sento na poltrona ao lado da cama dele e pego o livro que deixei ontem. Abro na página com marcador e começo a ler de onde parei.Não leio nem um capítulo antes de notar a gota cair no papel, seguida por outra.É impossível continuar com as lágrimas embaçando a visão
NarradorDepois de ligar para seus comparsas, Malévola simplesmente esperou e torceu para que eles não cometessem nenhuma besteira. Não podia fazer mais nada, além de esperar e resmungar sobre incompetência de seus aliados. Quando ouviu os primeiros tiros, seu rosto se iluminou em um sorriso.— Dessa vez, serei a anfitriã do baile. E será o último dos Seven.Só esperou mais um instante, ouvindo a movimentação no corredor fora do quarto, até confirmar que o guarda deixou seu posto. Depois disso, foi fácil. Sempre foi boa em abrir portas com objetos pontiagudos. Em um instante, ela está livre. E poderia fugir, aproveitando a distração da invasão, mas a maldade em seu coração escurecido não permite.— Quem vai colocar um fim naquela sonsa hoje serei eu. — Seu maior desejo ainda não foi realizado; ver o sangue de Aurora escorrendo em suas mãos.Evitando ser vista, ela sai pelo castelo à procura de Aurora.Enquanto isso, Felipe e seu pai correm contra o tempo para salvar as crianças Seven.
Felipe— O que houve com ela? — entro em desespero ao ver Florian correndo com Aurora nos braços em direção ao consultório que montei no castelo.Sim, montei quase que um mini hospital aqui desde a chegada dela. A ideia foi bem recebida, afinal nosso trabalho é perigoso, sem contar a quantidade crescente de crianças sapecas que passam por aqui e podem se machucar... mas isso não vem ao caso agora. Tudo que importa é minha mulher desacordada.— Ela desmaiou quando foi ver a madrinha. — Florian diz enquanto me entrega ela gentilmente.— Aquela maldita! Vou acabar com ela.— Pode acabar com ela, será um alivio para todos, principalmente para vocês. Mas pelo que Aurora falou, não foi culpa dela, sua mulher já estava passando mal antes.Ouvir isso não me deixa mais animado.Seguimos os poucos metros em silêncio. O médico que contratei lia tranquilamente na sua sala enquanto esperava precisarmos dos seus serviços.Assim que nos entramos, ela levanta prontamente.— Coloca ela na maca — orien
MalévolaAnos antes...— Como assim?— Um Seven?— Puta merda!Espero cada um desses imbecis darem sua opinião sobre o que contei sobre o namoradinho da sonsa as Aurora.— Terminaram com a ladainha? Se sim, quero continuar, pois não contei quem é o namoradinho daquela peste para passar o tempo.— Fala. Estamos esperando. — Cassio, o maior babaca que já tive o desprazer de conhecer, diz.— É o seguinte... — Faço uma pequena pausa, até ter a atenção de todos. — Quero que juntem todos os que estão ferrados pelos Seven. Aqueles que não tem mais nada a perder. Farei esse momento virar a nossa chance de acabar com cada um deles ao mesmo tempo. Eles fazem muitos bailes...— Onde é impossível entrar. — Um deles me interrompe. Nem olho para saber quem foi.— O namoro de Aurora será minha chance de convencer alguém na casa a deixar meus amigos penetras entrarem... Algo do tipo. Sabem que sou bem persuasiva. Preparem-se.Algum tempo depois...— Acorda, bruxa. Eu não disse que poderia dormir.A v
Felipe— Bom dia, minha bela adormecida! — Estou sorrindo feito um garoto que perdeu a virgindade com a menina que sempre amou.— Por que não me mostra fotos? — franzo o rosto sem entender a pergunta repentina. — Fotos de nós dois. Você quer que eu acredite, mas não me mostra fotos, nada que prove.Até parece que não pensei nisso.Vou até a gaveta da mesa de cabeceira e pego o celular lilás, sua cor favorita. Caminho até a cama e sento na beira. Meu coração fica mais tranquilo quando ela não se afasta.— Pensei em fazer isso, mas hoje em dia as pessoas podem fraudar até vídeos. Desisti. Você estava muito propicia a não acreditar em mim. Mas se quiser, pode ver muita coisa aqui. Inclusive coisas que não podem ser fraudadas. — Entrego o telefone para ela.Aurora pega o aparelho e analisa.— E por que não me mostrou essas coisas então?— Pode parecer tolice, mas eu escolhi esperar que acreditasse e se lembrasse de mim. — Sorrio. — E não me arrependo. Mesmo sem te mostrar, olha onde você
AuroraO que foi que eu fiz? O que acabei de dizer?Foi tudo tão bom, tão gostoso. Me pareceu tão certo, que nem percebi as palavras saindo da minha boca.Tento escapar, mas Felipe me prende, ainda dentro de mim.— Não faz isso. Você me deu essa noite para viver como um casal. Não vou abrir mão de nenhum segundo dessa chance — diz com seriedade. — Vamos esquecer que você se assustou porque disse essas três palavras, eu vou me afastar, vamos nos vestir, sair e aproveitar a noite que me prometeu, ok?Que ousado! Eu não prometi nada, apenas disse aquilo no calor do momento.— Estou esperando sua resposta.— Ok. Pode sair de dentro de mim agora?Ele puxa a calça, fecha, e obedece. Se afastando o suficiente para pegar os papéis macios de enxugar as mãos e se abaixar na minha frente, limpando seu sêmen que escorre por minhas pernas.Com um sorriso ladino, Felipe aperta o papel contra minha intimidade sensível, fazendo meu corpo entrar em alerta outra vez, ansioso por mais.— Será que dessa







