Inicio / Romance / A Bonequinha Não Sabe Brincar / Capítulo VIII - Laços e Riscos

Compartir

Capítulo VIII - Laços e Riscos

Autor: S.R.Silva
last update Fecha de publicación: 2023-08-05 11:49:07

O dia mal havia começado e eu estava cansada, meu pescoço estava dolorido, mas ainda tenho mais uma consulta antes do almoço. Estava finalizando uma consulta quando minha secretária avisa que tenho uma visita à minha espera, digo a ela que peça para a pessoa aguardar enquanto finalizo o atendimento e vou para a sala de espera, ao chegar, me surpreendo com o visitante.

"Maurício Velasquez, que surpresa encontrá-lo." – Digo enquanto dou um beijo em seu rosto.

"Estava aqui perto e pensei em convidá-la para almoçar."

"Hum! Estou realmente faminta já que pulei o café da manhã." – Estava indo pegar a minha bolsa quando Dimas apareceu.

"Olá, doutora, vim convidá-la para almoçar comigo." – Ele olhou para Maurício e depois para mim.

"Desculpa, Dimas, já tenho compromisso." – Pego a mão de Maurício e o levo até a minha sala, pegamos minha bolsa e fomos a um restaurante próximo.

Pedimos nossos pratos e enquanto aguardamos, Maurício me faz algumas perguntas sobre minha infância, o que é muito difícil de responder, mas como sou boa em mentir é isso que faço.

"Perdi meus pais muito pequena."

"Meus sentimentos." – Ele diz com pesar.

"Não sinta, faz tanto tempo que nem lembro dos seus rostos." – Uma grande mentira, lembro exatamente dos rostos deles me pedindo para não matá-los. "Fui criada pelo meu tio e não tenho o que reclamar." – Maurício pegou minha mão e franziu o cenho quando viu meu dedo mindinho esquerdo.

Rapidamente retiro minha mão da sua e sorrio para ele. Digo a ele que quebrei meu dedo mindinho jogando futebol, o que é outra mentira, já que quebrei ele doze vezes durante o treinamento.

"Hum! Você era uma boa jogadora?"

"Sou péssima, na verdade o único jogo que sou boa é nas cartas."

"Também sou bom nas cartas. Que tal marcarmos de jogar um dia desses?"

"Só aceito se você aceitar jogar segundo as minhas regras." – Estou quebrando as próprias regras que criei, mas Maurício me ganha somente com seu olhar sincero, o que é raro hoje em dia.

Nossos pedidos chegaram e começamos a comer. Após a sobremesa, Maurício me levou para o consultório.

"Já que não conseguimos sair por conta das divergências de horário, estarei livre à noite. Que tal você jantar em minha casa?"

"Na sua casa?" – Perguntei e ele confirmou. "A sua filha não vai achar estranho?"

"Já falei de você para ela, e Aninha está louca para conhecê-la."

"Se você diz, eu aceito." – Ele beijou meu rosto e saiu.

Finalizei minhas consultas e fui para a organização resolver a questão da minha nova missão, soube mais algumas informações sobre o meu alvo, o que me ajudou a criar uma personagem. Depois de tudo resolvido, finalmente vou para casa e assim que chego, me jogo em meu sofá. Vou te falar, minha vida não é nada fácil. Estava deitada no sofá quando meu celular apitou.

"Amiga, ouvi dizer que seu alvo estará aqui no clube amanhã. Parece que ele irá fechar algum negócio."

"Você é a melhor, gata. Vou me arrumar para me encontrar com Maurício."

"Hum! As coisas estão avançando rápido entre vocês. Espero que dessa vez você deixe entrar em seu coração."

"Como se a minha vida fosse tão fácil assim." – Digo a ela e a imagino revirando os olhos.

Travei meu celular e fui para meu closet escolher um look. Demorei quase cinquenta minutos para escolher uma roupa, mas finalmente escolhi uma saia preta justa e uma blusinha preta para esconder meu decote. Escolhi um salto preto da mesma cor e finalizei tudo com uma maquiagem. Depois de pronta, fui para a sala e antes que eu pudesse sentar, Maurício me ligou avisando que já estava à minha espera. Peguei um canivete e uma das minhas armas e coloquei no fundo falso da bolsa. Sempre ando armada por precaução. Quando cheguei ao elevador, Lucas, um dos meus muitos vizinhos gatos, segurou para mim, e entrei agradecendo a ele.

Quando saí do condomínio, encontrei Maurício encostado em seu carro, e nem preciso dizer como isso é sexy.

"Você está linda." – Ele diz me dando um beijo no rosto.

"E você também, gato." – Maurício sorri e abre a porta para que eu entre.

Me acomodei e ele entrou, dando partida no carro. Durante o caminho, fomos conversando animadamente até que chegamos. Maurício estacionou o carro e pegou a minha mão para entrarmos. Já na entrada, encontro dois homens, e Maurício me apresenta como seus motoristas. Os dois me cumprimentam, e entramos na casa, onde conheço a governanta.

"Nossa! Sua casa é bem…"

"Essa casa era dos meus pais. Cresci aqui, junto a essas pessoas, e achei um bom lugar para poder cuidar da minha filha."

Antes que eu pudesse abrir minha boca, uma cabeleira loira apareceu correndo e se agarrou nas pernas de Maurício. Ele se abaixou e começou a conversar com ela em língua de sinais. A pequena se virou para mim e sorriu. Me abaixei e também comecei a conversar com ela em língua de sinais. Um tempo depois, fomos convidados a irmos para a mesa, e quando cheguei, me surpreendi.

"Você está dando uma festa?" – Perguntei a ele, que sorriu negando.

"Na verdade, eu não sabia o que você gostava, então pedi para preparar um pouco de cada."

"Era bem mais fácil ter me perguntado o que eu gostava."

"Senta aqui." – Ele puxa a cadeira para que eu me sentasse.

Fiz o que ele pediu. Maurício também acomodou Ana Cristina e depois sentou-se. A governanta, que se chama Juliana, nos avisou sobre tudo o que tinha, e nos pediu para escolher, e eu optei pela carne assada, enquanto Ana e Maurício optaram por pato assado. A refeição estava uma delícia, e após o jantar, fomos para a sala conversar. Um tempo depois, Ana Cristina se mostrou cansada, e Maurício a levou para seu quarto e depois retornou.

"Sua sobrinha/filha é uma graça." –  ele sorri e me agradece. "Nunca pensou em se casar, para dar uma mãe a Ana?"

"Claro que já, mas sou uma pessoa muito ocupada. Cuidar da empresa e da minha filha requer muito tempo, e ela não fica à vontade com mulheres. Não entendi como ela ficou tão bem com você."

"Nós temos uma ligação porque eu a trouxe ao mundo." Maurício concordou. "Está tarde, acho melhor eu ir."

"Por que não dorme aqui? O Rio de Janeiro é perigoso à noite." Dou um sorriso, mas na verdade gostaria de dizer que eu sou a coisa mais perigosa do Rio de Janeiro.

Ele insistiu muito, e acabei aceitando. Pensei que ele me levaria para um quarto de hóspedes, mas Maurício me levou para seu quarto. Fizemos amor a noite toda, e na manhã seguinte, acordo sendo esmagada pelos braços de Maurício. Sinceramente, não sei o que ando fazendo da minha vida. Sempre digo que me envolver com alguém é por um alvo nas costas, mas às vezes as coisas acabam meio que saindo do nosso próprio controle e é isso que está acontecendo comigo. 

"Hum! Você já acordou."  Maurício diz de forma preguiçosa, dando um beijo em meu pescoço e antes que ele começasse a esquentar as coisas me afastei.

"Assim como eu. Acho que você tem trabalho a fazer, não?"

"Hoje é sábado, eu trabalho de casa. Você vai para a clínica."  Confirmo que sim. Ele me convida para fazermos algo mais tarde, e digo a ele que já havia combinado com minha amiga.

Tomamos banho, e quando descemos, o café já estava posto para nós. Um tempo depois, Ana apareceu sorrindo e desejando bom dia.

‘Bom dia para você também.’ Digo a ela em línguas de sinais, que sorriu. ‘Oi, tia, você dormiu aqui?’ Ela perguntou de sobrancelha erguida. Mauricio ralhou com ela, e eu disse que estava tudo bem. ‘Dormi sim, minha linda, tem algum problema?’ – Perguntei, e ela negou com a cabecinha. ‘Gosto de você, tia.’  Ela disse sorrindo e me abraçou.

Conversei com ela um pouco mais, depois me despedi deles e fui para casa. Na verdade, não tenho expediente hoje. Só precisava ficar sozinha para pensar. Embora o jantar tenha sido maravilhoso, não posso me apegar a eles, pois só me atrapalharia.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • A Bonequinha Não Sabe Brincar   Capítulo LXXIII - Amor, Responsabilidades e Novas Missões

    A manhã estava ensolarada e cheia de promessas quando levei Aninha e Brendon para a escola. O ar estava fresco e repleto de expectativa, refletindo o começo de um novo dia e o início de novas aventuras.No portão da escola, nos despedimos. Aninha sorriu e me abraçou, e meu coração se aqueceu com seu gesto de afeto. Então, de repente, suas palavras me surpreenderam e tocaram profundamente. "Tchau, mãe. Te amo!"Fiquei momentaneamente sem palavras, lágrimas de alegria e gratidão surgindo em meus olhos. "Eu também te amo, minha querida."Depois de abraçar Brendon e dar a ele uma conversa sobre ser gentil e respeitoso com os coleguinhas, ele me olhou com seus olhos cheios de curiosidade. "Mas mamãe, e se algum idiota tentar bater nos meus amigos?"Sorri e me inclinei para ficar na sua altura. "Bem, meu amor, eu não quero que você ameace ninguém. Mas se alguém tentar machucar seus amigos de verdade, você pode protegê-los, usando suas palavras."Ele pensou por um momento, então perguntou co

  • A Bonequinha Não Sabe Brincar   Capítulo LXXXII - Celebrando a Jornada: Amor, Família e Promessas

    Três anos se passaram desde aquele momento de reunião e celebração entre amigos. E o que posso dizer? A vida continua nos presenteando com desafios, risos e momentos preciosos que nos lembram do quanto somos abençoados.Hoje, Aninha já tem 9 anos e está se tornando uma criança incrível. Seu espírito aventureiro e curiosidade sem fim me lembram tanto de mim mesma quando era mais jovem e isso é incrível porque não temos laços sanguíneos. Ela é gentil, engraçada e tem um jeito especial de iluminar qualquer ambiente em que entra.Enquanto isso, Brendon está completando 4 anos, e cada dia que passa ele parece mais e mais comigo. Mauricio costuma brincar que é como se eu tivesse clonado a mim mesma. Ele tem meus olhos, minha teimosia e meu sorriso. Às vezes, olho para ele e vejo o reflexo do passado, mas também a promessa de um futuro brilhante.E hoje é uma ocasião especial - a festa de aniversário de 4 anos de Brendon. O tema da festa? Patrulha Canina, é claro. Ele é obcecado por esses he

  • A Bonequinha Não Sabe Brincar   Capítulo LXXXI - A Missão

    O dia da missão havia chegado. Estava determinada e focada, com um desejo ardente de eliminar o monstro que representava uma ameaça para crianças inocentes. Antes de sair de casa, olhei para Brendon dormindo em seu berço. Seus pequenos suspiros e sorrisos enquanto sonhava eram um lembrete constante do motivo pelo qual eu lutava.Me preparei meticulosamente. Vestindo um traje de aparência comum, mas que ocultava habilmente minhas armas, eu me transformava em outra pessoa, uma sombra que caçava os piores criminosos.Chegando ao local da missão, uma rua residencial tranquila, encontrei um lugar discreto onde pude observar a casa de Rodrigo Santos. Era uma casa imponente, mas essa imagem mascarava a escuridão que se escondia por trás das paredes. Respirando fundo, coloquei um par de óculos escuros e comecei a me aproximar.Eu tinha estudado cada detalhe do dossiê e estava determinada a atrair a atenção de Rodrigo. Caminhei pela calçada com confiança, meu olhar cruzando casualmente com o d

  • A Bonequinha Não Sabe Brincar   Capítulo LXXX - Finalmente Um Novo Alvo

    Um mês se passou desde que voltei ao trabalho como obstetra, mas estava mesmo ansiosa para voltar às missões, nesse meio tempo me matriculei na academia só para manter a forma, depois do meu expediente recebi uma mensagem de Ezra e ele me pediu para ir à organização. Um friozinho passou pela minha barriga e eu estava animada, pois sabia que seria uma missão depois de meses. Rapidamente chego a organização e cumprimento o pessoal encontrei Cibele e conversei brevemente com minha amiga e a convidei para ir em minha casa no sábado e ela se animou. Após a conversa entrei na sala de Ezra e ele se levantou para me abraçar. “Oi filha, como você está?” “Estou muito bem, mas me diga por que me chamou aqui? Tem algo para mim?” "Ohana," ele começou, "tenho uma missão que acredito que você esteja pronta para assumir." Ele me entregou e comecei a ler. Alvo: Rodrigo Santos Perfil do Alvo: Rodrigo Santos, 50 anos, influente empresário no setor de tecnologia. Nos últimos anos, foi discretament

  • A Bonequinha Não Sabe Brincar   Capítulo LXXIX - Equilíbrio da Vida

    Seis meses se passaram desde o nascimento de Brendon, mergulhando-me em uma rotina doce de cuidados, risos e amor. Cada dia trazia consigo novos desafios e aprendizados, enquanto eu navegava a vida de mãe, encontrando o equilíbrio entre a responsabilidade materna e o desejo de continuar ativa tanto no hospital quanto na organização. Contudo, uma decisão estava prestes a ser tomada, uma escolha que dividiria opiniões e moldaria o futuro.Sob o brilho radiante do sol matinal, eu respirei fundo e tomei uma decisão. A vontade de retornar às operações da organização fervilhava dentro de mim, um chamado irrefreável que me fazia sentir viva de uma maneira única. Sabia que tanto Mauricio quanto Ezra não ficariam satisfeitos com isso, ambos preocupados com minha segurança e, principalmente, com a de Brendon. No entanto, era algo que eu precisava fazer para me reconectar com a parte de mim que existia para além da maternidade."Tia, aonde você vai assim toda arrumada?" Aninha perguntou, olhando

  • A Bonequinha Não Sabe Brincar   Capítulo LXXVIII - Laços de Amor

    Ohana DuarteAcordei feliz e estava ansiosa para ver meu bebê, a enfermeira entrou e me avisou que eu deveria me alimentar para a primeira amamentação e eu estava ansiosa, como pode? Consigo assassinar alguém com maestria e sem um pingo de nervosismo e aqui estou eu nervosa e trêmula para a primeira amamentação. Enquanto a enfermeira se afastava para buscar o café da manhã, meu coração estava em uma mistura de nervosismo e excitação. Era quase engraçado perceber como a experiência de maternidade podia trazer à tona sentimentos tão intensos e contrastantes. Eu, que estava acostumada com situações extremas e perigosas, agora me via ansiosa por algo tão natural e fundamental como a primeira amamentação.Segurei Brandon nos braços, olhando para aquele rostinho sereno enquanto ele dormia. Seus pequenos lábios se moviam levemente, e sabia que ele estava prestes a acordar com fome. Abracei-o suavemente, sentindo a conexão única que compartilhávamos.Quando a enfermeira retornou com o café d

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status