تسجيل الدخولAo levar a mão às costas por instinto, Álvaro sentiu uma umidade pegajosa. Quando trouxe os dedos para a altura dos olhos, o pânico tomou conta de suas feições: estavam cobertos de sangue. O jaleco branco, antes impecável, agora exibia uma mancha escarlate que se espalhava pelo tecido.— Eu estou sangrando! — Gritou ele, com a voz esganiçada pelo desespero. — Venham logo estancar esse sangue! Façam alguma coisa, seus inúteis!O choque de ver o próprio sangue o deixou atordoado por um instante. Logo em seguida, o pavor da morte o dominou por completo. Ignorando a dor lancinante, ele começou a rastejar de forma patética em direção à maca, na tentativa desesperada de tomar o único leito de emergência disponível na sala.Antes que ele pudesse se aproximar, ergui o pé e o empurrei de volta para o chão com um golpe seco.— É só um arranhão superficial, você não vai morrer por causa disso. Fique no seu canto e não atrapalhe! — Ordenei, sem um pingo de pena.— Você passou de todos os limites!
"Assim que essa velha bater as botas, vou usar toda a minha influência na mídia para destruir a reputação dessa mulherzinha arrogante. Ela nunca mais vai pisar em um hospital como médica! E quando estiver no fundo do poço, sem um tostão furado e desesperada, vai rastejar até mim, implorando por ajuda. Então, ela será minha, totalmente sob o meu controle", maquinava Álvaro em sua mente doentia.O seu olhar percorreu as curvas do corpo de Cecília e se fixou em seu rosto deslumbrante, revelando um brilho sombrio de pura luxúria. "Sua desgraçada, quem você pensa que é para cuspir na minha cara desse jeito?", esbravejou em pensamento. No Hospital Central inteiro, não havia uma única enfermeira ou médica que ousasse rejeitar as suas investidas. Mas Cecília não apenas o havia rejeitado, como também o humilhado em público repetidas vezes. Aquela seria a punição perfeita para a insolência dela."É agora! Falta muito pouco! Basta arrancar uma única agulha para caracterizar um erro médico fatal
Por mais que quisesse agradar ao superior, arriscar a própria integridade física estava fora de cogitação.— Doutor Álvaro, esse cara está fora de si. É melhor a gente não forçar a barra. — Sussurrou Michel, desistindo por completo da ideia de bancar o valente. — Por que o senhor não liga direto para a segurança?Ele recuou de mansinho, voltando a se abrigar atrás do chefe.— Seu inútil! Está com medo de quê? — Praguejou Álvaro, fuzilando o subordinado com um olhar de pura decepção.Michel engoliu a ofensa em silêncio, mas por dentro fervia de indignação. "Filho da mãe! Se você é tão machão, por que não vai lá e tira ele da porta?", pensou Michel, revoltado. Ninguém ali era bobo. Ele não serviria de bucha de canhão para os caprichos do doutor.Percebendo que não podia contar com o colega, Álvaro voltou a sua ira para mim.— Você vai se arrepender disso, seu moleque! Causar tumulto em um hospital é crime, e eu vou garantir que você pague caro! — Ameaçou ele, sacando o celular do bolso
As enfermeiras tentaram manter a voz baixa no canto da sala, mas o sussurro delas chegou nítido aos meus ouvidos. Franzi a testa, surpreso ao descobrir que Cecília carregava um passado tão conturbado com o Hospital Central. No entanto, o histórico de desavenças pouco importava agora. Eu jamais permitiria que a presença de Álvaro prejudicasse o tratamento de Jaqueline.— Michel, se a nossa colega está tão confiante nas próprias habilidades, para que chamar os seguranças? — Ironizou Álvaro, sem desviar os olhos de Cecília. — Vá depressa chamar a imprensa e os diretores do hospital. Diga que temos uma oportunidade imperdível de aprendizado. O que está esperando? Ande logo!Por trás daquele sorriso cínico, a intenção dele era clara. "Vou fazer essa mulher engolir a rejeição que me fez passar.", pensava o médico, consumido pelo desejo de vingança.— Sim, doutor Álvaro! — Respondeu Michel, endireitando a postura e dando meia-volta para cumprir a ordem.Antes que ele pudesse dar o segundo pa
Ao redor da maca, um outro médico e três enfermeiras ainda tentavam manobras de reanimação.— Saiam da frente. Se já não sabem o que fazer, parem de fingir que estão ajudando. — Disparou Cecília.Ela avançou sem a menor cerimônia, afastando o médico com o ombro e assumindo o controle da situação.— Quem você pensa que é? — Esbravejou o homem, franzindo a testa. Ao focar no rosto dela, os seus olhos se arregalaram. — Cecília? É você mesma!O choque inicial logo deu lugar a um sorriso cínico.— Você ainda tem a coragem de pisar neste hospital? — Provocou ele, com um tom carregado de hostilidade.Para a surpresa do sujeito, Cecília o ignorou por inteiro, concentrando toda a sua atenção em avaliar os sinais vitais de Jaqueline. Helena e eu observávamos a cena do canto da sala, confusos com aquela interação. "O que está acontecendo aqui? Eles se conhecem?", me perguntei, notando a clara inimizade no ar.Naquele momento, o médico que havia tentado nos barrar no corredor invadiu a sala esbaf
— Doutor, eu imploro, salve a vida dela. Eu não posso viver sem a minha avó! — Suplicou Helena, à beira de um colapso nervoso. Ela chorava em desespero, quase se ajoelhando no chão frio do corredor para implorar por um milagre.O médico, no entanto, balançou a cabeça com uma expressão de profunda impotência.— Senhora, por favor, tente manter a calma. De fato, fizemos tudo o que estava ao nosso alcance. O coração da sua avó está fraco demais, chegou ao limite e não consegue mais resistir. Continuar com as manobras de ressuscitação só traria mais sofrimento a ela. Se quiserem, podem entrar agora para se despedirem...Após dar a terrível notícia, ele se virou, pronto para voltar à sala.— Vó! Vou fazer aqueles desgraçados pagarem por isso! — O grito de Helena, carregado de uma dor insuportável, ecoou pelos corredores do hospital.Foi naquele exato momento de desespero que uma voz firme e serena soou não muito longe dali:— Quem foi que disse que não tem mais jeito? Me deixem dar uma olh