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CAPÍTULO 6

Autor: Madeirinha
Já não bastava August ter sido cego aos próprios sentimentos; ele ainda confundiu o cuidado que tinha por Anna com amor.

No instante em que voltou, jurou para si mesmo que faria o que fosse preciso para conquistar o perdão de Sophina.

Como nunca tinha duvidado da devoção dela, August tinha certeza de que eu só estava fazendo birra.

Assim que percebeu a verdade, ele não perdeu um segundo e correu de volta para a enfermaria.

Durante todo o caminho, sua mente foi um turbilhão.

Ele pensou em co
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  • A Centésima Rejeição   CAPÍTULO 8

    Desde então, minha vida ficou simples, mas plena.Durante o dia, eu praticava piano. À noite, compunha. E, sempre que sobrava algum tempo, assistia às aulas na academia de música.Meu progresso rápido rendeu muitos elogios da senhora idosa. Ela vivia dizendo a todo mundo que eu era a aluna mais esforçada e talentosa que já tinha conhecido.Eu apenas sorria.Não se tratava de me forçar além do limite. Eu só tinha encontrado o meu caminho na vida.Seis meses depois, participei de uma pequena competição musical.Naquela noite, a sala de concertos estava lotada.Olhei de relance para um canto e vi uma silhueta familiar.Era August.Mas não era o August que eu conhecia. Nos olhos dele havia culpa e arrependimento, além de um anseio contido que eu mal conseguia compreender.Era exatamente aquele olhar que, um dia, eu sonhei em ver nele.Só que os sentimentos dele chegaram tarde demais.Sem dar a menor atenção ao olhar intenso dele sobre mim, baixei os olhos e continuei tocando.

  • A Centésima Rejeição   CAPÍTULO 7

    A cada detalhe que Anna mencionava, o peito de August se apertava de dor.Nem a menor parcela do favoritismo dele tinha escapado aos olhos de Anna. Ela guardou tudo na memória.E Sophina?August não conseguia parar de pensar em quanto ela devia ter visto e em quanta dor tinha suportado em silêncio.Incapaz de aguentar esse pensamento, August saiu dali às pressas.Ele se sentou sozinho no jardim, enquanto as emoções o devoravam por dentro.Tudo o que queria naquele momento era um cigarro para anestesiar os sentidos. Só que seu isqueiro tinha ficado no quarto.Já fazia algum tempo, então Anna certamente já devia ter ido embora.O que August não esperava era ouvir a voz maliciosa de Anna ecoando no instante em que se aproximou do quarto.— Céus, por que você simplesmente não matou Sophina durante o sequestro? Agora August está obcecado por ela!— O que foi que você disse? — August rosnou.Erguendo o braço, ele agarrou o pescoço de Anna com clara intenção de matá-la.Anna lutou

  • A Centésima Rejeição   CAPÍTULO 6

    Já não bastava August ter sido cego aos próprios sentimentos; ele ainda confundiu o cuidado que tinha por Anna com amor.No instante em que voltou, jurou para si mesmo que faria o que fosse preciso para conquistar o perdão de Sophina.Como nunca tinha duvidado da devoção dela, August tinha certeza de que eu só estava fazendo birra.Assim que percebeu a verdade, ele não perdeu um segundo e correu de volta para a enfermaria.Durante todo o caminho, sua mente foi um turbilhão.Ele pensou em como pedir desculpas, como reparar seus erros e como compensar todo o tempo perdido.Mas, para seu desespero, o que o recebeu não foi Sophina, e sim um quarto vazio.Sem sinal da loba que ele tanto queria ver, August sentiu um buraco se abrir no peito, enquanto o pânico o dominava.Ele saiu correndo do quarto e agarrou uma enfermeira que passava pelo corredor, apertando com tanta força que ela soltou um grito de dor.— Onde está Sophina? — A voz dele tremia. — Ela estava ferida demais para rec

  • A Centésima Rejeição   CAPÍTULO 5

    Ponto de vista em terceira pessoaO avião pousou na Baía de Codar.Com o celular erguido, Anna tirava fotos sem parar e postava sua viagem nas redes sociais com entusiasmo. Ela não parecia nem um pouco traumatizada.August observava o sorriso radiante dela, mas sua mente estava em outro lugar.Nos últimos cinco anos, ele nunca tinha visto um sorriso assim no rosto de Sophina.Não. Isso não era verdade.Ele já tinha visto, sim.Durante o primeiro ano em que estiveram juntos, Sophina sempre sorria para ele.Toda vez que ele chegava em casa, ela o recebia com um sorriso e pegava seu casaco. Depois das longas noites que ele passava trabalhando, sempre havia um copo de leite pronto para ele. A energia alegre dela nunca vacilava, e bastava ele comentar por acaso que queria comer alguma coisa para Sophina correr para a cozinha e passar horas preparando tudo.Naquela época, havia luz nos olhos de Sophina.Em algum momento do caminho, tudo aquilo mudou.August não conseguia identific

  • A Centésima Rejeição   CAPÍTULO 4

    Anna ergueu os olhos, e eles brilhavam com uma curiosidade cautelosa e calculada.— Eu sempre quis um vestido assim. August, posso experimentar um?Ela olhou para August com delicadeza. E, como eu já esperava, August nunca diria não para ela.Tudo aconteceu exatamente como devia acontecer.Anna experimentou um vestido atrás do outro, enquanto August mantinha toda a atenção nela, dando sugestões e, às vezes, ajeitando a cauda do vestido com as próprias mãos.A sala VIP ficou tomada pelas risadas dos dois e pelos elogios dos funcionários. Era como se Anna fosse a verdadeira protagonista desde o começo.E eu fiquei quieta num canto, como uma espectadora do início ao fim.O cansaço pesava sobre mim. Mesmo assim, eu não sentia o menor incômodo ou irritação ao vê-los interagir daquele jeito.Eu só estava entediada, esperando que tudo acabasse logo.Talvez a minha presença finalmente tenha atingido August, porque ele pegou alguns vestidos e veio na minha direção, de forma estranha e

  • A Centésima Rejeição   CAPÍTULO 3

    Antes que August conseguisse entender o que estava sentindo, Anna apareceu chorando, como uma corça assustada.— Me desculpa, Sophina... — Ela se jogou ao lado da minha cama, com a voz embargada pelos soluços. — Se eu soubesse que você era alérgica a leite... A culpa foi toda minha. Eu quase matei você...Anna e eu crescemos na mesma casa.Era até possível que ela realmente não soubesse da minha alergia.Só August acreditaria numa mentira tão ruim.E, como esperado, ele deu um passo à frente e envolveu os ombros de Anna com o braço, cheio de ternura.— Não chore, Anna. Sophina não está brava com você. Não coloque essa culpa sobre si mesma. Além disso, você não fez isso de propósito.Com os olhos ainda úmidos, Anna abriu um sorriso e me abraçou com doçura.— Obrigada, Sophina. Você é a melhor.Então ela se inclinou e sussurrou quase sem som no meu ouvido:— Dê graças à sorte. E daí que você sobreviveu? Você nunca vai se unir a August enquanto eu estiver por perto!Aquilo não

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