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CAPÍTULO 3

Autor: Madeirinha
Antes que August conseguisse entender o que estava sentindo, Anna apareceu chorando, como uma corça assustada.

— Me desculpa, Sophina... — Ela se jogou ao lado da minha cama, com a voz embargada pelos soluços. — Se eu soubesse que você era alérgica a leite... A culpa foi toda minha. Eu quase matei você...

Anna e eu crescemos na mesma casa.

Era até possível que ela realmente não soubesse da minha alergia.

Só August acreditaria numa mentira tão ruim.

E, como esperado, ele deu um passo à frente e envolveu os ombros de Anna com o braço, cheio de ternura.

— Não chore, Anna. Sophina não está brava com você. Não coloque essa culpa sobre si mesma. Além disso, você não fez isso de propósito.

Com os olhos ainda úmidos, Anna abriu um sorriso e me abraçou com doçura.

— Obrigada, Sophina. Você é a melhor.

Então ela se inclinou e sussurrou quase sem som no meu ouvido:

— Dê graças à sorte. E daí que você sobreviveu? Você nunca vai se unir a August enquanto eu estiver por perto!

Aquilo não era novidade para mim.

A sequência de ausências dele e as fugas de última hora já tinham deixado tudo bem claro.

Desde pequena, eu sabia que Anna me odiava por eu tirar dela até a menor parcela do amor que deveria pertencer apenas a ela.

E eu, com minhas tentativas desajeitadas, busquei a aprovação de August, acreditando que minha sinceridade e meu esforço me renderiam ao menos um pequeno espaço no coração dele.

Mas August só tinha olhos para Anna.

Eu já não ansiava mais pelo afeto dele.

Mesmo quando Anna exibiu o colar que tinha ganhado de August, eu não senti absolutamente nada.

Era verdade que a pedra preciosa do colar era maior e mais brilhante do que os meus brincos, mas meu coração já estava duro como pedra.

Nos dias seguintes, August ficou ao meu lado o tempo todo, provavelmente por culpa.

Todas as noites, quando eu me deitava, conseguia sentir o olhar intenso e ardente dele pousado em mim.

Não demorou muito para eu receber alta.

No dia em que saí da enfermaria, August foi me buscar.

Como sempre, abri a porta do banco do passageiro da frente, mas encontrei Anna ali, mastigando batatas fritas.

Ela piscou inocentemente e disse:

— August me colocou aqui porque eu não passo bem em viagens. Espero que você não se importe.

Sem responder de imediato, meus olhos desceram para as migalhas espalhadas pelo chão do carro.

August sempre teve mania de limpeza.

Mesmo quando eu ficava com tanta fome e a glicose tão baixa que quase desmaiava, ele nunca abria exceção para que eu comesse dentro do carro.

Estava óbvio onde morava o coração dele. Ainda assim, eu tinha sido cega o bastante para me agarrar a isso durante cinco anos.

— Não me importo nem um pouco. Sua saúde é mais importante, Anna.

Sem discutir, subi no banco de trás.

Pelo retrovisor, percebi a testa franzida de August.

Virei o rosto para a janela e escolhi ignorá-lo.

A paisagem do lado de fora parecia estranha e, depois de algum tempo, percebi que aquele não era o caminho de volta para casa.

Notando minha confusão, August falou em voz baixa:

— Você emagreceu um pouco, então o vestido não vai servir. Como a nossa cerimônia é daqui a dois dias, ainda dá tempo de escolher um novo.

O carro parou em frente a uma loja.

Assim que desceu, August foi até o outro lado e estendeu a mão para ajudar Anna a sair.

Eu continuei sentada no carro, observando tudo em silêncio.

Só depois abri a porta e desci também.

Quando August percebeu, o sorriso em seu rosto congelou.

Ele recolheu o braço num gesto atrapalhado e veio depressa na minha direção.

— Sophina, eu...

Querendo acabar logo com aquilo, ergui a mão e o interrompi.

— Vamos logo. Eu só quero escolher um vestido e voltar para casa. Estou cansada.

Sentada na sala VIP, eu não demonstrava o menor interesse enquanto os funcionários me mostravam um vestido após o outro.

Os vestidos eram lindos, mas pareciam ter sido feitos para outra loba, não para mim.

Anna soltou um leve suspiro de admiração e falou, hesitante:

— Acho que esses vestidos são do meu tamanho...
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