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Capítulo 2

Penulis: Eternity
Quando terminamos de deixar Mia em casa, já passava das nove. A neve caía cada vez mais forte ao redor do lago, cobrindo a estrada com uma fina camada de gelo.

Quando o Cadillac finalmente entrou na garagem subterrânea do prédio onde ficava nossa cobertura, meus dedos já estavam dormentes.

Lucian desligou o motor e se inclinou para soltar meu cinto de segurança.

— Sinto muito, Elena. Vou cancelar a reunião nas docas amanhã e reservar o salão de ópera novamente. Só nós dois. Tudo bem?

Olhei para o rosto dele, próximo o suficiente para que eu pudesse tocá-lo. Lucian continuava lindo daquele jeito perigoso e injusto. Ainda me olhava como se eu fosse a mais delicada fraqueza em seu mundo impiedoso.

Mas os números vermelhos sobre sua cabeça não desapareceram.

[198 dias, 11 horas e 45 minutos.]

Abri a porta do carro.

— Não. Não estou me sentindo bem, só quero descansar.

Não voltamos a conversar naquela noite.

Depois do banho, uma enxaqueca começou a latejar com força atrás das minhas têmporas. Como eu não tinha jantado, minha glicemia também despencou.

Meus dedos tremiam, e manchas escuras surgiam nas bordas da minha visão.

Lucian saiu de trás do balcão do bar e parou abruptamente ao ver meu rosto.

— Por que você está tão pálida?

Ele me ajudou a chegar até o sofá. Em seguida, pegou o kit de primeiros socorros, encontrou minhas cápsulas para enxaqueca e serviu uma bebida morna com eletrólitos.

— Tome isto primeiro.

Lucian colocou os comprimidos na palma da minha mão e ficou me observando até que eu engolisse. Depois, foi para a cozinha, cortou algumas fatias de limão, acrescentou mel e preparou uma infusão quente.

Deitada entre as almofadas, ouvi o suave tilintar do vidro contra o mármore.

Era justamente isso que me enlouquecia em Lucian.

Ele nunca tinha sido mesquinho comigo. Quando eu adoecia, cuidava de mim com toda a atenção. Quando alguém me insultava durante um jantar da família, ele garantia que, ao amanhecer, o nome daquela pessoa tivesse desaparecido de todas as listas de convidados de Chicago.

No papel, Lucian era o noivo perfeito.

Foi por isso que deixei sua ternura amortecer meus sentidos durante sete anos. Então, a contagem regressiva apareceu, e nosso noivado aparentemente perfeito começou a apodrecer diante dos meus olhos.

Lucian entrou no quarto com a bebida de limão e mel e a colocou cuidadosamente sobre a mesa de cabeceira.

— Espere esfriar um pouco. Não quero que você se queime.

Ele se sentou na beirada da cama e segurou minha mão.

— Ainda está brava comigo? Eu só fiquei com pena dela, Elena. Eu juro. Você é a única mulher no meu coração.

Fiquei olhando para ele por um longo instante.

Será que eu era mesmo?

Meus olhos se ergueram para os números sobre sua cabeça.

[198 dias, 10 horas e 20 minutos.]

A contagem não tinha aumentado nem por um segundo.

Seu pedido de desculpas, sua culpa e todas aquelas pequenas tentativas de fazer as pazes não tinham recuperado um único instante sequer.

Retirei lentamente minha mão da dele.

— Não estou brava.

Naquele momento, o celular particular sobre a mesa de cabeceira tocou, rompendo o silêncio do quarto.

Lucian hesitou antes de pegá-lo. A tela se acendeu, e eu vi o nome de quem estava ligando.

Mia Crane.

Ele lançou um olhar em minha direção. Então, atendeu e colocou a chamada no viva-voz.

Lucian sempre gostava de provar sua inocência com aquele tipo de transparência.

— Sr. Bellandi... — A voz de Mia soou entrecortada pelo choro.

A expressão de Lucian se tornou tensa no mesmo instante.

— O que aconteceu?

— Um cano da caldeira do meu prédio estourou, e os bombeiros mandaram todos saírem.

Mia tremia tanto que eu conseguia ouvir seus dentes batendo. O vento forte e várias vozes alteradas rugiam ao fundo.

— Eu tinha acabado de vestir uma camisola. Minha carteira, meu documento e meu cartão de acesso ainda estão lá em cima. Estou escondida perto da escada dos fundos e ligando do telefone da portaria.

Ela fungou.

— Sinto muito, Sr. Bellandi. Eu realmente não sabia para quem mais ligar.

Lucian se levantou de repente.

— Fique dentro do saguão. Não saia para a rua. Estou indo buscar você.

Ele encerrou a chamada e estendeu a mão para o coldre e as chaves.

— Elena, aconteceu alguma coisa no prédio de Mia. Preciso ir até lá.

Apoiada contra a cabeceira da cama, fiquei observando seus movimentos.

— Há uma nevasca lá fora.

— Eu sei.

— Quase desmaiei há dez minutos.

As mãos dele pararam sobre as tiras do coldre.

Lucian voltou até a cama e tocou meu rosto.

— Você já tomou o remédio. Beba alguma coisa quente e durma, vai se sentir melhor pela manhã. Ela é uma jovem presa nas Docas do Sul, usando apenas uma camisola. Você sabe como é aquele bairro.

— Espere por mim em casa. Vou resolver isso e volto imediatamente.

Em seguida, ele saiu do quarto a passos largos.

A porta da cobertura se fechou com um som pesado e definitivo.

Olhei para a bebida de limão e mel que ainda soltava vapor sobre a mesa de cabeceira. Depois, encarei o espaço vazio onde Lucian estivera.

O ar ainda parecia manchado pelo brilho vermelho de sua contagem regressiva.

[120 dias, 8 horas e 15 minutos.]
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